Saturday, March 14, 2009

Pulei o 13

Ontem não deu. Fazendo juz a sua fama de aziaga, a sexta-feira 13 me surpreendeu com coisas inesperadas, até com uma grande tempestade, e eu fiquei caladinha, no meu canto. Hoje acordei como uma formiguinha atarefada. Já fui três vezes à rua, pretendo ir mais outra, arriscando a sorte e passando por baixo da árvore que estão cortando aqui em frente. Uma árvore que tomba, pela chuva, pela idade, pela infestação de cupins… mesmo assim, dói meu coração vê-la ser transformada em pedaços de madeira, em serragem pelo chão. A sombra que me acolhia quando eu chegava na minha rua, agora já não vai mais me refrescar. Me pergunto se algum passarinho teve que abandonar seu recanto ali no fresquinho? Me entristeço com essas pequenas bobagens. Só me alegro com a possível diminuição de cupins a me ameaçar.  E nem consigo me entusiasmar com a próxima viagem: uma ida à Colômbia – Cartagena de Indias, o porto cobiçado pelos piratas, por onde tanto ouro e tanta prata saíram do continente para enfeitar as Igrejas e Palácios da Europa. Depois, San Andrés e as sete cores de seu mar. É, parece legal, mas eu desanimo, desencanto, só penso nos galhos que se retorcem à espera de serem levados para longe daqui. Sinto o perfume que a madeira recém cortada desprende e me lembro de que, ao cheirarmos, estamos inalando moléculas, e, portanto, transportando para dentro de nós mesmos um pouco do outro. Respiro fundo e decido que está na hora de descer mais uma vez. E que não adianta lutar contra o fato consumado.
Para terminar, agradeço ao Guido o cordel que ele me mandou. Vocês podem encontrar no endereço que ele me mandou e que copio aqui: http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=38858
É sobre a excomunhão da vítima… Nem abordei o assunto aqui porque ainda me sinto ferver. Minha proposta, já que o padre, ou o bispo, sei lá o que ele é, acha que estupro não é tão grave, é convidar os estupradores para atacarem o padre. Pena que o danado não engravida! Mas, citando o Milk, o negócio é continuar tentando. 
Agora, falando sério, me lembro de um romance que li quando garota, mas já não me lembro do autor nem do título. Sei que era um desses autores muito católicos e que o personagem, padre, é chamado ao hospital para decidir sobre um impasse: sua única irmã estava à morte, e sua única chance era uma operação, para retirarem o bebê que ela estava esperando. Se os médicos não terminassem a gravidez, ela ia morrer, e o bebê talvez morresse. Se os médicos interompessem a gravidez ela ia sobreviver, e talvez até pudesse ter filhos, mais tarde. Pois o raio do padre decide manter a gravidez e, assim, assina a pena de morte de sua irmã. Fechei o livro, em lágrimas, revoltadíssima! Nem sei como a história terminou. E acho que nem vou saber, pois esqueci tudo o mais. Teria sido A chave do reino? Vai ver que é do mesmo autor. 
O negócio é seguir as escrituras – dai a Deus o que é de Deus! O resto não é da alçada dele. E eu garanto que Jesus, que tanto amava as crianças, ia cuidar dessa criança atropelada pela desumanidade e violência, e se indignar contra quem a agrediu. Pois é, confesso que não gosto desse Deus que pretende que a gente aja contra as pessoas a quem podemos amar em favor de quem nem existe ainda.
Bolas! Não ia falar nada sobre o assunto, mas aqui estou eu, indignada. 

Thursday, March 12, 2009

Tempus fugit

Gente, dei uma bobeada e lá se passaram quatro dias desde a última postagem! É que essa semana é de volta às aulas, de reencontro com amigas distantes, de missa por amiga que partiu, de contratações, de um monte de encontros e partidas.
Bem, alguns já sabem, mas quero logo contar para todos e convidá-los a participar:
Em maio vou dar um curso "Labirintos de Borges", no Telezoom. Quem ainda não conhece o Telezoom, é uma cobertura gracinha, bem equipada, na Dias Ferreira 78, portinha colada com o Esch Café. Em noites de lua cheia, o terraço, com vista para o Cristo, é um encanto. Em alguns eventos noturnos eles servem um acarajé delicioso, é imperdível! E a programação é variada e interessante. Agora está havendo um curso maravilhoso, da Ana Christina Nadruz, a melhor professora de História da Arte que eu conheço. 
Mas, voltando ao meu curso: será às sextas-feiras, de dez ao meio dia, no formato de "Café da manhã com Literatura" Eles servem um café completo para o corpo e eu um prato cheio para a mente!
Confiram as atividades em www.telezoom.com.br
Eu conto mais, depois, pois hoje recomeço as aulas  e tenho mil coisas a fazer.
Volto amanhã, com trevos, ferraduras, figas e tudo o mais, para proteção – sexta-feira 13!

Sunday, March 08, 2009

Ia me esquecendo…

Ontem foi ao ar mais uma edição de nosso Histórias Possíveis.  Tenho um conto, juntamente com a Dani e o Cremasco, e o mais novo membro efetivo, o Erwin. Bem vindo, Erwin, um conto sólido e bem construído, digno de Vieira, pelo raciocínio claro, que nos pega pela mão e leva ao final inesperado.
Agora estamos com novo formato e com colaboradores que respondem, a cada semana, a um desafio. O desta semana foi a palavra VIDRO, e dois responderam com maestria. 
Agradecimentos a Dani, e a todos que contribuem para a continuação deste projeto, filho das idéias de André, inesquecível.
Então, porque ainda estão aqui? Vão lá no www.historiaspossiveis.wordpress.com e leiam, e recomendem!

DIA DA MULHER

Recebi votos carinhosos dos amigos e das amigas, pelo mundo a fora. Celia GouveiaC, artista brasileira radicada em Nice, Laura Burnier, outra artista de talento, Marcio Galli, amigo de tanto tempo, Henrique, poeta de grande talento, a Bis-Tekinha, toda energia e entusiasmo, meu distante Amauri. Mensagens e ligações para quem amanheceu em ressaca de tristeza. Mas já está passando, vou enxugando as lágrimas e abrindo o sorriso, meio irônico, pensando que, enquanto estivermos recebendo homenagens pelo "dia da mulher", significa que ainda temos muito o que batalhar… Cadê o dia do homem? Cadê o dia do branco? Cadê o dia do banqueiro?O dia do comerciante? Cadê o dia do filho/a? 
Quem está por cima da carne-seca não precisa de dia, pois todos os dias são deles… Enquanto isso vamos comemorando o dia da Mulher, o do Índio, o da Consciência Negra, o do bancário, o do comerciário, o do Papai e o dia das Mães…
A mensagem mais curiosa, que recebi hoje, foram instruções de procedimento em caso de panela pegando fogo. No dia das mulheres já não tão prendadas, um serviço de utilidade pública para que elas não ponham fogo na casa. Ao menos, não destruam, fisicamente, o Lar!

O que será que significa ser mulher hoje em dia? Os modelos são os mais conflitantes possíveis. Podemos escolher entre Mulher-Salada de frutas,  Mulher de malandro, Mulher maravilha, Mulher macho, Mulher independente, Mulher de carreira, mesmo com duplo sentido, mulher isso e mulher aquilo. Já não existem mais definições e certezas. Antes era-se mulher de família ou mulher da rua, e a gente que se enquadrasse o melhor possível nestes papéis. Daí aquelas donas de casa de Nelson Rodrigues, sonhando em serem putas –única alternativa –, mas se consumindo nos dramalhões da culpa burguesa.

Apago todo um parágrafo, eu mesma me canso de minhas desvairadas filosofias. 
Feliz dia das Mulheres, para todos os modelos, até mesmo para as cri-cris e relutantes como eu! E basta!

Friday, March 06, 2009

Carta dos leitores.

A Cora Rónai escreveu uma coluna maravilhosa falando sobre as livrarias ameaçadas de extinção. Aquilo me entusiasmou, e eu acabei mandando um e-mail para ela. Geralmente não sou de mandar e-mails, nem cartas para a redação. Conto nos dedos as que já enviei até hoje. A primeira, ainda nos tempos do "snail mail", foi para protestar contra uma reportagem do Ela, que dizia que quanto maior a escolaridade feminina menos chance as mulheres tinham de arrumar um namorado. E aí entrevistavam jogadores de futebol, cantores sertanejos, e modelos/manequins. Acho que entrevistaram duas intelectuais, que se colocaram na defensiva, assustadas com a cobrança. Falavam que, com mais de doze anos de estudos, a chance de a mulher arrumar um parceiro sexual era praticamente nula. Gente, doze anos de estudos não te leva nem a terminar uma faculdade! Lá mandei eu uma carta desaforada e meio gozadora, lamentando muito que a repórter – que eu supunha ter completado seus estudos de jornalismo ou de comunicação, seja lá como isso se chame hoje em dia – estivesse impossibilitada de tirar seu atraso. Claro que não me responderam.
A segunda vez foi uma cartinha ao Xexéo, a quem assisti numa palestra dizendo o quanto os jornalistas apreciavam essa facilidade dos e-mails, que estimulavam os leitores a reagirem a suas colunas e davam um feedback precioso, que era muito estimulante. Lógico que, boa moça que sou, logo na coluna seguinte do Xexéo mandei uma mensagem bem educada e incentivadora. Ele deve ter apreciado e se sentido muito estimulado, mas não me disse nada, e eu nunca mais insisti. Só que, recentemente, a Fernanda Torres publicou uma coluna falando sobre Proust, de quem sou ardorosa devota. Tenho a imagem dele junto a meu computador, na esperança de que o santo me transforme numa escritora de qualidade. Impulsivamente mandei um e-mail dando os parabéns pela coluna, falando de como o exemplo dela poderia estimular a leitura de uma obra que, pela sua extensão, assusta um pouco, mas que, uma vez iniciada, se transforma num vício, difícil de largar. Descobri que ela publicou na Revista de Domingo! Achei o máximo. Agora, estimulada por esse assunto que me apavora – como poderei viver sem frequentar livrarias? –, escrevi um e-mail para a Cora e ela me respondeu!  Juro! Escreveu prá mim, dizendo que tinha adorado o e-mail (bem, talvez ela tenha dito gostado, ou apreciado, mas foi como eu entendi) e que tinha tomado a liberdade de colocar lá no blog que ela mantém. Lá fui eu ver o blog, que adorei. Cheio de retratos de gatinhos bonitinhos, e com um vídeo tirado do YouTube, nota dez – pena que, em minha ignorância, eu não saiba quem é o cara que está falando. Vou pesquisar. Aconselho, então, a todos os meus leitores : visitem o blog da Cora, que é imperdível. Para facilitar, aqui vai o link:
E aqui está a resposta que recebi dela, para vocês verem como ela é simpática:
Salve, Lucia!

Adorei o seu email – e tomei a liberdade de levá-lo lá para o blog, onde a coluna tem uma sobrevivência de mais alguns dias e a turma pode discutir o assunto. Apareça por lá: cora.blogspot.com. A casa é sua. Curiosamente, você vai ver que, lá, também falei na questão dos acentos.

Um abração,
Cora

Thursday, March 05, 2009

Batatas fritas…

OK, vocês venceram!
Peço desculpas por ficar tanto tempo sem escrever, e explico: estou na fossa. Termo tão antigo que já perdeu seu charme e agora tem um caráter meio repugnante. Mas é isso mesmo. Não posso falar em depressão, coisa muito forte para o que estou sentindo. Estou mais para melancólica, devido, acho eu, à época do ano. Afinal, sábado que vem era meu dia predileto do ano. Dia 7 de março. Agora é mais um dia que tenho que atravessar.
Mas, para meu bem, ou meu mal, sou uma deprimida de bom humor. Estou sempre de bom humor, acho que isso deve ser doença! Meu humor só se modifica em filas – de banco, de supermercado, de inscrição. Não entendo, mudo mesmo, parece que algo dispara e eu fico insuportável. Mas, mal chega a minha vez de ser atendida, the bitch disappears, e volto a ser a doce Lucinha de sempre. 
Além das filas, outra coisa que revela meu lado Ms. Hyde é meu prazer em assistir ao pior seriado da TV – House. Digo pior porque o seriado pretende nos fazer acreditar que o House é um gênio dos diagnósticos, mas só nos mostra todos os erros que ele vai fazendo. Assim até eu sou boa de diagnóstico, na base do erro e acerto:
 – É câncer, façam uma sonografia.
 – A sonografia está normal, Dra. Lúcia. 
– Então é uma infecção, façam uma punção lombar. 
– Não há sinal de infecção, Dra. Lúcia. 
– Ah, então é porque é uma bactéria desconhecida, vamos envenenar o paciente pois assim a bactéria morre! 
– Mas, Dra., se fizermos isso o paciente também morre… 
– Ahá! Mas morre curado, e isso é o mais importante. Eu preciso acertar o diagnóstico, mas não estou nem aí para o que acontece com o paciente!
Digam-me com sinceridade, eu não poderia ser uma roteirista de House e estar ficando milionária em Hollywood? Ou estar trabalhando para a Globo, passando férias na Ilha de Caras, conversando platitudes com alguma atriz que mudou o visual de loura para morena, já que ela (nenhuma delas) sabe representar e que para incorporar o personagem precisa mudar o cabelo, para que os espectadores entendam que agora ela já não é mais a outra… Ou talvez a razão dessa mudança de coloração seja porque o encarregado de escalar as atrizes seja daltônico, ou mesmo cego.  No roteiro, todas as cenas de amor falam de como a pele branquinha e os cabelos louros da moça deixam o herói louco de amor . O cara escala a Giovana Antonelli, pois é cego e não sabe que ela é morena,  e a saída do contra-regra é pintar o cabelo da moça e passar maquiagem para clarear a pele dela, já que o roteista se recusou a reescrever toda a história para acomodar a escalação.
Bem, voltei. Não zanguem comigo. Na verdade, adorei os puxões de orelha! Desculpem. Amanhã tem mais.

Wednesday, February 25, 2009

Teimosia

Então, como não consegui ver o filme, li o livro de Vikas Swarup que deu origem ao filme. Gostei, engenhoso, bem construído. Não se trata de grande literatura, mas é um livrinho gostável, de consumo rápido e divertido. Agora acho que vou dar um tempo nessa tal de Índia. Estou ficando cansada de Rams,  Shivas,  Gulab Jamuns, Masterjis e Bollywood. De miséria e excrementos, então, nem se fala. Cansei. Até minha amiga vai para a Índia, passar 20 dias. E nem vai visitar o Taj Mahal, que seria a única razão que me levaria até lá (além de um contrato para tradução e lançamento de meus livros por lá, é claro!)  Neste livro que acabo de ler, o protagonista trabalha uns tempos como guia informal do Taj Mahal, e nos descreve o monumento com tanto enleio que me deixou com água na boca. Mas no momento nada de exotismo. Sonho com Paris, mais uma vez – até do Boulevard Pereire tenho saudades! E sonho com a Itália, uma caixinha de jóias que não me canso de examinar. Mas acordo com Niterói, para onde vou estudar, e não reclamo: passar pela ponte é sempre um privilégio! Em que outro país podemos ficar engarrafados olhando para paisagens tão lindas? E lá vou eu, pelo Aterro, ou pela Lagoa, atravessando a ponte, olhando de soslaio para o caminho Niemeyer, ou pedindo a bênção para o Redentor e sorrindo para as torrezinhas petulantes da Igreja da Penha. E olho o aviãozinho vermelho que complementa o dia de praia, como um sorriso no céu. Que lindo dia! Ideal para ler...

Em tempo:
Saí e voltei carregada de livros.  Acabei sucumbindo à indicação da Cora Rónai e comprei o Hotel Yoga, com o barrigudinho do Ganesh para me trazer boa sorte. E comprei A arte da vida, do Bauman e um Guia Visual da História da Bíblia, que é uma gracinha, cheio de ilustrações e de esclarecimentos rápidos, como uma árvore genealógica de Adão a Davi, por exemplo. E também não resisti ao Conversas com o Woody Allen, que é que posso fazer? Sou fã dele! Para terminar, ainda comprei a Piauí. Daí que me desculpem, mas tenho muito que ler. E, se não aparecer para escrever aqui nos próximos dias, vocês já sabem a razão.

Tuesday, February 24, 2009

Dos Cinemas no Carnaval

Mudaram os Carnavais ou mudei eu? Antigamente, nos poucos Carnavais em que ficava no Rio, a cidade se transformava num lugar encantado: pouca gente, muitos turistas, lugares em todos os restaurantes e cinemas. Nas ruas, pouquíssimos carros. O Carnaval de rua tinha saído de moda, e só uma ou outra banda, ou um ou outro bloco mais enraizado, continuavam a tradição. Me lembro de um aqui no Leblon, de homens que se fantasiavam de mulher e jogavam futebol na praia. Não me lembro do nome, mas me lembro que todo Carnaval aquela turma saqueava os armários das mães, irmãs ou namoradas e exagerava na maquiagem, nos enchimentos, nos trejeitos. E era tudo ali, no final do Leblon, no cantinho da praia que hoje foi dedicado ao Zózimo e à Cedae. Pelas ruas, só me lembro da passagem da Banda de Ipanema. Mas não vou falar de Carnavais passados, isso já está até parecendo livro do Dickens, ou filme da Disney: cada cronista desencava o espectro dos carnavais passados, e o espírito dos carnavais futuros, para nos tocar a sensibilidade. Eu só quero mesmo é reclamar dos cinemas cheios, ou dos abusos dos administradores das salas, que alegam falta de ar condicionado, problemas no som, lugares esgotados para impedir que passemos uma tarde tranquila e divertida. Todas minhas tentativas cinematográficas foram frustradas ou frustrantes. Fui ao Estação Ipanema a fim de ver Quem quer ser um milionário. Enfrentamos fila, para comprar ingresso e para entrar na sala, e, depois de instalados em nossos lugares, fomos expulsos por um " problema no som". Fui ao IMS ver um documentário: tivemos que assistir o filme sem ar condicionado… Fui duas vezes ao Kinoplex Leblon – ingressos esgotados. Voltei ao estação Ipanema, nada de ingressos para o Quem quer ser um milionário, e acabei assistindo o casamento de Rachel. Desisti dos filmes, também, me dedico à praia e aos livros. A praia está cheia, a água está suja, mas a brisa está agradável, e os livros são amigos fiéis, não me falham. Já que não consigo ver o filme, leio o livro que originou o roteiro, presente que o Márcio me deu, envolto em colares de havaiana e em serpentina. Obrigada, Márcio! E, daqui de meu cantinho, olho as ilhas meio dissolvidas na bruma, escuto Nana Caymmi cantando, e volto para meu livro, que agita suas páginas na brisa, me chamando. Depois eu conto.

Monday, February 23, 2009

Por que não irei ao Caminho de Santiago

Não. O Caminho não é para mim, que me canso só de seguir uma banda por uns poucos quarteirões. Essa é minha grande descoberta de Carnaval – minhas limitações. Gosto de caminhar na praia, de andar para cima e para baixo pelas ruas do Leblon, achava que podia fazer uma aventura como essa de seguir a pé para alcançar um objetivo. Afinal, já desfilei na Sapucaí, tanto no primeiro grupo como no grupo de acesso, já enfrentei trilha na mata atlântica para chegar a cachoeiras, já subi e desci os Champs Elysées, de salto alto! Mas, neste Carnaval descobri que não tenho resistência para acompanhar grupos que são movidos pelo fervor de alguma coisa que pode ser chamada de religião. Não sei se foi a combinação de praia, aniversário e Carnaval, o certo é que fui derrotada por um bloco que nem é dos mais famosos, o Empurra que Pega. Já tinha me concentrado antes, no bloco mais estranho do Leblon: um que sai mas não concentra. O bloco foi embora e deixou todo mundo atrás, conversando e bebendo na Dias Ferreira. O social estava tão bom, a noite tão fresca, as cervejas tão geladinhas, acho que ninguém reparou que o carro de som tinha ido embora. Ou até achou melhor quando o carro de som partiu, pois conversar ficou muito mais tranquilo. 
Sábado lá fui eu para prestar minhas homenagens ao Empurra. Cheguei na hora, fantasiada de alguma coisa que foi interpretada como cigana (várias pessoas me pediram que lesse suas mãos, e eu não me fiz de rogada: cigana do bem, só lia coisas boas nas linhas que me apresentaram. Para uns, era a fortuna; para outros amores incontáveis e ardentes; para alguns, saúde e longa vida; para outros bons empregos; para mim mesma, uma festa – tinha encontrado o que ler até mesmo num bloco!) O problema foi que, quando o bloco começou a andar e eu a segui-lo, descobri que ali não era meu lugar. Aquele ritmo lento, o para aqui que eu vou ali, a troca de fluidos corporais e de cheiros nos inevitáveis encontrões, essas coisas só mesmo com muita devoção. Segui o bloco até o meu limite: a minha rua. Quando cheguei na minha esquina, parecia que tinha chegado às portas do paraíso! 
Resultado, no domingo, acordei cedo, mas não fui ao famoso Cordão do Boitatá, simplesmente porque ele não ia passar na minha esquina e eu não ia conseguir me libertar assim com essa facilidade. Pois tem aquela coisa dos amigos, e da longa volta para casa sozinha, e eu no fundo, no fundo, sou uma pessoa assustada, tímida e meio desanimada: animal de sangue frio, que necessita do calor do grupo para se aquecer… mas que se esgota rápido, como fogo de artifício.
O Caminho, e o Carnaval, são para aquelas pessoas que têm, dentro de si, um braseiro ardendo devagar, por muito tempo. Fico aqui, então, declarando encerrado o meu Carnaval. Vou aos filmes, aos livros, aos sonhos.

Friday, February 20, 2009

Obrigada a todos

Foi ontem, e foi bem comemorado. Aliás, ainda está sendo, hoje ainda tenho um almoço e uma ida ao Rio Cenário com os amigos. Por um lado, fazer aniversário no Carnaval, atrapalha, mas por outro, é muito bom, pois todo o mundo está em clima de alegria e comemoração. E eu topo tudo. Me perguntam: vamos à praia?, e lá estou eu de maiô e chapéu, livrinho debaixo do braço, é claro! Me convidam: vamos almoçar no restaurante super-chique e elegante?, e eu capricho no visual, dou um trato no cabelo, passo um baton e escondo o livrinho na bolsa, é claro! Me chamam: vamos bater papo no bar?, e lá vou eu de sandália e sorriso a postos, com o livrinho na mão, tomando cuidado para não sujar. Só não carrego o livro para os convites para bloco de Carnaval e festas à fantasia. Mas acho que vou inventar uma fantasia de Bibliotecária de Babel, para poder ir com meus amigos para toda parte.
Agradeço a Cris, ao Ernane, ao Amauri –tão distante, você mudou para a Rep. Dom.? – a Teka, a todos os que deixaram suas mensagens carinhosas aqui neste nosso universo de palavras. Depois escrevo mais. Hoje estou dispersa, ainda muito agitada com os festejos. E não tenho ficado satisfeita com nada o que ando escrevendo, tanto que não postei as coisas que escrevi ontem e anteontem. Talvez por estarem muito cheias de reminiscências, por serem muito pessoais, sei lá. Só sei que desisti. A falta de tempo também influiu, não gosto de escrever correndo, escrevo e leio, paro, releio, escrevo... Vou devagar, para não assustar as idéias... Ih, esqueci que ideia não tem mais acento!  Amanhã prometo que volto para escrever com mais calma, e talvez com um pouco mais de inspiração. Mas aqui ficam os agradecimentos.

Tuesday, February 17, 2009

Está chegando o dia, quase se esbarrando com o Carnaval, mas isso não pode importar a quem nasceu numa terça-feira gorda ( e como eu implico com esse nome!) Hoje estou me dando um presente. Vou cuidar de mim, para quinta-feira estar com cara de aniversariante. Mas antes, queria colocar aqui o link para o blog de um amigo -- mais um que devo a Passo Fundo e à maravilhosa Jornada Literária, o talentoso Alfredo Aquino: http://ardotempo.blogs.sapo.pt/246307.html
Ele postou os maravilhosos trabalhos que o Siron Franco fez inspirado (o horror também pode ser musa) no acidente do Césio. Olhem e pensem um instante em como a tragédia está próxima de nós. Lembrem. A arte não nos deixa esquecer, é essa sua função – eternizar e manter a nossa humanidade. Pensem. É o que nos assegura que somos humanos...

Friday, February 13, 2009

Conversas de botequim

Se pessoas tivessem um dicionário de antônimos, eu seria, certamente, o antônimo de boêmia... Nada mais distante de mim do que o desejo de ir para um bar tomar chope. Jamais aprendi a gostar de cerveja, bebidas me dão sono, já não gosto mais de comida de botequim... Então, o que me leva a aparecer ora num bar ora noutro aqui no Leblon, no Centro, ou Ipanema? Os amigos, é claro! Por uma dessas fatalidades, sou uma daquelas pessoas que, sem vocação para a boemia, acho graça no universo do Bar. Muito já se falou sobre a diferença do botequim carioca para o botequim (se é que existe) paulista, não estou dizendo nada de novo, mas acho que as diferenças começam no propósito da ida ao botequim: Ninguém vai ao botequim para beber, ou para comer. O problema é que, no verão, faz muito calor, e é preciso tomar chope para refrescar. Meus amigos me dizem que o chope é a bebida mais refrescante que existe, e eu acredito, pois sempre acredito no que meus amigos dizem, mas não me convenço...Daí que sigo na água, sem gás. Ou me aventuro na caipirinha, uma única, que pode durar toda a noite, ou voltar quase intacta para desgosto do barista (e existe isso, em botequim? talvez, em SP...) De vez em quando, tomo água tônica, até hoje não descobri por quê.
No inverno, o chope hidrata as cordas vocais, e assim vamos consumindo barris e mais barris de chope pelas noites afora. Enquanto isso, nos botequins carioca, desenrola-se o mesmo fenômeno que na praia: as pessoas se encontram, circulam, paqueram, discutem a política, o carnaval ou o futebol, comentam as leituras, reclamam da vida. Não sou tão assídua que possa fazer uma classificação dos botequins, mas já reparei que, em alguns, conversa-se mais. Em outros, paquera-se. Em outros, exibimo-nos, nós, os descolados, que conhecemos todo o mundo que é para conhecer....(ah, quem me dera...eu sou apenas platéia para os chiques e famosos) E, para cada tipo de boteco, um nível de barulho diferente. Regra geral, não se escuta música em botequim carioca, a não ser que surja, espontânea, uma roda de samba ou de violão. Mas, dia de jogo, as TV's aparecem como por milagre, e os olhos se afastam das paqueras para acompanhar os lances. Chega de nhenhenhém. Ia apenas falar da conversa de ontem à noite, com um meu "irmão em SESC", que me incentivou a continuar com meu romance, meio parado entre outros projetos. E agradecer a ele, Cremasco, pelo presente: Histórias prováveis, livro de contos que agora vou ler. Não foi com esse que ele foi premiado, foi com um romance histórico sobre a formação do estado do Paraná, uma espécie de saga familiar, chamado Santo Reis da Luz Divina. Assim mesmo, Santo no singular, pois é o nome de um personagem.
Recomendando livros para amigos, lembro aqui do A elegância do ouriço, da Muriel Barbery; dos livros de Amos Oz; dos últimos do Philip Roth. Tenho lido poucos brasileiros ultimamente, já que minhas resenhas para o Rascunho têm me levado a passear pelo mundo e pelo tempo. O último brasileiro que li foi o do Galera, Cordilheira, mas não me empolguei, embora ache que ele escreva muito bem. E que é um rapaz corajoso, tendo assumido a narração numa primeira pessoa feminina... Isso é muito século XIX, quando os homens não estavam ameaçados pelo feminismo. Hoje em dia, me admira que a crítica não tenha crucificado seu romance...

Thursday, February 12, 2009

Amigos nos jornais e revistas

Antigamente lia jornais e revistas com devoção. Mais que devoção: com atenção. Hoje leio jornal quase que com indiferença, ou inapetência, debicando um cronista aqui, uma manchete ali. A culpa não é minha, é dos jornais, dos jornalistas, ou das notícias – repetitivas, incompletas, sensacionalistas – ou talvez seja minha, que estou ficando sem graça...
Bem, apesar do progressivo desinteresse, fui criando "amigos" entre os jornalistas e cronistas. Há alguns que eu sempre leio; outros que eu leio de vez em quando e que me pergunto porque é que não sou mais assídua; outros que leio só porque o título ou a manchete me interessaram, e me pergunto porque é que ainda perco tempo lendo coisas daquele alguém...
Apesar disso, nunca ligava os nomes às pessoas, e ainda hoje tenho dificuldade em fazer isso. Como é que, a partir daquela foto de um sujeito moreno e mirrado que ilustra a coluna, vou identificar aquele senhor de óculos, mais alto do que eu – que sou alta para os padrões brasileiros, 1,70m– parecendo um professor universitário? É ele quem escreve sobre boemia? Que entende tudo de samba? 
No fim de semana passado, lá em Búzios, minha amiga me apontou: –Olha lá o Ancelmo! Ele já tinha passado, e eu fiquei olhando as costas curvadas de um senhor de sunga, queimado de sol, fazendo sua caminhada entre amigos, fascinada com essa discrepância entre imagem mental e imagem física. Depois lembrei que meus olhos não são muito confiáveis: eu me vejo no espelho de uma maneira que não corresponde em nada às fotos que tiro. Sempre me assusto ao me mostrarem minhas fotografias, e me pergunto, será que sou assim como me revelam as câmeras? Ando evitando os retratos, com medo, já que não me reconheço nas versões que elas capturam...
Digressões, digressões... Acho que tenho lido muito Proust!
Voltando aos amigos, fico feliz quando os encontro nos jornais ou nas revistas como autores ou como assunto. Outro dia foi a vez do Alberto Mussa, amigo querido, que estampou todos os cadernos de cultura de uma vez só, com seu novo e instigante livro: Meu destino é ser onça. Não é um romance, é uma recriação do mito e um estudo sobre a antropofagia, prática que tanto perturbou o imaginário europeu do século XVI (mas que já vinha atormentando os espíritos, desde sempre, e que continua a pairar ameaçadoramente nos cantos mais obscuros de nosso imaginário). Hoje, quem tem seu rosto estampado num instantâneo risonho é o Alcione Araújo, que conheci lá em Passo Fundo e que, por ser meu vizinho, já vi muitas vezes passando pela praia nas suas caminhadas matinais. Isso na página da frente do Segundo Caderno. Na de trás, a Cora Rónai, dessas "amigas de papel", apaixonada em defesa dos animais, com uma eficiência invejável em todos os gadgets moderninhos, falando (escrevendo) sobre uma coisa que me deixa sempre espantada: escapamos! Nossa cidade, antes tão princesinha, agora é traiçoeira. Nunca sabemos porque ou quando seremos o alvo da vez. Ela, com seu equipamento, escapou, embora no mesmo dia, no mesmo local, a Carol Castro tivesse sido depenada, sem que ninguém nem percebesse que algo de anormal estava acontecendo. Talvez porque roubos não sejam mais anormais. E isso na mesma edição que mostra, no mesmo local, os bandidos de classe média (média? são é classe alta!)sendo levados para os camburões, que nem chamavam a atenção parados ali em frente ao prédio de luxo.
Bem, por enquanto, fico feliz ao ver meus amigos nos jornais e revistas, pois eles ilustram coisas que julgo positivas. Um estuda nossa cultura, outro batalha pelo espaço, mais que merecido, no teatro, outra luta pela nossa casa e seus habitantes –oikoslogia. Vejo o nome de Marcelo Moutinho assinando a revista do Império Serrano, defendendo uma nossa tradição de alegria e cultura. Vejo o texto do Secchin no Rascunho, um conto inteligente, onde ele mistura Alencar e Machado com a facilidade de quem é íntimo dos dois. Leio as críticas publicadas sobre livros de amigos, ou as que os amigos escrevem sobre obras que ainda não li, leio as crônicas que me explicam novelas e emoções, fico contente de que, mesmo sentadinha aqui no meu canto, olhando minha nesguinha de mar, possa me sentir tão ligada às pessoas que admiro, em sintonia com tanta gente boa!

Tuesday, February 10, 2009

Dúvida – Escafandro – Certezas

Certezas? 
Nunca fui muito certa de nada, só de minha própria ignorância. Desde que aprendi o sei que nada sei, fiquei fã.
Mas de uma coisa estou segura: adorei as dicas da Fla, que também está caidinha de amores pelo Mac. Fácil, a gente se deixar levar pelas seduções da editoração, por exemplo. Tantos templates maravilhosos, uma aparência moderna – a tela de meu Mac me remoçou uns 20 anos! Estou quase uma roqueira, pegando a guitarra para brincar de banda, fazendo edições de imagens muito cool ...
Em compensação, o filme O escafandro e a borboleta me assustou, tocou num de meus maiores medos – a tal síndrome do encarceramento. Fiquei imaginando a força de vontade daquele cara, piscando o olho para aquela extraordinária criatura que o acompanhou na criação de seu livro, que, segundo minha concepção, pode ser chamado de póstumo, pois que diabo de vida é essa?
Já li muita coisa boa em volta desse mesmo tema. O extraordinário Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubem (ns?)Paiva. A Balada do cárcere, não do Wilde mas do autor português de O Delfim, Joaquim Cardoso Pires, se não me engano. E uma história das Mil e uma noites, da cabeça cortada do sábio, que desejava provar ao Califa que existia vida depois da morte e que combina piscar o olho 3 vezes, para confirmar... Jean Do piscou o olho muito mais que essas três vezes, e comprovou que existe vida mesmo após essa morte do invólucro. Fiquei muito impressionada com o filme.
Ontem à noite fui assistir Dúvida – um show de interpretação numa história que, ao invés de revelar a grandiosidade humana, como é o caso do filme acima, revela o abismo da pequenez da alma humana. Também fiquei muito impressionada, mas sei que este é um filme que, com o tempo, me esquecerei. ;-) 
Me despeço com essa piscadela, sorridente, feliz por ter tantas opções para me comunicar.

Monday, February 09, 2009

Jobs or Gates

Aqui estou eu, pilotando o novo Mac, sem lembrar mais dos truques. Por exemplo: onde fica o acento agudo? Na verdade, sei onde ele se apresenta no teclado, mas nao sei usar nenhum acento, acabo de descobrir... Ficam todos fora do lugar, antes da letra. O que fazer?
So digo a voces uma coisa: Fica lindo, esse meu bloguinho tao banal, nesta tela espetacular. 
Como tenho muito que aprender e explorar, vou ficando por aqui. Outra hora eu comento os filmes que vi -- O escafandro e a borboleta, por exemplo, que tanto me impressionou. E outros.

Sunday, February 08, 2009

Búzios

Lá fui eu, passar o fim de semana em Búzios, mergulhar naquele mar transparente e caminhar na Rua das Pedras, na noite fresca e enluarada. Coisa boa. Sol, água de coco, caminhadas, conversas infindáveis e uma ou outra leitura.
Agora, de volta, as saudades e os filmes...
Quanto ao computador, acho que terminamos nossa relação de anos felizes e proveitosos, creio que em breve terei um novo amor, "sleek", gracinha, de volta aos braços da Apple. Mac foi meu primeiro amor, que, traiçoeiro, me abandonou no meio de um projeto. Mas perdoo, esqueço, e me entrego de novo, fascinada pela sua beleza e pelas gracinhas que ele já demonstrou que sabe fazer (mas, saberei eu comandar essas gracinhas?) O amor, no entanto, é cego e pouco achegado a cálculos e raciocínios. Me deixo seduzir...Vejamos onde vai dar essa nova história de amor.

Wednesday, February 04, 2009

(in)Utilidade Pública

Tudo o que eu sabia já não sei mais. Me lembro de minha avó, dizendo que, quando era menina ( e como somos arrogantes quando somos meninas!) viu uma tabuleta anunciando o preço do açúcar, escrito assim A-Ç-Ú-C-A-R, com cê cedilha (com ou sem hífen?) e acento agudo no U. Na época, a grafia correta era ASSUCAR e ela riu, zombou do pobre comerciante, que anunciava seu açúcar como ainda ontem os botequins anunciavam suas linguiças... Visionários, eles já conheciam o futuro de nossa língua e o anunciavam, enquanto nós, na embriaguês de nossa escolaridade, achávamos que éramos os donos das formas corretas.
Bem, para a gente tentar aprender alguma coisa, aqui vai uma cópia de um resumo da Reforma Ortográfica. Eu me sinto cada dia mais perdida, e dou graças a Deus pelos revisores de texto. Dedico, então, esse post a eles, e, em especial, à Fátima, da Editora Record. Obrigada por tudo, viu, querida?
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Alfabeto
Nova Regra
O alfabeto é agora formado por 26 letras
Regra Antiga
O ‘k’, ‘w’ e ‘y’ não eram consideradas
letras do nosso alfabeto.
Como Será
Essas letras serão usadas em siglas,
símbolos, nomes próprios, palavras
estrangeiras e seus derivados. Exemplos:
km, watt, Byron, byroniano
Trema
Nova Regra
Não existe mais o trema em língua portuguesa.
Apenas em casos de nomes próprios
e seus derivados, por exemplo: Müller,
mülleriano
Regra Antiga
agüentar, conseqüência, cinqüenta,
qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência,
eloqüente, argüição, delinqüir,
pingüim, tranqüilo, lingüiça
Como Será
aguentar, consequência, cinquenta,
quinquênio, frequência, frequente, eloquência,
eloquente, arguição, delinquir,
pinguim, tranquilo, linguiça.
Acentuação
Nova Regra
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais
acentuados em palavras paroxítonas
Regra Antiga
assembléia, platéia, idéia, colméia,
boléia, panacéia, Coréia, hebréia,
bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico,
paranóico
Como Será
assembleia, plateia, ideia, colmeia,
boleia, panaceia, Coreia, hebreia,
boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico,
paranoico
obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
obs2: o acento no ditongo aberto ‘eu’ continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
Nova Regra
O hiato ‘oo’ não é mais acentuado
Regra Antiga
enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo,
abençôo, povôo
Como Será
enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo,
abençoo, povoo
Nova Regra
O hiato ‘ee’ não é mais acentuado
Regra Antiga
crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem,
relêem, revêem
Como Será
creem, deem, leem, veem, descreem,
releem, reveem
Nova Regra
Não existe mais o acento diferencial em
palavras homógrafas
Regra Antiga
pára (verbo), péla (substantivo e
verbo), pêlo (substantivo), pêra
(substantivo), péra (substantivo), pólo
(substantivo)
Como Será
para (verbo), pela (substantivo e
verbo), pelo (substantivo), pera
(substantivo), pera (substantivo), polo
(substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo ‘poder’ (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - ‘pôde’) e no
verbo ‘pôr’ para diferenciar da preposição ‘por’
Nova Regra
Não se acentua mais a letra ‘u’ nas formas
verbais rizotônicas, quando precedido de ‘g’
ou ‘q’ e antes de ‘e’ ou ‘i’ (gue, que, gui, qui)
Regra Antiga
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe,
enxagúemos, obliqúe
Como Será
argui, apazigue,averigue, enxague,
ensaguemos, oblique
Nova regra
Não se acentua mais ‘i’ e ‘u’ tônicos em
paroxítonas quando precedidos de ditongo
Regra Antiga
baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra,
feiúme
Como Será
baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura,
feiume
Hífen
Nova Regra
O hífen não é mais utilizado em palavras
formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas
por ‘r’ ou ‘s’, sendo que essas devem ser
dobradas
Regra Antiga
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato,
anti-social, anti-rugas, arqui-romântico,
arqui-rivalidade, auto-regulamentação,
auto-sugestão, contra-senso, contraregra,
contra-senha, extra-regimento,
extra-sístole, extra-seco, infra-som,
ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético,
supra-renal, supra-sensível
Como Será
antessala, antessacristia, autorretrato,
antissocial, antirrugas, arquirromântico,
arquirrivalidade, autorregulamentação,
contrassenha, extrarregimento,
extrassístole, extrasseco, infrassom,
inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia,
suprarrenal, suprassensível
obs: em prefixos terminados por ‘r’, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiperrequintado,
hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
Nova Regra
O hífen não é mais utilizado em palavras
formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas
por outra vogal
Regra Antiga
auto-afirmação, auto-ajuda, autoaprendizagem,
auto-escola, auto-estrada,
auto-instrução, contra-exemplo,
contra-indicação, contra-ordem,
extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura,
intra-ocular, intra-uterino, neoexpressionista,
neo-imperialista, semiaberto,
semi-árido, semi-automático,
semi-embriagado, semi-obscuridade,
supra-ocular, ultra-elevado
Como Será
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem,
autoescola, autoestrada, autoinstrução,
contraexemplo, contraindicação,
contraordem, extraescolar,
extraoficial, infraestrutura, intraocular,
intrauterino, neoexpressionista,
neoimperialista, semiaberto, semiautomático,
semiárido, semiembriagado,
semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por ‘h’: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semiherbáceo
etc.
Nova Regra
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é
formada por um prefixo (ou falso prefixo)
terminado em vogal + palavra iniciada pela
mesma vogal.
Regra Antiga
antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário,
antiimperialista, arquiinimigo,
arquiirmandade, microondas, microônibus,
microorgânico
Como Será
anti-ibérico, anti-inflamatório, antiinflacionário,
anti-imperialista, arquiinimigo,
arqui-irmandade, micro-ondas,
micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente =
não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo ‘co’. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal ‘o’, NÃO utliza-se hífen.
Nova Regra
Não usamos mais hífen em compostos que,
pelo uso, perdeu-se a noção de composição
Regra Antiga
manda-chuva, pára-quedas, páraquedista,
pára-lama, pára-brisa, párachoque,
pára-vento
Como Será
mandachuva, paraquedas, paraquedista,
paralama, parabrisa, párachoque,
paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática
e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz,
azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce,
mal-me-quer, bem-te-vi etc.
Observações Gerais
O uso do hífen permanece
Exemplos
Em palavras formadas por prefixos ‘ex’,
‘vice’, ‘soto’
ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
Em palavras formadas por prefixos ‘circum’ e
‘pan’ + palavras iniciadas em vogal, M ou N
pan-americano, circum-navegação
Em palavras formadas com prefixos ‘pré’,
‘pró’ e ‘pós’ + palavras que tem significado
próprio
pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
Em palavras formadas pelas palavras ‘além’,
‘aquém’, ‘recém’, ‘sem’
além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados,
sem-número, sem-teto
Não existe mais hífen
Em locuções de qualquer tipo (substantivas,
adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais,
prepositivas ou conjuncionais)
Exemplos
cão de guarda, fim de semana, café
com leite, pão de mel, sala de jantar,
cartão de visita, cor de vinho, à vontade,
abaixo de, acerca de etc.
Exceções
água-de-colônia, arco-da-velha, corde-
rosa, mais-que-perfeito, pé-demeia,
ao-deus-dará, à queima-roupa

Esta tabela foi desenvolvida Diego Guerra a partir do texto recebido por email para todos aqueles que estão ficando
malucos com a reforma ortográfica. Ela pode ser livremente distribuída, copiada e impressa.
Acesse o site www.diggs.com.br.

Matriculada!

Bem, já tratei da matrícula: mais um semestre, vejam só. Ainda outro dia estava pensando se retomava ou não meu projeto e agora já vou para o terceiro semestre. Já-já acabo. Tinha uma música em 1900 e antigamente que dizia que o mundo gira depressa/ e nessas voltas eu vou/ cantando a canção tão feliz/ que diz: Ai Lili, ai Lili, ai lou!
Pois é, não sei se vou cantando a canção tão feliz, até porque só tenho um fiapo de voz. Ah, que inveja de minhas amigas de vozes aveludadas e fortes, ou roucas e sexy. Minha voz é trêmula, entremeadas de risadas, insegura como a de uma criança de 4 anos. E falo baixinho, às vezes nem falo -- prefiro ficar calada quando estou no meio de estranhos. Mas, em compensação, quando estou com amigos às vezes falo demais -- até eu canso de mim mesma!
Agradeço a todos. Por favor, Guilherme, mande seu poema para historiaspossiveis@gmail.com. Já encaminhei o conto do Leo para lá. Fico muito feliz com a colaboração de vocês. Nossa nova editora, a Dani, está fazendo a seleção, mas, se não saírem nesse número, sairão em outro, não se preocupem.
Adoro todos vocês.

Tuesday, February 03, 2009

Falha no calendário

Gente, ontem é que foi o dia de Iemanjá! Não sei porque, mas eu estava vivendo um dia atrasada, achando que ainda estava no dia 1 de fevereiro. Fevereiro, mês tão curtinho, e eu ainda roubo mais um dia dele. Tadinho, meu mês não merece isso. Vamos deixar que o sol brilhe em todos os dias deste mês tão verão, tão carnaval, tão humildemente apertado entre os 31 dias do Janeiro de duas caras e os outros 31 do belicoso Março.
Obrigada, Guido, pelas dicas. Acho que minha crise é puramente postural, pois, sentada aqui com o laptop ao invés do computador, forço não só as costas como os olhos. Mas o computador está com um virus renitente; meu filho, que agora tem tido um pouco mais de tempo, continua se esforçando para limpá-lo, mas os virus estão cada vez mais ardilosos e matreiros.
Tenho boas notícias: O blog onde colaboro, Histórias Possíveis, esteve ameaçado de se acabar com a saída do André, meu mano em SESC, amigo ferido pela depressão. Agora, não só André parece um pouco melhor, mas o grupo decidiu não deixar que o trabalho dele se extinguisse. Ele tira umas férias da gente, mas nós guardaremos o lugar dele, e manteremos nossas histórias, com nova cara e com muita saudade.
Estamos convidando amigos para colaborar no site, também. E aí, Chris? E aí Guido? Vocês se animam?E aí, Eugênia sumida? Vera Helena? Vamos fazer um número "temático", Carnaval é o mote. Aceitamos de tudo -- poemas, crônicas e contos, ou ilustrações. Mandem alguma coisa, sim? Todos são benvindos.

Monday, February 02, 2009

Ogunhê!

Acabo de receber esta imagem, por e-mail, de uma amiga querida e sempre alegre. Ela me informa que este ano estamos sob a proteção de Ogum e de Iansã cujas cores são o verde e o vermelho. Ogum, o cavaleiro da esperança, Iansã, a senhora dos raios, cantada por Betânia, tudo gente boa. No calendário chinês, o ano que acaba de começar é o do Boi -- paciente e trabalhador, ele nos ajuda a plantar as boas sementes. Vejam, temos bons augúrios para nossa vidinha. Eu, por via das dúvidas, já vou fazendo minhas homenagens também a Iemanjá, cujo dia é amanhã, agradecendo as águas mansinhas e de temperatura amena do mar. Desde sexta-feira que me maravilho com os banhos nas ondas calmas e brincalhonas, só lamento um pouco a inevitável sujeira, já que choveu tanto no início da semana.
Ando ainda com problemas cibernéticos e com uma terrível crise de coluna. Não escrevo mais, essa posição é muito forçada para mim. Mas mando meu carinho para todos os que me lêem.