Friday, October 16, 2009

Cecília e Nova Iorque

Cecília Meireles era linda. As suas fotos, os desenhos de sua face longa e aristocrática, seus olhos verdes de gata, tudo me encanta. Seus poemas também. Gosto deles, da sonoridade de seus versos, dos temas abordados. Me orgulho de seu trabalho onde posso detectar tenacidade, perseverança, dedicação. Mas, neste Congresso, descobri um lado seu que não gosto: seu lado de educadora. Não me levem a mal: acho muita dedicação de sua parte a criação de bibliotecas infantis, e também gosto de seus livros para criança. O que não aguento são as idéias "quadradinhas", formais, "bem comportadas". Imaginem que ela não gostava dos personagens de Lobato, achava-os crianças malcriadas. Fiquei ofendida, quando descobri isto. Acho que cresci influenciada pela irreverência libertária da Emília. Não me identificava com a Narizinho, que, no entanto, era minha xará. Achava que ela era meio boboca. Mas a Emília! A senhora Marquesa de Rabicó, que nunca deu bola para aquele marido que lhe arranjaram, e cujo affair com o Visconde de Sabugosa sempre me impressionou, era meu ídolo. Um de meus primeiros sonhos impossíveis foi esse de ser boneca.
O dia de ontem foi chuvoso e frio. Muito chuvoso e muito frio. Não deu para passear, embora eu tivesse que voltar para o hotel a pé desde lá da BEA, pois não consegui táxi. De noite, fomos a um musical: South Pacific. Antigo, sim, mas seu principal personagem masculino era interpretado por um brasileiro, Paulo Szot, um barítono maravilhoso, que também tem uma bela figura. Gostei. Sobretudo, gostei do teatro, que faz parte do Lincoln Center (Vivian something, esqueci o nome), e que é tão bem construído que a gente quase que se sente dentro do palco. Moderno e bem confortável, dá gosto ir lá.
Hoje foi o último dia do Congresso, que, aliás, pode ser assistido no YouTube. Eu ainda não vi, mas é porque meu computador está no conserto, e estou usando um emprestado, só quando dá… Por isso mesmo termino por aqui, pois tenho que devolver este computador a seu dono. E deixo para falar outra hora na Neue Galeria, onde fui hoje pela manhã, ver os expressionistas, na exposição de Klimt a Klee. Adoro esse pequenino museu, uma casa na esquina da 86 com Quinta Avenida, e sua coleção deslumbrante de Schiele, de Klimt, de Kokotscha. O dia esteve frio, mas quase não choveu. E eu passeei, depois do fim da conferência, em Times Square, para saudar as luzes de NY. Depois conto mais.

3 comments:

marciofo said...

AI que inveja

Amauri said...

Estou feliz, viajando com voce.
Isso que é bom deste blog, voce viaja e se delicia junto com a escritora.
Bom, conte mais enquanto vou aproveitar o sol em Palermo.
Amauri

Ana Cristina Melo said...

Os textos da Lúcia nos transportam sempre.
Para facilitar aqueles que fazem mil coisas como eu, quando descobrir o link do Congresso no YouTube, posta aqui.
Beijos
Ana