Friday, March 06, 2009

Carta dos leitores.

A Cora Rónai escreveu uma coluna maravilhosa falando sobre as livrarias ameaçadas de extinção. Aquilo me entusiasmou, e eu acabei mandando um e-mail para ela. Geralmente não sou de mandar e-mails, nem cartas para a redação. Conto nos dedos as que já enviei até hoje. A primeira, ainda nos tempos do "snail mail", foi para protestar contra uma reportagem do Ela, que dizia que quanto maior a escolaridade feminina menos chance as mulheres tinham de arrumar um namorado. E aí entrevistavam jogadores de futebol, cantores sertanejos, e modelos/manequins. Acho que entrevistaram duas intelectuais, que se colocaram na defensiva, assustadas com a cobrança. Falavam que, com mais de doze anos de estudos, a chance de a mulher arrumar um parceiro sexual era praticamente nula. Gente, doze anos de estudos não te leva nem a terminar uma faculdade! Lá mandei eu uma carta desaforada e meio gozadora, lamentando muito que a repórter – que eu supunha ter completado seus estudos de jornalismo ou de comunicação, seja lá como isso se chame hoje em dia – estivesse impossibilitada de tirar seu atraso. Claro que não me responderam.
A segunda vez foi uma cartinha ao Xexéo, a quem assisti numa palestra dizendo o quanto os jornalistas apreciavam essa facilidade dos e-mails, que estimulavam os leitores a reagirem a suas colunas e davam um feedback precioso, que era muito estimulante. Lógico que, boa moça que sou, logo na coluna seguinte do Xexéo mandei uma mensagem bem educada e incentivadora. Ele deve ter apreciado e se sentido muito estimulado, mas não me disse nada, e eu nunca mais insisti. Só que, recentemente, a Fernanda Torres publicou uma coluna falando sobre Proust, de quem sou ardorosa devota. Tenho a imagem dele junto a meu computador, na esperança de que o santo me transforme numa escritora de qualidade. Impulsivamente mandei um e-mail dando os parabéns pela coluna, falando de como o exemplo dela poderia estimular a leitura de uma obra que, pela sua extensão, assusta um pouco, mas que, uma vez iniciada, se transforma num vício, difícil de largar. Descobri que ela publicou na Revista de Domingo! Achei o máximo. Agora, estimulada por esse assunto que me apavora – como poderei viver sem frequentar livrarias? –, escrevi um e-mail para a Cora e ela me respondeu!  Juro! Escreveu prá mim, dizendo que tinha adorado o e-mail (bem, talvez ela tenha dito gostado, ou apreciado, mas foi como eu entendi) e que tinha tomado a liberdade de colocar lá no blog que ela mantém. Lá fui eu ver o blog, que adorei. Cheio de retratos de gatinhos bonitinhos, e com um vídeo tirado do YouTube, nota dez – pena que, em minha ignorância, eu não saiba quem é o cara que está falando. Vou pesquisar. Aconselho, então, a todos os meus leitores : visitem o blog da Cora, que é imperdível. Para facilitar, aqui vai o link:
E aqui está a resposta que recebi dela, para vocês verem como ela é simpática:
Salve, Lucia!

Adorei o seu email – e tomei a liberdade de levá-lo lá para o blog, onde a coluna tem uma sobrevivência de mais alguns dias e a turma pode discutir o assunto. Apareça por lá: cora.blogspot.com. A casa é sua. Curiosamente, você vai ver que, lá, também falei na questão dos acentos.

Um abração,
Cora

3 comments:

Anonymous said...

Gostei muito do blog de Cora Rónai .bjs. Márcio Galli

Guido Cavalcante said...

Você é tão reverente para um artista, que chega a surpreender. De vez em quando eu dou pitacos na Cora. Já fui até censurado lá, quando descrevi uma máquina criada em 16.... para torturar gatos:Cat Piano, botem no Google entre aspas que vão ver a ilustração. O blog da Cora é quase legal, tem uma carga de sentimentalismo que é um tanto reedundante com aqueles gatos todos. E tem os epígonos, que se julgam de uma sabedoria...

Teka said...

é pra dizer Feliz dia das Mulheres e em especial a voce, minha querida escritora amiga. Bj