Monday, April 18, 2011

Neve!

Acreditem, ontem fez um dia lindo, sol aberto, nem uma nuvem no céu como vocês vão poder ver nas minhas fotos, depois que eu voltar para o Rio. Hoje está tudo branquinho de neve. Queria sair para brincar, mas não trouxe minha botas, bu-huu! Está nevando intensamente. Flocos pequenos, pesados, devem estar virando flurries, que não sei como traduzir. Flurries é uma espécie de neve molhada, que logo se desfaz e custa a acumular. Mas o chão e os telhados estão cobertos de neve, o que significa que ela começou a cair já faz algum tempo, durante a noite, sob a forma normal e agora que o sol saiu, a temperatura está subindo e transformando os flocos em flurries.
Bem, chega de meteorologia! Meu amigo me disse que quando veio para cá, estranhou as conversas ao princípio, pois sempre começavam com o mesmo assunto: "o inverno ainda não chegou" e depois mudaram para "o inverno vai demorar a passar". Agora ele compreende. E até mesmo eu compreendo, saudada com neve em pleno dia 18 de abril!
Ontem fui ao museu, lindo, me deu a impressão de entrar num pterodátilo em repouso, de asas fechadas (pois o vento não permitiu que elas se abrissem). A obra de Calatrava tem uma certa ambiguidade, pois nunca decidimos se estamos numa coisa "viva" ou se estamos, por exemplo, num barco. Numa floresta ou numa catedral. A beleza e a leveza de suas construções são indescritíveis, aquelas toneladas de concreto, ferro, aço e sei lá mais o que, se elevam como se flutuassem no ar. E parecem estar apenas pousadas sobre a terra, impermanentes, prestes a alçar voo. Dentro de suas construções, quem habita é a luz. Em forma direta ou indireta, ela ocupa os espaços, desenha seus caprichos, dona absoluta de todo o interior. Talvez por isso a crítica que li numa revista local: é um museu que não abre espaço para a arte. Aparentemente, a sala de exposição foi uma intervenção de um arquiteto local. Assim como o café e outros espaços "utilitários". Confesso que, ao entrar, só tive olhos para a beleza do museu. Mas não me furtei de examinar o grandioso móbile de Calder, nem a belíssima e coloridíssima peça de vidro de Dale Chihuly (American, b. 1941)
Isola di San Giacomo in Palude Chandelier II, 2000
Blown glass
103 x 86 in. (261.62 x 218.44 cm)
Gift of Suzy B. Ettinger in memory of Sanford J. Ettinger M2001.125
Creio que as obras, para serem expostas ali naquele espaço monumental, precisam de ter dimensões especiais.
Enquanto escrevia, a neve acabou e agora cai uma chuvinha miúda e gelada, que me dá arrepios só de olhar… As ruas já não têm mais sinal de neve, mas os telhados ainda estão brancos (meu quarto fica no décimo andar numa cidade com poucos arranha-ceus)
A exposição de Frank Lloy Wright é linda. Maquetes, desenhos, peças de mobília, alguns vitrais, até tapetes, tudo isso entre fotos e filmes. Vemos sua genialidade, sua incrível capacidade de trabalho, sua evolução para um futurismo desenfreado, sua capacidade de transformar o pesado Art Deco em espaços leves e, sobretudo, habitáveis. As casas mostradas em filmes são todas acolhedoras, apesar de a arquitetura estar presente em todos os detalhes. Vemos como ela ultrapassa os limites dos prédios e incorpora a natureza, seja modificando-a em jardins planejados ou trazendo-a para dentro da casa, não só em imagens, mas em alguns casos, em sons. E julgamos perceber nele alguns traços que desabrocharão em Niemeyer e no próprio Calatrava.
Depois de andar por ali fui visitar o acervo do museu e uma das obras, o quarto do infinito (Stanley Landsman Walk in infinity chamber) me fez sentir uma astronauta. Mas tirei foto de algumas outra obras intrigantes. Depois mostro e conto minhas impressões.
O dia depois foi uma série de passeios de carro, conversas, uma agradável festinha na casa de meus anfitriões, muitas, muitas risadas, uma alegria só. Claro que passei numa livraria e, depois de resistir bravamente e não comprar The three Weismann from Westport (que pretendo encontrar em audiobook), acabei sucumbindo à tentação e comprando um livro Literary Tatoos. Eu e meus fetiches…
Me despeço aqui, por hoje, fazendo uma pequena menção ao Kafka da Colonia penal, a quem pretendi homenagear com minha compra. E agora vou praticar a leitura de Borges's Secretary, para não fazer feio hoje à tarde!
See you!

2 comments:

Tereza said...

Sol aberto num dia e no outro neve: é mesmo inacreditável! E tantas obras para ver e tanto para dizer! Fiquei curiosa sobre esse ser "um museu que não abre espaço para a arte". Eu uma vez vi uma exposição em que havia um imenso móbile de Calder e amei! Enfim, querida, fico aguardando as próximas postagens. Abraços, muitos, T.T.

Lucia B said...

Oi, T.T., acho que o que o comentarista quis dizer foi que o museu é que é a arte. Na verdade, quando você entra, o espaço é monumental e livre. Não há paredes, onde se possam pendurar quadros, a luz entra pelas inumeráveis janelas e se solidifica num jogo de sombras, penumbras e luminosidade que se tornam esculturais. Realmente, a impressão é de que aquilo basta. E parece que os curadores do museu acham o mesmo, pois neste imenso espaço só estão expostas as esculturas que mencionei. Mas talvez eles ainda não tenham adquirido outras obras para preencher o local. Não sei. Só sei que adorei. Voltarei ao assunto.