Sunday, January 13, 2008

Por que me ufano de meu país.

Esse negócio de escrever ficção está me deixando meio...diferente. Minhas memórias agora tendem a se mesclar com minha imaginação, e eu já não sei se me lembro de ter que fazer redações com esse título ou se isso é uma lembrança adquirida em leituras. Sou assim, agora me vejo lembrando de países que não conheço, recordando histórias de personagens como se fossem de pessoas reais...tudo se confundindo e se esbarrando pois, na minha vida tão sem ocorrências, acabo ficando marcada pelas leituras. Aliás, me lembro de uma vez (essa aconteceu mesmo) que estava viajando com um grupo de pessoas do trabalho do Guilherme e depois de, pela milionésima vez, falar de alguma coisa que tinha lido (para cada assunto eu "tinha lido" alguma coisa) uma das mulheres me perguntou: "Você nunca viveu nada, não? Só leu?" Acho que data daí essa minha confusão, pois, refletindo sobre a pergunta, percebi que vivenciava mais o que lia do que o que vivia, pois a leitura envolve reflexão, necessariamente, enquanto que a vida simplesmente acontece. Às vezes a gente reflete sobre ela, e é isso que estou tentando fazer aqui, agora, apesar de me deixar levar pelas digressões.
Voltemos ao título -- não me lembro de ter escrito nada que prestasse sob este título, até porque tenho uma grande antipatia pela palavra ufano, que me faz lembrar o desconforto causado por gases... Gosto do meu país, adoro minha cidade vitimada, me encanto com os brasileiros, mas não me ufano de nada assim como não arroto em público. Isso até ontem à noite, quando fui assistir ao espetáculo Aquarelas do Ari. Aquelas músicas encantadoras, cada qual melhor que a outra, e eu pensando que aquilo era obra de um único compositor, unzinho só, que nós ainda temos Noel Rosa e Cartola, Tom Jobim e Chico, Caetano e Antônio Maria e Cazuza e Renato Russo e Marina e toda uma legião de compositores geniais. Isso prá só falar no popular, pois até em música clássica temos compositores maravilhosos. Gente, tive um legítimo ataque de ufanismo: queria me levantar e gritar bem alto: Sou brasileira, da terra que tem a melhor música popular do planeta! Foi uma senhora noite.
Saí dali e fui ao Rio Cenário, comemorar minha epifania ufanista. Fiquei pensando que até as músicas bregas daqui são mais legais: nossos amores têm mais cores, nossas cores mais sabores, nossos sabores mais odores e por aí vai. Amar ao som de Kleiton e Kledir tem seu valor, declarar-se com uma canção de Tim Maia, é declarar-se para sempre, deixo que vocês completem essas minhas afirmações com suas lembranças...
Agora me despeço por uns tempos. Vou ao Chile: Santiago, lagos andinos, e depois Bariloche e Buenos Aires, na Argentina. Não será a primeira vez que contemplo os Andes, nem o Oceano Pacífico (Vou a Viñas del Mar e a Valparaiso, também) mas isso ainda me entusiasma como novidade. E é minha primeira vez no Chile e em Bariloche, vou voltar cheia de novidades e de fotos, espero. Se eu conseguir, mando notícias de lá. Se não, só na volta. Até.

5 comments:

Wagner Marques said...

como diz o velho chavão: "o bom filho, à casa retorna". Retornei!

Amauri said...

Lucia,

Se vai ao Chile, aproveite Santiago e passe saborear frutos do mar e um vinho delicioso no Ocean Pacific ou no Mira Olas.
Peça um vinho Dona Dominga e disfrute!!
Depois estique um pouquinho mais e vá até Puerto Varas no Sul, é lindo e relaxante. Se voar a noite, com sorte podera ver o Llaima em erupção.
Pena que não estou por lá estes dias, mas quem sabe numa próxima.
Boa Viagem! Olha que sou brasileiro e também curto Kleiton e Kledir sem contar nossa natureza que não deixa nada a desejar!

Guido Cavalcante said...

Acho o Chile adorável. Tive a oportunidade "histórica" de acompanhar como jornalista toda a luta pela redemocratização, desde os tenebrosos anos 70 até a queda do pinochet (me recuso a escrever este nome com maiúsculas) e conheci todo o país. Desde o deseerto do Atacama, no norte, até as geladas paragens do sul, na Patagônia, onde muitos prisioneiros políticos foram relegados. É incrível a vida política no Chile, as cores dos partidos lá são tão disputadas quanto as cores dos times de futebol aqui no Brasil. A tradição política se transmite familiarmente. Há um lugar que eu adoro: isla Chiloé, no extremo sul, rodeada de baías geladas e habitada por pescadores. Se for lá, procure um hotel chamado Unicórnio Azul. Uma graça! E lembro de Luís Sepúlveda, escritor chileno vivendo em Hamburgo e que escreveu "Mundo do Fim do Mundo".

Guido Cavalcante said...

p.s. se for a Valparaíso e Viña, tente dar um pulo em Isla Negra, onde Neruda tinha uma casa fantástica (aberta para visita) à beira mar. A casa tem o bar mais encantador que já pude ver (e olhe que conheço muitos :-)

Desejo said...

boa-viagem... estaremos aqui esperando :)