Thursday, October 09, 2008

Tempora, pontifex, flumen

Três palavras latinas de uma vez... tudo isso para reclamar do tempo, que anda frio e cinzento há muitos dias. Vejam só, lá na França, peguei dias lindos, frios, mas de céu azul, alegria nos canteiros e nos rostos das pessoas. Vou ver se me lembro de como postar as fotos naquele site, como fiz com as de Budapeste, para que meus leitores possam se deleitar com as fotos que tirei em Paris e na Langogne. Modéstia à parte, desta vez tirei umas fotos lindas em Paris. Da cidade, bem entendido. Uns recantos que não são os postais tradicionais, mas que agora me encantam mais do que os velhos chavões. Que, no entanto, continuam me encantando. Qual não foi minha alegria quando descobri que, da janela de meu quarto de hotel, podia ver a Torre Eiffel? Fiquei com água na boca, pois em frente de onde nos hospedamos havia um posto das bicicletas de aluguel. Só que a Renée não sabe andar de bicicleta, daí que andamos mesmo foi de ônibus, ou a pé. Geralmente a pé, mas acabei convencendo a Renée a tomar ônibus, pois adoro andar de ônibus em Paris. Não lmbro se contei dos passeios que fizemos, de nossa ida ao teatro, de nosso pequeno museu Maillol, bem na Rue de Grenelle. Fui lá por causa da resenha da Elegância do ouriço, confesso logo de saída. Pois, se não tivesse escrito sobre a Rue de Grenelle, não teria lembrado do museu de um dos maiores escultores de todos os tempos. Vejam só como a literatura nos enriquece! By the way, o número 7 refere-se a um prédio de esquina onde está a loja-- mega, hiper -- da Prada. Nada a ver com o jardinzinho e a concierge. Esta fui encontrar no prédinho de minha amiga Eliane, na Rue de Surcouf. Ao entrar, lá estava a concierge varrendo o pátio, as flores dando um toque colorido às pedras claras do edifício. Cumprimentei, gentil, mas não passei de um:
"bonjour, madame."
E subi as escadas pensando em que livro ela estaria lendo escondida em casa. Na verdade, o prédio de minha amiga está dividido em minúsculos apartamentos de quarto e sala, bem distantes do fausto descrito no romance. Mas a atmosfera é a mesma, o silêncio, a polida distância entre os moradores, a elegância discreta não do ouriço, mas da burguesia do 16eme...

Hoje, vendo o jornal, descubro que os magistrados que tomavam conta das pontes sobre o Tibre chamavam-se pontífices, e daí veio o nome do título papal: Pontifex maximus. Não faz muito tempo eu estava lá em Roma, atravessando pontes. Aliás, adoro pontes. Se eu fosse romana, minha grande ambição teria sido ser pontifex. Ou, caso o sexo me impedisse, de ser a mulher de um pontifex. Adoro pontes pelo seu caráter de ligação, de união, de mãos estendidas para o outro. Gosto de colecioná-las -- tenho canções, como, por exemplo: London bridge is falling down...; tenho imagens de pontes modernas, esculturais; tenho filmes: A ponte sobre o rio Kwai; tenho fotos de pontes cobertas, de pontes ruídas, de simples pontes e de pontes simples. Pontes de tábuas, suspensas por entre as copas de árvores, pontes largas ou estreitas, longas ou curtas, simbólicas ou banais. Já passei por muitas pontes na vida. Agora uma faz parte de meus planos: a Rio - Niterói. Passo por ela para ir a UFF, que virou minha Alma Mater.

Pois é assim que termino o blog, hoje, falando na Universidade Federal Fluminense -- flumen, rio, que dá nome à minha cidade bem amada que, mesmo sob neblina e chuva, é sempre dos meus encantos. Adoro estar de volta ao meu cantinho, sentir o perfume do mar, olhar o desenho das montanhas, perceber que o verde das árvores se mantém mesmo sob a chuva que a tudo deixa acinzentado. Ontem, num passeio pelas praias na companhia de Rachel e Nelly, comentávamos sobre as belezas de um dia de chuva, e eu me lembrei de que no Rio, se não temos as quatro estações, temos as "quatro luzes". A luz de verão, impiedosa e cegante, a luz prateada da primavera, a luz cristalina do inverno e a dourada do outono, que esculpe a cidade e seu cenário de maneiras tão diferentes, a cada visita que fazem.

Agora vou ao meu romance, trabalhar, trabalhar, me aquecer com palavras.

2 comments:

Amauri said...

Olá Lucia,
Que bom ler sobre seu passeio pela França, Paris principalmente.
Ver a torre Eiffel de sua janela, deve ter sido maravilhoso, principalmente agora que esta toda de azul durante a noite destacando as estrelas amarelas da CE.
Vejo que gosta de pontes, coincidencia ou não também gosto. Tenho muitas fotos, não tão famosas como as suas. Pena que não falamos disso aqui em Curitiba, quase que precisei de uma ponte para ir do Quintana até o estacionamento.
Forte Abraço,
Am

Paulo Eduardo said...

Nossa, Lúcia. Acabei de ler a Secretaria de Borges... Putz, muito bom!!!! Parabéns! Achei que não conseguisse gostar de autores contemporâneos, mas você me salvou!!!! O "4%" é algo assim...demais...