Saturday, December 08, 2007

Ser ou ...

Vocês sabem o resto, não preciso completar o título. A razão da pergunta é pensar: o que faz de mim uma escritora?
Leio os outros -- as outras -- e me sinto tão pouquinha... Insegura, preciso de palavras que me animem nas quais, no entanto, nunca acredito (você só diz isso porque gosta de mim!-- penso).
Mas essas palavras me fazem bem, preciso delas como uma planta precisa de água, mas, diferentemente das minhas belas amigas vegetais, não espicho raízes para os lençóis freáticos: sou uma planta arrancada, sobrevivendo ainda, mas já quase sem seiva.
Tudo o que sempre quis fazer foi escrever, escrever histórias tão maravilhosas quanto as que me encantavam.Não sei como, mas, ao invés das histórias que queria contar, saíam poemas. As histórias saíam, também, mas poucas, anêmicas. Até que um dia, assim de repente, mas sem que eu soubesse que algo estava acontecendo, eu parei de escrever poemas. Fiquei anos, vários, só escrevendo contos, ou escrevendo outras coisas, como, por exemplo, os e-mails mais longos da internet (devo ser campeã nesta categoria). Tento ser breve e concisa, mas não tenho em mim nenhum DNA de Graciliano Ramos. Sou derramada, palavrosa, prolixa. Escrevo. Na hora, gosto do que escrevi. Depois tenho um ataque de rejeição -- releio e detesto tudo. Fico me perguntando porque é que escrevi o que escrevi. Então não leio mais, evito meus textos, até que um dia, mexendo em papéis que proliferam à minha volta, encontro algum conto que imprimi por alguma razão já esquecida, e até gosto do que está escrito. Ou, numa outra possibilidade, me surpreendo com alguma passagem, acho-a repetitiva, quero corrigir, mas dou de ombros, achando que não vale a pena.
Drummond tem um poema que diz mais ou menos isso:
Lutar com palavras
é a luta mais vã
no entanto lutamos
mal rompe a manhã...
Drummond não lutava contra as palavras, mas com elas, notem a sutileza.
Eu?
Preciso delas. Elas me alimentam, me sustentam. Sou aquilo que li e leio.
Então, termino aqui esse post, colocando meu auto-retrato (que Arcimboldo fez a gentileza de pintar para mim). Deliciem-se.

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