Monday, August 18, 2008

Praia e música cubana

Apesar de dever ficar legalmente "casada" com Coetzee e terminar meu trabalho, traí-o e me entreguei à leitura de outro romance. Quando terminei, tinha perdido/ganhado o sábado e, como já era domingo e o dia era de sol, acabei indo à praia. Afinal, todo mundo sabe que é pecado trabalhar aos domingos! Praia do Leblon, dia de sol, época de campanha política: a gente sabe que tudo pode acontecer... Mas nada ocorreu de especial. A água estava limpinha e numa temperatura razoável, mas muito agitada. Mesmo assim, tentei vários mergulhos, tropecei em crianças com pranchas, escapei por pouco de boladas que uns quatro ou cinco marmanjos sem noção resolveram chutar em rodinha bem na beira d'água, tomei um balde de mate com limão, de torneirinha (gosto de viver perigosamente) e cheguei em casa a tempo de tomar banho e me arrumar para o Cello Encounter das 8h. Filas e conversas inacreditáveis. Uma pessoa, que mal conheço, resolveu me contar de seu ''hidrocólon", mas vou poupar meus eventuais leitores. Eu sempre me admiro com os assuntos que puxam comigo. Já escutei descrições de tumores latejantes, de cirurgias plásticas atemorizantes, já ouvi os detalhes de operações financeiras que deixaram meu cérebro dormente. Já sorri incontáveis vezes com as mesmas piadas contadas pelas mesmas pessoas, embora a piada não tivesse graça nem na primeira vez que foi contada. E já tive que achar muito engraçada a história que eu havia contado numa festa anterior, quando a escutei, como coisa sua, contada pelo meu interlocutor, numa festa posterior. Antes, tinha os olhares cúmplices do Guilherme. A gente não trocava olhares irônicos, só se olhava, com amor, soprava um beijo e seguia em nossas órbitas, separadas, mas gravitando apaixonadamente em torno um do outro. Agora aqui estou eu, falando com esta máquina, talvez na triste esperança de que ele me possa ler...
Que ele leia então o final feliz de meu domingo: música boa, música pelo prazer da música, músicos numa "orgia" de entrega e admiração, se aplaudindo mutuamente, trocando instrumentos, fazendo duos, revelando seus "eus" antes da profissionalização, em despudorado exercício de paixão. E tudo isso grátis! Como não ser apaixonada pelo Rio? E pelo SESC?

1 comment:

Amauri said...

Lucia, que domingão heim...
Faz tempo que quero um desses, viver perigosamente assim é melhor..
Aqui vou eu para mais um hotel, dessa vez um diferente, não vai acreditar, mas se chama Doña Urraca. É lindo, um SPA mas não para mim que estou a trabalho.
Um dia te conto o que é a tal de Urraca.
Abraço forte e va curtindo os domingões por aí.