Saturday, November 20, 2010

Raios de sol

Um sábado (quase) de sol, que alegria! O Rio fica tão mais lindo, com sol, parece outra cidade. Perdão por repetir chavões, mas é impossível resistir. Comparo o Rio chuvoso e o Rio ensolarado com a TV, preto e branco e colorida. Se existe charme e encanto em assistirmos alguns filmes em preto e branco, olhar diariamente para o mundo sem cor acaba nos cansando.
Mas não vim escrever sobre isso, e sim sobre raios de sol metafóricos, que invadem nossas vidas e nos iluminam e aquecem. Hoje, por exemplo, vibrei de alegria ao ver que o livro Ficções do Desassossego, da Lucia Helena, foi resenhado no Prosa e Verso. Essas resenhas são "certificados de batismo" dos livros que escrevemos. Muitos seguem seus caminhos pagãos, outros são abertamente muçulmanos ou judeus, ou até budistas. Na verdade, nenhum livro depende dessas "certidões" para desenvolverem suas vidas saudáveis e longas, ou breves e fúteis. Mas que pai, ou mãe, não vibra com a cerimônia de batismo, de apresentação ao templo, de seja lá qual for o rito de pajelança, budista, taoísta, de candomblé, muçulmano ou judaico de sua tradição? É uma festa, mais ou menos modesta, mais ou menos concorrida, e é sempre uma alegria. Parabéns à autora e à sua resenhista.
Mais raios de sol? São muitos para comentar. Ontem fui ao lançamento do livro do Claufe Rodrigues e me diverti com a brincadeira que ele propôs: fomos gravados, usando adereços e fantasias, lendo um poema de seu livro. Um garotinho, de peruca black power e óculos metálicos, leu, tropeçando um pouco, um dos poemas do amigo da mãe. Esta, com uma peruca chanel rosa shocking e óculos de estrela, sem esquecer de uma tiara de princesa, leu o seu poema revelando uma voz educada e treinada, coisa de artista. Cada qual com sua fantasia: um poeta colocou um chapéu de cowboy dourado (suponho que pertencesse – o chapéu – ao set de Brokeback Mountain). Uma romancista apelou para longos cabelos cor de rosa. Eu optei por um boá vermelho. Os óculos são os meus, obrigada que sou a usá-los. Depois fui embora, pois as amigas queriam conversar e lá no estúdio improvisado era proibido.
Muitas manifestações de carinho e de saudade, um jantar embalado por conversas interessantes, foi uma noite de raios de sol refletidos na bela lua que enfeitava o céu.
Mas, ainda tem mais. Segunda-feira vou a SP, ver o show do Paul McCartney. Consegui o ingresso, comprei passagem de ida e volta e… mais nada. Ontem me dei conta de que vou precisar de um hotel para pernoitar. Claro que, nos que ficam próximos ao estádio, não consegui lugar. Vou, após o show, atravessar toda a cidade de SP. Isso se conseguir um táxi. Ou ônibus. A pé sei que não chegarei lá. Fui ver no google a distância e percebi que precisaria de uns dois dias e meio para chegar ao meu destino, por isso rumarei, caso não consiga condução, diretamente para o aeroporto. Mas acham que me preocupo? Quem vai ver show de Paul McCartney tem a idade mental de seu encantamento. Na segunda voltarei aos meus tenros 11 anos. Duvido que ele cante She loves you yeah, yeah, yeah, mas, seja lá o que ele cantar, eu saberei a letra. Foi assim que aprendi inglês, me esforçando para aprender as letras dos Beatles. Infelizmente, não vi o grupo junto. Mas verei o Paul, que espero não apareça no palco numa cadeirinha de rodas. Verei o Paul com os meus olhos de 11, de 12, de 18 anos. Foi um longo amor. 8 anos de devoção, de procura por recortes em revistas nacionais e estrangeiras que terminou com a violência por parte de minha mãe, que aproveitou uma viagem minha e esvaziou o armário. Lá se foram discos e recortes dos Beatles, meus livros do Príncipe Valente e a coleção de histórias que ganhei num prêmio de redação na escola. Até hoje sangro ao falar nisso. Imaginem, todos os seus tesouros roubados! Mas eia! Os raios de sol bailam no meu pensamento, e ainda tenho mais coisas iluminando meu fim de semana: Woody Allen e Lanternas Vermelhas. Amigas e família acompanhando. E uma história se desenvolvendo no computador, me entusiasmando.
Para terminar, ouvir uma amiga, falando de seu romance, me divertindo já que mostrava a ficção se construindo face à realidade. Obrigada. Estou ansiosa para lê-lo. Assim que sair, aviso a vocês, meus queridos leitores.

2 comments:

Tereza said...

Com tantos raios de sol reais e metafóricos a tua vida está mesmo uma festa! Que bom, porque eu gosto de ver que vc está feliz! T.T. (Aqui o dia hoje está meio envergonhado e o sol sumiu...)

marcio fonseca said...

Lucia Eu vi o show pela Tv e na verdade fiquei desapontado. Na era dos Beatles eu era fã do Frank Sinatra daí meu desencanto. Qual foi sua sensação. Bjos Marcio