Saturday, December 26, 2009

Finalmente montei uma árvore de Natal este ano! É bem verdade que é só aqui no blog, e que ela é descaradamente roubada da New Yorker. Mas é a única árvore de Natal que eu poderia montar, e, assim mesmo, só depois de passado o pesadelo. Pois o Natal, para mim, se transformou numa grande provação. Preciso dar um jeito nisso, mas ainda não consegui. Me esforço, faço cara de alegre, cozinho delícias, estreio roupa nova, mas, por dentro, estou raivosa. Minha tristeza transformou-se numa raiva surda contra a vida, uma irritação ranzinza, de quem procura motivos para se sentir infeliz. Espertinha como sou, reconheço os sintomas e reajo, mas isso não me impede de terminar os rituais sempre em lágrimas de frustração. Bem, os amigos que desculpem a sessão de psicanálise.  Concentrem-se apenas na árvore de Natal, toda feita de livros. Quais os livros que vocês colocariam nela? Obviamente que, por razão da época natalina, a minha estaria com algumas histórias de Natal: a Menina dos Fósforos (acho que não existe história mais triste!); Scrooge, do Dickens; The Polar Express; a Bíblia; Morte e Vida Severina; livros que ensinam a fazer arranjos de Natal, livros de culinária e de arrumação de mesa. Estes livros temáticos serviriam como os "enfeites". Para a árvore "enquanto árvore", procuraria lembrar de meus favoritos. Claro que, como mexi  em Dickens, aproveitaria para pegar um David Copperfield, um Tale of Two Cities e The Prince and The Pauper. Chega. Não preciso da obra completa do autor. Obra quase completa seria a de Machado de Assis: todos os contos, quase todos os romances, todas as crônicas. Os contos de Grimm, minha coleção de "Os mais belos contos …", desaparecida, mas que compunha-se de contos de fada russos, contos do Roman de Renard, contos das Mil e Uma Noites e tantos outros. Eça de Queirós, tudo. Camilo: Amor de Perdição, Amor de Salvação, A queda de um anjo. E a Dama Pé de Cabra, de quem era mesmo? Herculano? Sim, colocaria os contos dele. E muita coisa de Victor Hugo, os romances. Lembrando dele, iria pegar meus queridos capa e espada: Os Três Mosqueteiros, O homem da máscara de ferro, O homem que ri, e, porque não, O Conde de Monte Cristo, os romances de Dumas Pai e Filho que nunca soube quem escreveu o quê. Nestas leituras de juventude, colocaria as deliciosas aventuras de Arsène Lupin, e as de Sherlock Holmes, e as histórias de Agatha Christie, tanto as da Miss Marple como as do seboso Poiret. E o Magazine de Mistério do Ellery Queen. Colocaria toda minha seção de teatro, as peças gregas e romanas, as francesas, as de Martins Pena, as do Ariano. Chekov entraria, assim como Dostoievski e Tolstoi. Proust, é claro. Tudo, tudinho. Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. M. Ségur. Callado. Mario e Oswald. Vargas Llosa. Hemingway. Borges. Cortazar. Maupassant e Monteiro Lobato. Já estou cansada de carregar livros, e, se continuar neste ritmo, ao invés de árvore construirei uma torre de Babel ( o que me faz lembrar de incluir Saramago e Mia Couto). Paro por aqui, mas ainda resolvo colocar umas guirlandas poéticas. Manuel Bandeira, João Cabral, Silvia Plath, Adrienne Rich, Paul Celan, Drummond, Menotti, Jorge de Lima, Victor Hugo, Baudelaire ( Ih, tenho que colocar na árvore o Flaubert!) Rimbaud,Pessoa,  Cecília ( Ih, deixei a Clarice fora da árvore, será que dá para encaixar?) Olhando os outros livros que deixei de fora, vejo que preciso construir, ao invés de uma árvore de Natal, uma Floresta de Natal. Tantos livros de autores recentes: Roth e Oz, para não mencionar os brasileiros contemporâneos que nem começo a citar para não encompridar mais o post. E vocês? Como ficaria a árvore de cada um de vocês? Não esqueçam dos meus livrinhos, hein?!

2 comments:

Ana Cristina Melo said...

Se não tenho competência como psicanalista, ofereço a palavra amiga para você se fartar.

Quanto à árvore, ela é uma grande ideia mesmo. São tantos livros que li, que me tocaram, que é difícil escolher. Sei que esquecerei de vários, mas vamos lá. Montaria cada camada da árvore com grupos bem específicos. Meus estrangeiros: Flaubert, Maupassant, Joyce, Borges, Vargas Llosa, Garcia Marquez, Tchekov; meus clássicos nacionais: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Fernando Sabino, Clarice Lispector, Bandeira, Drummond, Vinicius; meus contemporâneos: Lygia Fagundes, Livia Garcia-Roza, os contos envolventes da querida Lucia Bettencourt, Rodrigo Lacerda, Cintia Moscovich, Marcelo Moutinho, Angela Dutra, Edney Silvestre, Claudia Lage, Tezza, Ivana Arruda...
Sei que esqueci alguns, mas certamente esses autores me tocaram especialmente nos últimos anos.
Bjs

marciofo said...

Bela árvore. Só ela já da para fazer um Natal fantástico. Na base eu colocaria Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato com quem a prendi a gostar de ler. Tinha a coleção completa do Arsene Lupin enão deixaria de fora o Harold Bloom. A sua árvore alegrou meu Natal. Beijos Marcio