Mais uma vez fui visitar minha "pedra do sono", a escultura de um japonês cujo nome sempre me esqueço, e que é uma das minhas favoritas. O nome da escultura não é esse, eu é que lhe dou esse nome. Imaginem um cubo de granito, quase perfeito, com uma excavação na parte superior, coberto por água que dá a impressão de estar absolutamente parada, mas que corre e cai, sem que vejamos seu movimento. Sabemos que a água escorre porque escutamos o rumor que ela faz, mas não podemos perceber seu movimento. Minha impressão é a de que poderia me sentar em frente a ela para sempre, me deixar ficar ali fascinada por aquela calma aparente, por aquela pedra viva, linda em sua simplicidade, absolutamente complexa em sua invisível dinâmica.
Para terminar a visita, uma chegada no terraço para ver Maelstrom, uma escultura de um raio que ocupa todo o espaço do terraço. À volta, as copas das árvores, ainda não totalmente amareladas. Mais ao longe, o perfil dos prédios, sentinelas zelosas do parque e do museu. Quanta beleza dá para carregar em nossos corações? Tinha vontade de fechar os olhos para não deixar meu encantamento se desfazer, ao olhar para outras coisas. Agora que estou aqui escrevendo, me lembrei da história que contam de Proust, absorto na contemplação de uma flor, tentando guardar sua imagem para depois usá-la em seu texto. Quem me dera a intensidade daquele olhar! O meu, vadio e indisciplinado, logo logo estava se deliciando com detalhes de caixinhas de rapé, frascos de perfume, leques franceses. E meu corpo, rebelde, exigia descanso.
Hoje foi o primeiro dia do Congresso do qual estou participando. No caminho para a NY Film Academy, onde foi a abertura, a cidade foi revelando recantos que eu ainda não conhecia, ou ponde em evidência prédios que amo, pelo seu valor simbólico ou por seu traçado elegante. O desenho arquitetônico maciço e sólido das construções mais antigas parece ainda mais concreto ao se contrapor à leveza dos prédios mais novos, que abusam das transparências e de espaços vazios. Mas já escrevi demais, a hora se adianta e amanhã tenho um dia cheio. Se conseguir amanhã escrevo mais, contando os detalhes do Congresso.
2 comments:
Acho que seu olhar captou muito mais do que você pode imaginar. A descrição que nos deu foi maravilhosa.
Sucesso aí.
Beijos
Repito o que disse a Ana Cristina Melo. Conte mais. Marcio
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