Monday, October 26, 2009

Tempos escolares

Às voltas com comemorações escolares, lá fui eu ao YouTube, mais uma vez. Adoro esse tal de YouTube. Como não uso mais a aparelhagem de som desde a morte do Gui, é assim que escuto alguma música, e que consigo enlouquecer os vizinhos, repetindo-as mais de dez vezes, quando estou "in the mood".
Desta vez fui procurar as letras das canções que ouvi: Father and Son, do ex-Cat Stevens, que virou muçulmano e mudou de nome para Yussuf alguma coisa. Eu não sabia disso, ou, se sabia, já tinha esquecido. Aliás, eu nem sabia direito quem era o Cat Stevens, eu com minha mania de não prestar atenção na autoria, só na obra. A música eu já tinha ouvido, depois parei de ouvir, e, agora, escutei uma semana seguida, em ensaios e performances. A velha discussão entre experiência e acomodação, e juventude e aventura. O pai quer que o filho fique na mediocridade, não quer dar a ele a permissão para se aventurar e mudar. O que o Cat Yussuf não entende é que mudança com permissão não é nada. Não implica em desafio, portanto, não confere vitória. Ou talvez entenda, mas não muito bem, daí a canção se arrastar nesta baladinha repetitiva tararã, tararã, tararã. Nada muda. Mas, ao fim e ao cabo, nada muda mesmo. A gente pensa que sim, mas as mudanças são apenas aparentes, só revelam os mecanismos por baixo dos vernizes idealizadores. De um modo ou de outro a gente acaba settling down, e, no dia seguinte, os sonhos mudaram mas o sujeito permaneceu no mesmo lugar, só alguns quilos mais gordo ou mais magro. Mas, num determinado momento, é bom mesmo avisar aos pais, que podem ter se esquecido, que os filhos precisam partir. They have to go away.
Outra musiquinha foi "Se a gente grande soubesse", do Billy Blanco, e talvez do Jobim, não entendi direito os créditos. Uma palavra mansa faz milagres, diz a canção. E as crianças aprendem a dizer não com os pais, avisa. Num dia em que as manchetes tristes dos jornais falam da luta de um pai contra o vício do crack de seu filho, que, drogado, matou a namorada, me questiono se a educação pode ser uma coisa suave e permissiva. Acho bom o NÃO. Acho boa a frustração, pois a vida também tem dessas coisas e a gente não pode ficar achando que protege o filho de tudo com carinho. Eu cresci assim, no meio da delicadeza, e fiquei sem carapaça que me protejesse. São Piaget e Santa Montessori que me perdoem, mas é muito mais difícil construir essas carapaças mais tarde na vida. Toda hora desanimo. Mas o SIM também é uma maravilha. Ter alguém que sirva de wind beneath your wings, que lhe permita alçar voo e alcançar o céu. Só que, sem o NÃO, ficamos sem consciência crítica, e achamos que sempre merecemos o paraíso, daí que as pessoas vão baixando os padrões, até chegar nessa nossa falta de tudo, com todos se achando no direito de tomar o que é dos outros…
Para terminar, lembrei de uma que não escutei, mas que amei quando era garota: To Sir with love. Tá nesse endereço aqui
Se eu fosse mais espertinha, ao invés do link colocaria aqui o vídeo, mas … Vou me dar um tapinha nas costas e dizer a mim mesma que sou um prodígio, autodidata em gracinhas cibernéticas, usuária de i-phone, YouTube, GPS e que isso tudo está muito bom e que eu não preciso aprender a baixar os sons para o ipod que nunca consegui usar, com a desculpa de que odeio os tais de head phones. Mas odeio mesmo, e se quisesse muito escutar música já teria aprendido, pelo menos aquele básico que me permite ser funcional e medíocre nas gracinhas que uso.

1 comment:

marciofo said...

Você me fez lembrar de minha professora de alemão, que após a morte do filho, ela não ouviu música nem freqüentou concertos por mais de 50 anos. Voltou quando teve como aluno o Antônio Guedes Barbosa, grande pianista, morto precocemente. Do amigo Marcio