Quando foi que nos transformamos em especialistas em festas de sonho? Não faz muito tempo, a gente afastava os móveis da sala, preparava sanduiches de pão de forma que víamos sendo cortados, na hora, na padaria, numas maquininhas perigosas mas que deixavam as fatias fininhas e sem cascas. Todos colaboravam, uns enchiam bolas, outros enrolavam brigadeiros, alguém emprestava bandejas, os mais elegantes contratavam garçons, que ao fim da festa estavam caindo de bêbados, intoxicados de tantos "restinhos" surripiados.
Os dotes culinários de cada família eram exibidos orgulhosamente. Falava-se da torta de D. Fulana e do Bobó de Sicrana, e todos balançavam as cabeças, concordando e salivando, ou tímidamente oferecendo um comentário que dizia que o de Beltrana não ficava atrás. Um dia as coisas mudaram. Para fazer uma festa tínhamos que contratar buffês ou banqueteiras. Depois passamos a ter que alugar mesas, e contratar cerimoniais, que por sua vez contratam RP's e Valet's, seguranças particulares, vigilantes para os banheiros, etc. Para darmos uma festa precisamos virar empresas, ou capitulamos e vamos a uma casa de festa que se encarregará de todos os detalhes, desde que possamos pagar por eles. Dos cajuzinhos e brigadeiros, dos bem casados e beijinhos de coco, já só conhecemos a memória. Os doces, irreconhecíveis em seus disfarces de flores, de bonecos, de animais, de cartões de visita, de carrinhos, instrumentos musicais, xícaras, permanecem como enigmas a serem decifrados pelas bocas gulosas. Mordemos um retratinho do bebê e descobrimos que foi feito com um doce de abacaxi e gotas de chocolate. Cravamos os dentes num fradinho barrigudo e provamos um doce de banana recheado de ovos moles. As flores nos entregam, entre suas pétalas, doces de ovos sem ovos e bombons de nozes sem as mesmas, preocupados que estão, nossos anfitriões, em manter nossa saúde. Por isso mesmo, as frituras foram banidas dos coquetéis: barquetes de pepino recheados de ricota, canapés de aipo com passas e wraps de tomate seco desfilam, elegantes, entre as bandejas de mini comidinhas. Num copinho de cachaça nos dão um aperitivo de feijoada, enquanto que nos bares, que se multiplicam, nos afogam em mil sabores de caipirinhas feitas com vodka, sakê, tequila, vinho do porto ou seja lá o que mais inventarem.
Falei tanto que fiquei com saudade dos almoços em que serviam o velho e hoje desprestigiado "arroz de forno". Ninguém nem sabe mais o que é isso! Sei até de um caso (verídico) de que a empregada pediu as contas depois que a patroa lhe pediu para fazer um arroz de forno.
"Que absurdo! Contratam a gente pedindo trivial e depois querem que a gente faça desses pratos complicados! Se ela ainda quisesse um risoto, dava para fazer, mas um arroz de forno! É exploração!"
Mas o post já está muito longo. Depois volto ao assunto.



ar era tão longe de minha casa!) Eles já tinham telefonado duas vezes para minha casa. Liguei, achando que queriam ter a certeza de que eu nunca mais apareceria por lá, mas foi o contrário. Eles me contrataram e traduzi todos os manuais de treinamento que Mr. Maddox queria adaptar do Jack-in-a Box para o Bob's. Foi a única vez que curti fazer tradução. Geralmente sofro muito, pensando nos tesouros escondidos em cada palavra, que não consigo ressaltar na tradução. Mas ali a linguagem era simples, o que eles queriam era motivar as pessoas a se comportarem pró ativamente. Tinha tido, uns tempos antes, uma campanha que dizia: Mexa-se, você pode mudar o mundo. E o manual dizia, a toda hora: Do it! Perguntei ao Bill se podia usar o mexa-se, e ele adorou! 
avalinho, mas de Quimera sedutora, porém, como toda quimera, sem mais valor que uma moeda falsa. Outras vezes, o Cavalinho se transforma num meigo Cavalo Marinho, silencioso e atento, embelezando minha vida, gestando idéias para compartilhar comigo. Fico feliz ao encontrar, nas minhas praias solitárias estes presentes de Posídon. Brancos e impetuosos, em movimento constante como as ondas que lhes deram origem; ou estáticos e medrosos como eu, observando o mundo em nosso redor, antes de se lançarem a galope nos prados da amizade; cansados e feridos, necessitando de pouso e de sombra; pôneis que galopam sem direção certa, pelo mero prazer de galopar, meu coração bate no compasso deles, e são eles que me mantêm viva. Obrigada, amigos e amigas! Os que já se revelaram e os que prometem, que fazem de minhas ruínas de Tróia um lugar onde ainda pode brotar a alegria.
