Friday, August 31, 2007
Confusões tecnológicas
As jornadas aqui de Passo Fundo continuam me encantando. Hoje levei o dia devagar, pois ontem quando finalmente cheguei ao hotel, estava um bagaço. Mas assisti a uma espetacular palestra com o Ferrez, que me abriu os olhos para muitas coisas. As idéias se agitam em meu cérebro, as emoções me invadem, as confusões me rodeiam e dou mil bandeiras, mas estou feliz.
Thursday, August 30, 2007
Noites brancas
Tuesday, August 28, 2007
Prêmio Josué Guimarães
A mãe de Proust
A caixa
Manhã.
Acho que nem preciso dizer como estou feliz. E que estou compartilhando este prêmio com o Guilherme, que ainda me habita
Monday, August 27, 2007
Passo Fundo
Agora vou trocar de roupa, tentar comprar uma máquina fotográfica e, finalmente, ir ao encontro dos outros peregrinos nesta romaria cultural. Os sinos ao longe avisam da passagem da hora. É tempo.
Thursday, August 23, 2007
Estranheza
No fim do dia me entreguei a Tezza e suas angústias. Só estou no começo, mas percebo como é denso e trabalhado o seu texto. Minha professora eterna, Marlene de Castro Correa, dizia que Drummond era uma mistura de paixão com meticulosidade. Encontro essas qualidades no texto de Tezza. Hoje vou dedicar mais tempo a ele.
Para os curiosos: Os livros em questão são: O cavalo perdido e outras histórias, de Hernández e O filho eterno, de Tezza. Valem muito a pena.
Tuesday, August 21, 2007
Uma mulher com um segredo
Queria telefonar também, e me transformar em anjo mensageiro, queria dividir com o mundo essa notícia, mas não posso. Trata-se de um segredo. Preciso calar, apagar o brilho dos olhos, sossegar o coração e continuar vivendo minha vida a conta-gotas, mesmo que minha taça esteja transbordando de alegria. Porque é alegre o meu segredo. É iluminado de sol e saber. Mas eu me calo, e me envolvo nos véus do mistério.
Um anjo me anunciou a boa nova. Outro anjo me confirmou. E eu me maravilho e, finalmente, me entristeço. Onde está você meu amado, para se alegrar comigo?
O que vale é que tenho Felisberto Hernández aqui comigo. Embarco nas palavras dele e navego pela casa inundada, esquecendo de meu coração também inundado de prazer.
Ave, palavra. Ave, T. Ave, L.
Saturday, August 18, 2007
de exílio e outras solidões
Saturday, August 04, 2007
Dallas, partindo.
Voltando ao presente, é hora de fechar as malas. E de mandar um beijo aos leitores, presentes e passados, mas também futuros.
Wednesday, August 01, 2007
Museus e mais museus
Também adorei a expo do Muek, que sempre me impressionou muito com suas peças tão intensamente realísticas no detalhe, embora totalmente modificadas nas proporções. Seu bebê gigantesco, um recém-nascido que toma uma sala inteira de um museu, mas que surge ainda com seu cordão umbilical quase que latejante, e suas marcas de sangue como insígnias da batalha pela vida, contrasta com a pequena dimensão do pai morto, indefeso, inerte e diminuído, vencido pela morte, mas comoventemente apresentado como uma criança que necessitasse de ser apanhada no colo para ser consolada...
Demais!
Acho que estou, finalmente, começando a gostar de Dallas (ou, pelo menos, de Fort Worth, já que os museus se concentram na cidade universitária.) Mas, o moderno perfil dos edifícios de Dallas, sua natureza escultórica, me fascina. Fico contemplando os edifícios ao longe, quando passo pelas auto-estradas (que também são altas-estradas, em seus cinco andares inacreditáveis) e me parece que estou passando por uma cidade do futuro, com suas torres todas únicas, todas belas e friamente espelhadas.
Mas aí me deparo com uma orgia arquitetônica de uma lanchonete à beira da estrada imitando um palácio das mil e uma noites e me pergunto que estranho país é este, onde a beleza se revela em bom e mau gosto, e onde a paródia se instaura a cada passo do caminho?
Sunday, July 29, 2007
Spinning em Dallas
Pois, é. Lembrei que, nos vídeos do Giro d'Italia, as pistas estavam cheias de cartazes com anúncios de sorvetes, refrigerantes, pães e massas... O que será que importa mais para aqueles atletas? O exercício ou a permissão para atacar todas as gulodices do mundo? Já estava na hora do almoço. Na lanchonete do Spa, diversas pessoas comiam sanduíches e engoliam litros de refrigerantes. Fiquei com medo de tanta mastigação, e vim para casa ruminar...
Wednesday, July 25, 2007
Questionário para comemorar o dia do escritor.
Eu respondo aqui:
1. Que livro você está lendo?
O cavalo perdido e outras histórias de Felisberto Hernández
2. Lembra do seu primeiro livro?
Não. Só me lembro de uma cartilha onde aprendi a ler. No dia que me dei conta que já sabia ler, fui contar para a minha avó, que achou que eu tinha decorado a história. Quando ela percebeu que eu sabia ler mesmo, fez a maior festa.
3. No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
Leio pelo menos quatro, ou seja, um por semana. Mas, quando o livro é fininho, leio mais de um por semana. Li o livro da Carola Saavedra e o da Verônica Stigger cada um numa tarde. Mas demorei uns dois ou três dias para ler o do Ian McEwan, Na praia.
4. Você tem um gênero favorito? Qual?
Todos. Só não gosto de auto-ajuda. Mas leio até livros científicos, tipo aquele do Hawkings. Acho que a preferência depende do dia, da situação e da motivação.
5. Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como "seres superiores" por alguns leitores. Você em ídolos escritores? Quais?
Na verdade, todos os escritores que admiro muito tiveram vidas muito chatas .Vejam, por exemplo, Proust. O cara nunca fez nada de interessante na vida, mas observou o que os outros faziam e isso lhe deu assunto para preencher os anos que passou de cama, doente, escrevendo. Virginia Woolf era doida de carteirinha, Clarice também era meio complicada. Drummond e Machado eram dois funcionários públicos certinhos. Se eu tivesse que admirá-los pelo que foram, não ia ter por onde. Mas o que eles escreveram...Prefiro ter como ídolos alguns personagens. Teve uma época que eu queria ser a Sanseverina, prá citar uma preferência adolescente.
6. Você distingue o escritor pelo gênero -- poesia, conto, romance, etc -- ou acredita que escritor é escritor e ponto.
Escritor é escritor e ponto. Mas alguns se dão melhor em alguns gêneros...
7. A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?
Tadinha da internet... Tão doidos prá botar alguma culpa nela. Ela ameaça a leitura, estimula a pornografia, aumenta o desemprego, dá unha encravada. Mas ela é uma ferramenta sem a qual já não sabemos mais viver. Adoro internet.
8. Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
Por decreto, para ser bem rápido!
9. José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre os seus valores, ou pode mudar de opinião?
Quando a gente não consegue mais aceitar as coisas novas e as mudanças é sinal de que começou a se anquilosar a a envelhecer. O cérebro vivo está sempre aprendendo e mudando, fazendo novas analogias. Não pode continuar sempre parado na mesma opinião. Já valores são coisas diferentes: têm a ver com a ética. Podemos "estar"comunistas, mas temos que "ser" honestos.
10. Uma frase para o Dia do Escritor:
Leia um livro!
Bem. É isso. Espero que minhas respostas não tenham matado os leitores de tédio.
Friday, July 20, 2007
Putz Grila!
Eu sei que a expressão é mutatis mutandis, mas quis fazer um trocadilho. Adoro trocadilho, devem ser aqueles anos todos que passei estudando Derrida e Lacan. Estudei, estudei, e tudo o que consegui guardar foi o gosto pelos trocadilhos. De Lacan fiquei com muita inveja: ele era genial. Ao Derrida fiquei indiferente. Acho que não entendi nada do que li.
Mas, depois de tanta digressão, volto aos Mutantes: eu sempre adorei esse grupo e nada pode me deixar mais contente do que essa comparação Rita Lee e os mutantes /Lucia Li e os inventantes...
Ando meio desligada... Fiz dessa frase meu leitmotif. Sempre andei meio desligada, foi uma maneira de me proteger. Como estar sempre ligada -- e sempre sofrendo? Porque há sempre uma porção de razões para sofrer, quando a gente se liga. E basta ligar a tv para começar o martírio. Quem não sofreu com esse acidente terrível, com jeitinho de atentado? Que horror, um inferno se instalando ali, do outro lado da rua, do outro lado da tela, e a gente olhando, sem poder fazer nada?
Um dos meus queridos inventantes, o Henrique, mandou um emocionado poema sobre esse desastre. Estou copiando abaixo, leiam e confiram.
De resto, vou mudar de lugar por uns tempos. Lá vou eu de novo para Dallas. Escrevo de lá.
CHÃO DE ÍCARO
E subiram sobre a largura da terra,
e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida;
mas desceu fogo do céu, e os devorou. (Apocalipse 20:9)
Eu mergulhei na noite e suas sendas trespassadas,
Com a sensação da liberdade sobre os meus martírios.
E tudo o quanto já nos coube nas vivências terrenas
Rendeu-se à travessia vitoriosa para além destes domínios.
Daí que os céus sucumbiram ao clamor da minha angústia
E conquistei-os como um bardo que entoa docemente o seu canto
Tendo a sedução insidiosa com seus sorrisos de lírios.
Abandonei a lua – tão tímida e opaca –, outrora metafórica,
Ao mesmo tempo em que soube das estrelas todas mortas.
E então que essa soberba aniquilou meus infinitos
Enquanto a nódoa mitigava qualquer perfeição dos sonhos.
Porém, no claustro ardeu o grito denso das fatalidades
Por meio de um véu espesso, oriundo da madrugada,
Que me lembrou o peso espesso dessas mãos de chagas.
As vestes nuas sobre o céu cobriram o instantâneo,
Num grunhido de fantasmagoria sobre o jardim esquecido
(À revelia da inocência silenciosa daquelas pétalas,
Em cuja fronte jamais repousaria novamente o orvalho.)
Perdi o vão do tempo e a largura absurda dos espaços:
Na ostentação viril de suplantar o céu longínquo,
Sequer notei que a chuva demasiado fria dessa noite
No espanto desordenado queimou todas as nossas asas.
Tuesday, July 17, 2007
Vã guarda
Nunca esteve nos meus planos sair na frente, agitando bandeiras, como a Marianne (aquela que é símbolo da República Frencesa). Mas, de repente, não mais que de repente, estou aqui como signatária do manifesto 00.
Para vocês saberem do que se trata, leiam abaixo. E riam, pois acho que é o único remédio.
MANIFESTO 00
A literatura nos une. O humor nos desune.
Todas as vozes. Todas as particularidades. Todos os estilos. Todas as ausências de estilos. Somos o que nos falta. Somos o que falta ao outro. Somos o que falta à falta.
Abaixo os manifestos.
Pela despapelização das idéias e pela idealização dos papéis
Não julgue o poeta pela métrica ou pela ausência de métrica.
Pelo silêncio que antecedeu o Big Bang.
Abaixo os romances narrados e/ou protagonizados por répteis, aves, cães, padres, poetas, assassinos em série e afins.
Vá às escolas e fale sobre livros e autores; aprenda e seja apreendido.
Deus não existe.
O futuro a Deus pertence. O futuro, adeus.
Trate o leitor com respeito suficiente para não subestimá-lo – ou superestimá-lo.
Não trate a imprensa com condescendência. Não aceite ser tratado com condescendência pela imprensa.
Incorpore a merda e o sangue derramados. Mas com amplos significados, é claro. E com sutileza, por favor.
Não critique quem aceitar trabalhos sob encomenda.
Aceite encomendas e torne-as algo seu.
Abaixo os bons sentimentos. Bons sentimentos causam câncer.
Abaixo as boas intenções. Boas intenções causam câncer.
A boa literatura é amoral. E o bom escritor, imoral.
Não menospreze qualquer vencedor de concurso, ainda mais se você tiver participado – e perdido.
Não supervalorize qualquer vencedor de concurso, ainda mais se você tiver participado – e vencido.
Em literatura, o acaso não existe. Você descobrirá isso um dia, por acaso.
Chame as coisas pelos nomes. Especialmente quando tratar de sexo.
Abaixo toda e qualquer metafísica.
Contra a metaforização excessiva.
Realidade: menos metafórica, mais metadêntrica.
Abaixo os nefelibatas alcoólicos, os crentes de uma suposta superioridade dos escrevinhadores e literatos, os que se fiam em transes e inspirações divinas ou demoníacas ou lisérgicas ou político-partidárias.
O diabo não existe. Karl Marx está morto.
Não à demagogia travestida de "consciência social", à incivilidade, à barbárie travestida de "contestação", ao movimento dos não-alinhados, aos suicidas frustrados, à invasão das salsichas gigantes, à terceira via, às balas perdidas, à literatura engajada.
Não a quaisquer bairrismos.
Unamo-nos todos na suruba dos diametralmente opostos.Por ANDRÉ DE LEONES, HENRIQUE RODRIGUES, VANDRÉ ABREU, LÚCIA BETTENCOURT e WESLEY PERES.
Sunday, July 08, 2007
Saudades e saudações
A última vez que estive na FLIP foi há dois anos, com o Guilherme. Encontramos muita gente querida, e outra gente que se tornou querida por lá. Passeamos pelas ruas da cidade com aquele jeito de turistas com um propósito, e fomos a todos os lugares recomendados, nos deixamos seduzir por todas as exposições, paramos em frente aos camelôs que nos maravilharam com suas artesanias e seus bonecos contadores de histórias. Chovia, e nós saltavamos as poças que se criavam entre as pedras irregulares da rua. Às vezes não havia como escapar da lama, que se tornava uma lagoa, mas nós olhávamos os cachos floridíssimos dos buganviles e esquecíamos os pés molhados. Acho que estou evitando voltar a Paraty para não substituir essas lembranças.
Passei uma semana muito ocupada, mas continuo as leituras. Vou devagar e sempre na Nadine Gordimer (The House Gun), livro denso. Fui de um só fôlego na Verônica Stigger, a promissora. Já tinha lido Toda terça, da Carola Saavedra. Agora me deu vontade de ler toda essa galera, inclusive o Galera, de quem já li Mãos de Cavalo. Quero conhecer o jacaré do Mastigando humanos, quero ler alguma coisa além das reclamações de Berlim da Cecília. Mas preciso de arranjar tempo para isso. Estou na fase final da obra, meio que paralisada com a mudança (ô que coisa mais amendrontadora, meu Deus!) e com um conto começado pelo qual estou particularmente fascinada. Chama-se Nove sultanas. Não é lindo o nome? Pois é. Quero lê-los, mas isso não quer dizer que eu os admire. Mas quero entendê-los, ou malentendê-los, antes de falar neles.
Despeço-me com um poema.
Caneta tinteiro
Uso minha caneta tinteiro
como se fosse um falo.
Acaricio, aperto, estreito,
não deixo que desfaleça
antes que em minhas mãos estremeça
e seu espesso sumo exploda sobre o papel:
É meu, apesar de eu sempre dizer que não escrevo a mão. Mas, na verdade, tenho um verdadeiro fetiche por canetas, lápis, lapiseiras e todas essas coisas de papelaria. E por hoje é só.
Sunday, July 01, 2007
De viagens e resenhas
Agora ele voltou, que bom, que não sei mais viver sem este vício.
Em Vitória, falei sobre essa nova ferramenta (ferramenta? uma coisa tão sutil, tão diferente dos camartelos parnasianos, como posso chamar meu computador de ferramenta?) e de como essa invenção facilitou a minha escrita. Adoro escrever na frente da telinha. Adoro preparar aulas na frente da telinha. Resenhar, nem se fala. Pesquiso, abro páginas, vejo o que há de novidade por aí. Leio esses blogs literários que são ótimos e variados, vejo fotos...
Amanhã e depois estarei no SESC, ali no Flamengo, escutando as boas falas dos amigos e reencontrando um pessoal que adorei conhecer nas viagens pelo Brasil. Vou encontrar também o pessoal da Editora, com quem já não encontro desde o final do ano passado. Vou estar com o Mussa e o Antônio Torres, vou estar com o Wesley e o Nereu, os novos vencedores do prêmio SESC. Vou estar com o pessoal do SESC de Pernambuco, de Manaus, do Paraná, do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo.
Há um ano atrás eu estava lá na ABL, olhando pela primeira vez meu livro (enquanto objeto) e muito atordoada para poder saborear melhor o momento. Amigos e família estavam presentes, me acarinhando, e eu agradeço muito, embora no dia eu só tivesse a aguda sensação da falta do Guilherme. Esse livro e suas badalações me ajudaram a suportar esse ano. Esse prêmio me abriu uma porta na frente da qual eu hesitava: a publicação. Ano que vem sai meu novo livro de contos: Linha de sombra, também pela Record. Enquanto espero, uma ou outra coisa que escrevo tem sido publicada. Dois contos e três resenhas. E aqui no blog vou publicando um ou outro poema.
E é isso.
Volto quando o computador me permitir.
Sunday, June 17, 2007
Dias nublados
Agora me pergunto: como foi que cheguei até aqui? Quando tudo o que queria era agradecer os comentários e o carinho da EZ e da VH?
Antes de me despedir, só mais uma coisa: estou encantada com a idéia de energia. É, energia, coisa que eu nem sei explicar direito, mas que os cientistas vivem esmiuçando: energia, que, segundo entendi, é imortal. Se é imortal, e nós somos feitos de energia, só preciso de mais uma epifaniazinha para compreender como recuperar a forma que essa energia adotou um dia.
Acho que era mais simples quando eu ficava sonhadoramente repetindo que somos "poeira de estrelas"... E somos! E convido a todos a ler Calvino.
Saturday, June 16, 2007
Ne me quitte pas
Não seria bom se os blogs tivessem identificador de chamadas e a gente pudesse, nos agudos ataques de solidão, lançar apelos a todos os que, um dia, tiveram a curiosidade de nos ler? Outros passaram pelos posts do nadanonada, e, tímidos ou desdenhosos, não deixaram rastros. Outros, amigos, mandaram comentários pelo e-mail pessoal da autora. Outros amigos visitam sempre: meu mano mentor André de Leones, com seu canissapiens que já se profissionalizou nos blogs e noutras literaturas. Outros enrolados com teses e prêmios, andam sumidos, como o Wesley. Estou com saudades desta turma, ne me quittez pas! Quem lembra desta música, lamento tão triste, um atrás da porta francês?
Wednesday, June 13, 2007
Ítaca
De presente para meus leitores, transcrevo Ítaca, pois o que é belo tem que ser compartilhado.
Ítaca
Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez um porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda espécie,
quanto houver de aromas deleitosos.
As muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar,
mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho,
mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.
Ave Sangria
Friday, June 01, 2007
Um pouco de poesia
Há muito tempo que não coloco nada literário aqui neste blog, porisso hoje vamos de poesia, para começar bem este mês de junho.
Vênus
O olhar de tranqüila indiferença
o sorriso levemente zombeteiro
entre as espumas do mar
Uma cabeleira
de algas douradas
pernas esguias
quase enguias
sobre uma concha
talvez algumas flores
ou dedos feito anêmonas
sublinhem
a beleza de quem
desconhece o belo
o olhar
tranqüilamente
indiferente
e o sorriso
abertamente
zombeteiro
cabelos
membros
espumas fúteis
beleza
na sinuosidade
da concha