Wednesday, April 01, 2009

Nobel de literatura vai para brasileira!

Finalmente! O mundo se curva ante o Brasil, e descobre nossa literatura! Infelizmente, esta é apenas uma brincadeira de primeiro de abril, embora, como toda brincadeira, com seu fundo de verdade. Parece que nossa Nélida, que não é brasileira, mas que não o deixa de ser, pois sendo galega é ligada ao Brasil pela língua, alegria e generosidade, é uma das candidatas ao prêmio deste ano. Vamos torcer por ela e fazer de nossa manchete de 1º de abril, uma manchete de 31 de março. Isso já foi feito antes, talvez alguns se lembrem ainda da "gloriosa", quem sabe?
Aproveito para relembrar meus amigos da Galiza. Quanta saudade do sorriso sempre aberto da Carmen, de sua incrível disposição para a vida, de sua capacidade de trabalho! E do poeta e fotógrafo e professor e conhecedor de café, o homem para todas as estações, Carlos Quiroga! E das peças do Quico Cadaval! E das conversas com tantos amigos e amigas nos bares e restaurantes (hmmm!), dos dias dourados em Santiago de Compostela, das ruelas onde os apaixonados se abraçavam com paixão, e enchiam meu coração de saudade!
Continuemos na literatura, vamos falar um pouco dos livros que ando lendo: Numa mistura doida, um coquetel sem método, sem motivações a não ser o mero acaso, junto ensaístas hispano americanos com Amós Oz e Chico Buarque. Já li o Leite derramado. Estou ainda lendo a Caixa Preta e salpico este preto e branco com o matiz intenso de Alfonso Reyes, Cortázar e Borges. Na fila, que sempre aumenta e nunca tem fim, estão Nélida, Nietzsche e Barthes. Me lembrei agora de Machado, que não está na lista, mas que é bem vindo a qualquer hora, dizendo que "quem mamou da teta gótica…", ou seja, quem havia se criado sob a égide romântica, não conseguia se separar dela. Pois eu fui "criada" com o leite derramado de Nietzsche e Barthes. Os outros (Derrida, Foucault, etc.) nunca me pegaram tanto como os dois primeiros, pois estes me pegaram pela emoção e os outros pela razão. Mal comparando, estes últimos seriam "amas-secas", e não de leite (viram o trocadilho? juro que foi acidental!). Daí que, ao ver um livro bonito relançado, não resisto, vou revisitá-lo. A capa do livro Wagner em Bayreuth é absolutamente sedutora!
Bem voltando ao retrato em preto e branco que vou criando a partir de Oz e Chico, enquanto um faz a rememoração de uma paixão, o outro faz reviver o desamor, que, por incrível que pareça, convive com muita facilidade com a paixão. E isto está evidente nos dois livros: ambos são histórias de amor acabado, e em ambos a gente vê que nenhum dos apaixonados jamais conheceu realmente o alvo de sua obsessão. Ambos falam de morte e solidão, de ciúme e de desencanto. Chico, sempre mais suave, terno, mesmo, valoriza as perdas e confere um encanto às falhas de memória, dando sentido à perda de sentido e ao vazio. Oz é cáustico: suas palavras doem, são letais. Falando do envelhecimento de sua ex-mulher, ele pinta um dos retratos mais aterrorizantes da velhice feminina. Nem vou copiar aqui, pois só relembrar o que ele diz me dá engulhos (será que me sinto tão ameaçada assim?). Mas não é justo falar aqui de um livro que ainda não terminei de ler. Depois comento mais. 
Quanto aos ensaístas, com que prazer vou lendo o texto inteligente e culto dos autores citados. E, com alguma surpresa, vejo que vou criando, sem maiores pretensões, meus próprios ensaios aqui na rede. Sou ensaísta! Ora, viva! Mas, brincadeiras à parte, começo a criar uma outra indagação: o gênero que os brasileiros tanto prezam, a crônica, é, no fundo, um ensaio. Vou ter que comentar isso na aula.
Para terminar: estou com um texto publicado numa outra revista eletrônica, a diversos-afins
O que chama a atenção logo à primeira vista nesta revista são as fotos. Gente, que beleza! E são da Leila que tem um fotoblog muitíssimo legal, e de um outro amigo. Fiquei entusiasmada! Parabéns, Leila! E obrigada por me chamar para fazer parte do grupo. Nesta "leva", como eles chamam, tem Maurício de Almeida, outro irmão em SESC. E muitos outros autores legais. Chamo atenção do Guilherme, meu amigo poeta lá de Maceió, pois neste site eles publicam poesia. No Histórias Possíveis ficou determinado que só prosa, poesia só quando for dos colaboradores regulares.
Bem, preciso ir. Deixo vocês na esperança que todos cliquem no endereço acima e se encantem com as coisas que encontrarem por lá.
E feliz dia da ficção! Pois a mentira, quando bem contada, é uma boa história!

4 comments:

Guilherme Ramos said...

Já estou por lá, Lu! (rsssss... cacofonia??? Rsss...)
Bjuxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx!!!!!

celina said...

Que Nélida não saiba que vc andou dizendo que ela não é brasileira. Leia o Coração andarilho e verá... Brasileiríssima, e faz questão de ser. Beijo, saudades, C.

celina said...

Esqueci de dizer que adorei o conto no diversos-afins. Cantada por cantada, um viva às estantes!

Cecilia said...

Olá, Lucia
Sou a Cecilia, trabalho na Edelman, agência de comunicação digital de Jorge Zahar Editor.
A lista de livros para ler são sempre intermináveis, não? Que bom que gostou da capa de Wagner em Bayreuth. Você pode visualizar a imagem aqui - http://www.richard-wagner-postkarten.de/postkarten/wal.php
Abraços e parabéns pelo blog.