Monday, November 17, 2008

Sampa

Aqui estou eu, nesta minha Nova Iorque tupiniquim, me encantando com os recantos paulistas. SP é uma cidade que sempre me admira: nas leituras, a grande megalópolis. Ao vivo, a cidade que guarda a dimensão humana, que preserva casas e árvores, que tem vendedores com jeitinho de província -- uma mistura sempre renovada, sempre surpreendente. E esse ar de colcha de retalhos, com um pedacinho de seda oriental, outro de arraiolos, outro de mantilha espanhola, outro de algodão de jerusalém.. Cada bairro com seu sotaque diferente, suas memórias e códigos, seus perigos insuspeitados. Suas ladeiras, culminando na Paulista, seus vales e rios insubordinados, seu mar de carros impedindo a passagem embora se proponha a nos conduzir de uma zona a outra. Adoro SP, mesmo com o frio e a chuva que chegam sorrateiramente, depois de um dia de sol e calor, só para enganar a carioca desavisada.
Hoje é o lançamento do livro do André de Leones, e daqui a pouco estarei lá, na Livraria da Vila. Segunda feira fria e chuvosa, que vai se aquecer graças aos abraços amigos e se iluminar com o sorriso dos reencontros. Enquanto espero, leio, e converso, e telefono, e relembro.

2 comments:

Ana Cristina Melo said...

A lembrança mais forte que tenho de São Paulo é do ano de 93, quando desci às 5h da manhã, com meu marido (na época, noivo), no metrô do Anhangabaú. Vínhamos da rodoviária. Atravessamos o parque com uma garoa que agulhava os ossos. O nariz congelava numa temperatura de 4 graus. Foi minha primeira vez, em São Paulo, e numa temperatura tão baixa.

Depois de largar as malas no hotel, saímos à procura de um chocolate quente.

Pequenos momentos, mas inesquecíveis.

Unknown said...

Colcha de retalhes, esse é o nome. Do aconchego, do carinho, e também da violência, da miséria, do abandono.
Ser bem recebida é uma qualidade que a pessoa impõe pelo carinho, sorriso e delicadeza. Beijos.