Monday, April 27, 2009

Capivaras outra vez?

Nem todas as capivaras são iguais. E eu não pretendo me transformar numa nova Cora Rónai, escrevendo artigos em defesa do estilo de vida destes animais.  Mas, de volta ao Rio, com muitas fotos de capivara, já que elas estavam por toda a parte no Pantanal, e as aves e outros animais que eu pretendia fotografar eram apressados e deixavam o cenário antes que minha câmera inábil as clicasse, me vi com um acervo que faria inveja a qualquer estudioso dessa espécie. Estou viajando na companhia de uma amiga, americana, cujo filho de 12 anos lhe informou, ao ser contemplado com uma das suas também incontáveis fotos capivarescas, que "capybaras are my favorite rodent". Em português: são o roedor favorito deste menino da Nova Inglaterra!

A mãe dele e eu nos admiramos muito, mas o rapazinho é estudioso, está num dos melhores colégios da região,  é um ávido leitor – achamos que isso era coisa de sua educação primorosa. No entanto, ao chegar ao Rio, descobrimos que as capivaras são as favoritas das crianças aqui também. Sem que ninguém desse por isso, as bichinhas entraram na moda! Talvez já estejam até ameaçando o reinado longevo do Rato. Será?

Mas, com essas fotos que coloquei aqui cheguei à conclusão de que nem todas as capivaras são iguais: pode-se perceber um tipo de personalidade em cada um dos exemplares destas fotos. A primeira capivara é tímida, tenta se esconder atrás de um anteparo. Se capivaras fossem alfabetizadas, ela estaria com um livro, enquanto as outras brincavam de pegar entre uma e outra poça. Já a capivara da foto acima é uma sonhadora, que imagina aventuras para além da cerca, ou sonha com algum amor distante. Talvez sinta saudades de um primo que resolveu mudar-se para o Rio, e levar uma vida mais agitada e glamurosa, estampando as páginas de um  jornal.

Este amiguinho aqui em cima é resignado, pensa em se recolher para descansar depois de um árduo dia de mastigação. Como sou uma fotógrafa de muito pouca qualidade não podemos ver seu sexo, que as capivaras macho ostentam sobre o nariz. Bem, não exatamente aquilo, mas os machos têm uma glândula grande e preta no focinho e dividem seu tempo entre pastar, tomar intermináveis banhos de beleza na lama, namorar (rapidinho, prá não cansar) e esfregar o nariz por toda a parte, com evidente volúpia, marcando seu território. 
Então, meus caros capybara lovers, apreciem as fotos e essas gotas de sabedoria de sua amiga zoóloga de ocasião.

Saturday, April 25, 2009

Ontem não deu...

Pois é. Ontem tive um dia cheio. Estou oferecendo uma oficina de contos aqui no SESC Arsenal, em Cuiabá. Mas ontem tive, além da oficina, uma mesa redonda, que não foi assim tão redonda já que era composta apenas de duas pessoas -- uma poeta local, Luciene Carvalho, cujo último livro, Insânia, trata de sua experiência num manicômio onde esteve internada, pelo que eu entendi, por problemas de drogas e bipolaridade, e eu. Claro que eu não podia ter nada que fosse tão interessante quanto a loucura, eu, que sou apenas eu, embora me sinta trezentas, ou trezentas e cinquenta, como na poesia de Mário. Mas vivo no limite dessa Lucia que construí a duras penas, e que vou colando com palavras e lembranças, para não desmoronar. Quem me dera ter uma persona, como revelou a Luciene, que se pode despir à noite para ir dormir. Eu tenho que ir dormir com a cabeça cheia de idéias, frustrações, apreensões, cansaço, nem sempre descanso bem, acordo meio amarfanhada e vou à luta, esticando um pouco daqui, puxando um pouco dali, para fazer frente ao que surge.
Mas Luciene encantou a audiência com sua exuberância, sua palavra fácil e suas confidências. Afinal, ela é uma atriz, interpreta suas próprias poesias nos palcos que encontra. E tem tanta competência que vai abiscoitando os incentivos fiscais e culturais que encontra, o que permite que ela confesse, orgulhosa, que vive de literatura. Ela me faz lembrar a Elisa Lucinda, outra performática, que se expõe corajosamente, com seus versos. Não cheguei a conhecer os versos da Luciene, não aprecio o gênero de versos da Elisa Lucinda, mas isso não me impede de admirar as duas, pela garra que têm pela vida.

Thursday, April 23, 2009

Cuiabá



Dizem que Cuiabá é a cidade mais quente do Brasil. Para mim, que estou vindo do Pantanal, até que não estou achando tão má assim. Vejam: no Pantanal acho que faz o mesmo calor, mas a gente se vê obrigada a andar de mangas compridas, calças compridas enfiadas para dentro das meias, chapéu, sapato fechado ( e o que eu não daria por uma galocha, na hora de andar a cavalo pelos campos alagados!)
É bem verdade que o pessoal daqui vai para a região do Pantanal para ficarem mergulhados nos corixos, que, pelo que eu entendi, são terrenos vizinhos aos rios, que estão permanentemente alagados, embora variem de extensão conforme a época do ano.

Na verdade, a primeira espécie animal que pudemos identificar no Pantanal foi a da foto que aqui vai. Confiram!







É isso mesmo!
Seres humanos, exibindo suas carnes brancas e suas latinhas de cerveja, na água muito transparente, ao lado de todas as 122 pontes da Transpantaneira. A estrada não é asfaltada e as pontes são de madeira. Ao lado de cada um dos quatro apoios da ponte, forma-se uma espécie de rampinha, onde o carro desce de marcha a ré e despeja a família ou os amigos para o refrescante banho de imersão. Ao lado, os jacarés vão lentamente se afastando, indignados com esa usurpação. Ninguém se incomoda com eles, que fogem do convívio humano. Quem também partilha das águas são as incontáveis capivaras. Rebolando, lentas, sempre mastigando, elas parecem as donas das poças e dos charcos. Sua vida parece tranquila e talvez por desfastio, uma ou outra se lembre de dar uma corrida, sempre curta, espadanando muita água. Outros casais combinam um encontro dentro d'água, e com a brevidade que que seus ímpetos preguiçosos permitem, dão uma namoradinha rápida, e depois mais outra, e mais outra... afinal, elas não têm nada melhor para fazer!

Pouco a pouco vamos compreendendo que o Pantanal é a república dos Pássaros. Primeiramente, nossos olhares desacostumasdos não conseguem perceber a grande variedade e o incontável número de aves. Nossos ouvidos, porém, vão reconhecendos cantos diferentes, e em breve passamos a perceber que as sombras não são sombras, e que o balançar das folhas das árvores e arbustos não se deve ao vento, mas à mudança de posição de aves solitarias ou em bandos estridentes.
Amanhã coloco mais fotos e outras impressões pantaneiras.

Tuesday, April 21, 2009

Enquanto as capivaras pastam...

Ilhada, mais uma vez! A internet e o celular n'ao funcionam, so consigo me conectar do computador da propria pousada, que, apesar de estarmos aqui desde domingo, somente hoje voltou a funcionar. A paisagem eh uma beleza, mas o calor nao da vontade de fazer mais do que fazem as capivaras -- pastar, chafurdar numa pocinha de agua e uma ou outra mudanca de posicao. Assim que estiver conectada com o mundo mando noticias de novo

Sunday, April 19, 2009

trapaças da sorte.




Prometi,estou cumprindo, só que com algum atraso, pois não contava com a falta de sinal para entrar na internet. Mas aqui estão algumas das belezas que experimentei na Chapada dos Guimarães. Ficamos na pousada do Parque, e as fotos são de lá: cachoeira inclusive, onde tomamos um banho que lavou corpos, corações e mentes, até mesmo as almas. Esta foto imediatamente acima é para dar uma idéia de como foi nossa caminhada no mato. Era assim mesmo, sem caminho, pisando entre folhas e galhos, engolindo um medo danado de encontrar alguma cobra. A primeira foto está classificada como "outono na Chapada" -- não acham que é apropriado? E a da formação rochosa se inttula Máquina de costura, pois é ao que se assemelha. Agora ciao!

Thursday, April 16, 2009

Lucia já vou indo

Este é o nome de uma historinha infantil, da qual não lembro nada a não ser o nome. A Lucia era uma tartaruga, ou uma lesma, alguma coisa lenta, que estava sempre atrasada. Eu já sou de outro tipo. Cumpro horários, não costumo me atrasar, mas estou sempre indo a algum lugar. Então, até amanhã, na Chapada. Não tive tempo de passar as fotos para o computador, mas garanto a vocês que vou conseguir colocar fotos da Chapada. Tenho uma estratégia, me aguardem! Até amanhã!

Wednesday, April 15, 2009

Hello, goodbye

Acabo de chegar, mas é só para assistir a uma aula e trocar de malas: já estou de partida de novo. Desta vez vou a trabalho, uma oficina de contos no SESC Arsenal, em Cuiabá. Só que não resisto ao desejo de dar uma espiadinha na Chapada e no Pantanal, por isso vou uns dias antes. É cansativo, mas acho que vale a pena. Desta vez levarei o computador, e minha intenção é postar algumas fotos de lá. Na verdade, queria postar fotos da viagem a Colômbia e ao Panamá, mas ainda estão na máquina, não sei se terei tempo para fazer isso ainda hoje.
 Mas quero que todos saibam que adorei a viagem, apesar de achar que San Andrés não vale a pena (é muito sacrifício, muita distância e temos aqui coisas tão belas ou ainda mais belas do que lá). O que chateia na viagem à Colômbia, é o infernal ritual de abrir e fechar malas. Quando chegamos, temos que abrir as malas. Quando saímos, também. Só que despachamos a mala, que vai para o avião, não temos mais acesso a ela e, ao chegarmos em nosso destino, temos que abri-la outras vez. E tudo isso acompanhado de uma infinidade de papéis a serem preenchidos em não sei quantas vias. Tudo é muito burocrático e as filas são onipresentes e looongas. Em compensação, recebi beijos e mais beijos de Augusto Xavier, vi a casa de Garcia Marques, ouvi histórias de piratas, bucaneiros, flibusteiros e corsários, andei pelas ruas floridas de Cartagena de Indias e depois nadei nas águas multicoloridas de San Andrés. Bem depois coloco as fotos de Augusto Xavier para que todos morram de inveja! E as fotos do Aquarium, e tudo o mais que conseguir desentranhar da máquina. Se der, até um filminho das eclusas do Canal do Panamá. Adorei o Panamá. Bem, não tenho intenção de voltar lá, mas gostei do povo, da comida, da cidade que está em pleno crescimento, de ver os barcos, cada qual mais maravilhoso que o outro. (Estou falando de iates e veleiros particulares deslumbrantes) Parece o Mônaco da América. Se eu estivesse começando a vida, acho que lá seria um bom lugar para ir trabalhar. Um país em pleno crescimento, dinâmico. É bem verdade que eles têm 9 meses de chuva ao ano, e pode ser que minha opinião fosse bem diferente se tivesse chegado lá em maio... Mas, com só posso falar do que vi, fica minha impressão positiva.
Hasta la vista!
Ah, Feliz Natal, para quem é de Natal, Feliz Páscoa para quem é de Páscoa e feliz aniversário para as muitas aniversariantes do mês: Angela, Maria Helena (é hoje!) Kim, Dedei, Sílvia....Nossa! Ainda tem mais, mas vou parar por aqui.

Saturday, April 11, 2009

Sabado de sol em San Andres

Amigos
estou longe de casa, na Colombia, num computador estranho e sem acentos. Desculpem a falta de noticias, mas depois faco um resumo da viagem para todos. Estive em Cartagena de Indias, agora estou en San Andres e antes de ir para casa, passo pelo Panama, onde espero poder visitar o canal.
Se nao der para conectar amanha, desejo a todos uma feliz Pascoa. Por favor, coloquem os acentos e as cedilhas e a pontuacao necessaria. E obrigada por me lerem, viram. Esse e meu maior presente.

Sunday, April 05, 2009

Mais um domingo de sol no Rio…

É impossível não amar esta cidade num dia como o de hoje. A temperatura amena e os tons do céu e do mar parecem um convite à alegria e ao bom humor. Sorrio, portanto, com o carinho da Cris: obrigada, amiga! Tomara que dê certo. É verdade que ali na enorme lista dos inscritos tem muita gente boa. Flavinho alça sua "cabeça baixa", entre os romances, e eu, por um lapso, esqueci de colocá-lo no post passado. Ele é amigo querido, claro que estou torcendo por ele, também. Mas não vou mencionar todos os amigos, nem falar mais nesse assunto. Volto ao meu bom humor domingueiro, mesmo com o estresse da véspera da partida, e o atraso dos trabalhos. Mas lembro do filme que assisti ontem: Simplesmente feliz. Concluo que o bom humor constante de algumas pessoas pode ser muito irritante para outras. Que saco! O mundo se acabando e a fulana ou o fulano rindo como uma imbecil, ou um drogado. 
Me lembro de uma consulta médica que muito me ofendeu – o médico, um mal-humorado crônico, achou que eu era burra como uma porta, só porque eu sorria, tentando ser simpática. E transformou a consulta numa sessão de tortura, tentando desaparafusar o sorriso do meu rosto. Eu, por teimosia, insistia no sorriso, mas por dentro tinha vontade de dar-lhe um tabefe. E assim ficamos, por toda aquela longa meia-hora, medindo forças, até que ele me dispensou e eu saí dali aliviada, para nunca mais voltar! Mas fiquei indignada, por ter de pagar por isso! O que vale é que a minha memória é seletiva: lembro do caso, mas não há maneira de me lembrar do médico. Vai ver que isso nem aconteceu comigo, mas alguém me contou a história da qual me apropriei, por me colocar no lugar da pessoa. Tenho memórias que são desse tipo – produzidas pelos outros.  Há coisas que me contam a meu respeito e que eu acredito que tenham se passado, mas das quais não tenho a menor recordação própria. Só que, de tanto a pessoa insistir, assumo aquilo como uma memória possível, e passo a guardar a versão da pessoa sobre o meu passado. Este episódio difere ligeiramente. Talvez eu tenha elegido essa versão de alguém como própria – afinal, combina comigo, sou uma sorridente contumaz, e ouvinte atenta. Nas conferências, sinto, muitas vezes, que sirvo de ponto de referência para o falante. Olho atenta, sorrio, concordo, balançando a cabeça. Se discordo, aperto os lábios, numa mímica de dúvida ( ia dizer num esgar de dúvida, mas achei a palavra muito pedante). E tenho grande amor por boas histórias. Me lembro que a editora, por ocasião de meu primeiro livro, me pediu uma "biografia" para colocar na orelha do livro. Aquilo me deixou absolutamente perplexa: quem poderia estar interessado na vida que levo? Não tinha nada para contar: nasci, fui para o colégio, aprendi a ler e escrever, casei, tive filhos, enviuvei… Escrevi, então, uma biografia possível e disse que era neurocirurgiã, amante do Salman Rushdie, o que tinha me obrigado a levar uma vida clandestina. Por isso mesmo, por ocasião do ferimento que havia abatido Osama Bin Laden, eu tinha sido levada – por pessoas não identificadas – para as cavernas do Afeganistão, onde tinha efetuado uma operação de emergência salvando a vida do terrorista mais procurado do mundo. Conseguira escapar do sequestro atravessando o deserto sem bússola, fazendo um pacto semelhante ao do Paulo Coelho, mas havia errado a fórmula cabalística e ao invés de invocar o senhor do Mal, tinha invocado um ex-malandro da Lapa que, forçado a trabalhar graças à minha invocação, havia me castigado transportando-me para uma vida sem novas emoções. Isso, ou algo no gênero.  Eles preferiram a versão tradicional: carioca, formada em Letras, pesquisando as diferenças da colocação do pronome demonstrativo entre os romances cubanos e brasileiros etc, etc.  É de morrer de tédio, não?
E o que é que eu faço, então, com o meu bom humor e o meu sorriso?
Enfio em mais alguma outra "vida possível" e conto que sou o leite que o Chico derramou, por não conseguir prestar atenção na minha fervura… Vou sonhando, vou viajando, numa busca incessante de motivos que justifiquem o sorriso que me crucifica o rosto. Vou vivendo.
E aí termino dizendo para o Guido: tenha um pouco mais de paciência com os escritores em geral, e com o Chico e o Proust em particular. Principalmente com o Proust, cuja obra, difamada como coisa de uma "bichinha fútil, fazendo crônica social" é um dos melhores estudos da alma humana que já tive a oportunidade de ler. E peço um pouco de respeito para quem, a fim de escrever, desistiu de viver. Pois mesmo essa minha vidinha sem graça, sem emoções, sem atividades, como é a única que tenho, me é cara. É muito difícil abdicar de sair para passear, de ir ao teatro, de ir viajar, de encontrar com os amigos, para se dedicar, exclusivamente, a escrever. E mesmo quando a gente diz que quer morrer, que só pensa em morrer, talvez o que a gente esteja mesmo querendo é se observar "completo", pois só o fim permite que se compreenda o que passou. Proust ficou uns treze anos recluso escrevendo, e reescrevendo, obsessivamente, sua obra. Viveu por escrito.

Friday, April 03, 2009

Portugal Telecom

André me avisa que estamos inscritos para o prêmio Portugal Telecom. Ah, quem me dera!... Ele e eu vamos ficar torcendo para conseguirmos ser escolhidos nesta fase inicial. Passar adiante, chegar um pouquinho mais para a frente, ganhar uma extensão para nossos sonhos. Os dois irmãos em SESC desse ano também estão inscritos. Vou dizer o nome de nossos livros: Linha de sombra, é o meu. Paz na terra entre os monstros é o do André; do Maurício é Beijando dentes, e ainda tem o Zé Mizé, do Sérgio. Caso algum de meus leitores seja jurado do Telecom, ou tenha amigos jurados do Telecom (basicamente, todos os jurados são professores universitários e jornalistas culturais) favor lembrarem desses livros. E chega de campanha!
Só um comentário pequenino, pois ando muito sem tempo: Já li o livro do Chico Buarque, que gostei e que já emprestei e até já dei de presente – não admira que o livro se esgote, é um presente que agrada, pois todo o mundo quer ler. Do livro só não gostei do nome : Leite derramado. Talvez por que me lembre de frias manhãs do passado, quando, sonolenta, ficava encarregada de tomar conta da leiteira e acabava me distraindo e deixando que o leite se derramasse pelo fogão, sujando tudo, prendendo-se, queimado, do lado de fora da leiteira, deixando minhas manhãs infelizes, e fazendo meu dia ter um cheiro meio doce, meio azedo, forte e insistente, sublinhando outros cheiros mais felizes, como a hortelã da pasta de dentes, e a alfazema dos abraços mais queridos.
Bem, mas, como contei, emprestei para alguém que conhece a família do Chico, e que reconheceu a mãe dele direto. Sabia de que casas ele falava: essa de Copacabana, disse-me ela, ele só conheceu de ouvir falar, quando ele nasceu já não existia. Contou casos de exílios, de infância, de sonhos, de doenças – e repetia, está tudo ali. Mas ela foi categórica: não é um livro machadiano, como diz a crítica, nem proustiano, como eu me atrevi a dizer. Ela não achou nada de Proust ali. Eu, no entanto, achei que o trabalho da memória e as retomadas das histórias, que se repetem, e nas repetições revelam um novo aspecto, é muito proustiano. É um livro triste, livro de velhice e tristeza, de um olhar que se recusa a envelhecer, mas de alguém cuja decrepitude impiedosamente descrita só pode levar à aniquilação. Um livro maduro, bom de ler, sem complicar a vida do leitor, e cujo fantasma do ciúme (seria por aí que a crítica fala que é machadiano?) não leva à criação de uma Capitu, pois Matilde se desfaz, se esconde, desaparece como o leite derramado. E, no entanto, é um livro difícil! Ainda bem que tirei férias do Rascunho e não vou ter que resenhá-lo esse mês.
Para terminar, esta semana peguei um texto antigo de Cortazar, onde ele fala de uma viagem à Índia. Que show! Que diferença de Caminho das Índias!
Por falar na novela, quem é que aguenta ficar uma semana inteira no enterro do falso morto? Morre, não morre, prepara o corpo, desaparece com o corpo, e tudo que a gente queria era ver o festival das luzes e as danças, e quem sabe descobrir um lugar onde servissem comida indiana, para a gente balançar nossas pulseiras e exibir os brincos da Maya, que já estão à venda no Rio?
Enquanto isso, o tempo passa e eu perco meus prazos. Então bye-bye. Vou trabalhar. Sei que é noite de sexta-feira, mas para mim os dias ficaram perigosamente iguais. Então trabalho, que é o melhor que posso fazer.

Wednesday, April 01, 2009

Nobel de literatura vai para brasileira!

Finalmente! O mundo se curva ante o Brasil, e descobre nossa literatura! Infelizmente, esta é apenas uma brincadeira de primeiro de abril, embora, como toda brincadeira, com seu fundo de verdade. Parece que nossa Nélida, que não é brasileira, mas que não o deixa de ser, pois sendo galega é ligada ao Brasil pela língua, alegria e generosidade, é uma das candidatas ao prêmio deste ano. Vamos torcer por ela e fazer de nossa manchete de 1º de abril, uma manchete de 31 de março. Isso já foi feito antes, talvez alguns se lembrem ainda da "gloriosa", quem sabe?
Aproveito para relembrar meus amigos da Galiza. Quanta saudade do sorriso sempre aberto da Carmen, de sua incrível disposição para a vida, de sua capacidade de trabalho! E do poeta e fotógrafo e professor e conhecedor de café, o homem para todas as estações, Carlos Quiroga! E das peças do Quico Cadaval! E das conversas com tantos amigos e amigas nos bares e restaurantes (hmmm!), dos dias dourados em Santiago de Compostela, das ruelas onde os apaixonados se abraçavam com paixão, e enchiam meu coração de saudade!
Continuemos na literatura, vamos falar um pouco dos livros que ando lendo: Numa mistura doida, um coquetel sem método, sem motivações a não ser o mero acaso, junto ensaístas hispano americanos com Amós Oz e Chico Buarque. Já li o Leite derramado. Estou ainda lendo a Caixa Preta e salpico este preto e branco com o matiz intenso de Alfonso Reyes, Cortázar e Borges. Na fila, que sempre aumenta e nunca tem fim, estão Nélida, Nietzsche e Barthes. Me lembrei agora de Machado, que não está na lista, mas que é bem vindo a qualquer hora, dizendo que "quem mamou da teta gótica…", ou seja, quem havia se criado sob a égide romântica, não conseguia se separar dela. Pois eu fui "criada" com o leite derramado de Nietzsche e Barthes. Os outros (Derrida, Foucault, etc.) nunca me pegaram tanto como os dois primeiros, pois estes me pegaram pela emoção e os outros pela razão. Mal comparando, estes últimos seriam "amas-secas", e não de leite (viram o trocadilho? juro que foi acidental!). Daí que, ao ver um livro bonito relançado, não resisto, vou revisitá-lo. A capa do livro Wagner em Bayreuth é absolutamente sedutora!
Bem voltando ao retrato em preto e branco que vou criando a partir de Oz e Chico, enquanto um faz a rememoração de uma paixão, o outro faz reviver o desamor, que, por incrível que pareça, convive com muita facilidade com a paixão. E isto está evidente nos dois livros: ambos são histórias de amor acabado, e em ambos a gente vê que nenhum dos apaixonados jamais conheceu realmente o alvo de sua obsessão. Ambos falam de morte e solidão, de ciúme e de desencanto. Chico, sempre mais suave, terno, mesmo, valoriza as perdas e confere um encanto às falhas de memória, dando sentido à perda de sentido e ao vazio. Oz é cáustico: suas palavras doem, são letais. Falando do envelhecimento de sua ex-mulher, ele pinta um dos retratos mais aterrorizantes da velhice feminina. Nem vou copiar aqui, pois só relembrar o que ele diz me dá engulhos (será que me sinto tão ameaçada assim?). Mas não é justo falar aqui de um livro que ainda não terminei de ler. Depois comento mais. 
Quanto aos ensaístas, com que prazer vou lendo o texto inteligente e culto dos autores citados. E, com alguma surpresa, vejo que vou criando, sem maiores pretensões, meus próprios ensaios aqui na rede. Sou ensaísta! Ora, viva! Mas, brincadeiras à parte, começo a criar uma outra indagação: o gênero que os brasileiros tanto prezam, a crônica, é, no fundo, um ensaio. Vou ter que comentar isso na aula.
Para terminar: estou com um texto publicado numa outra revista eletrônica, a diversos-afins
O que chama a atenção logo à primeira vista nesta revista são as fotos. Gente, que beleza! E são da Leila que tem um fotoblog muitíssimo legal, e de um outro amigo. Fiquei entusiasmada! Parabéns, Leila! E obrigada por me chamar para fazer parte do grupo. Nesta "leva", como eles chamam, tem Maurício de Almeida, outro irmão em SESC. E muitos outros autores legais. Chamo atenção do Guilherme, meu amigo poeta lá de Maceió, pois neste site eles publicam poesia. No Histórias Possíveis ficou determinado que só prosa, poesia só quando for dos colaboradores regulares.
Bem, preciso ir. Deixo vocês na esperança que todos cliquem no endereço acima e se encantem com as coisas que encontrarem por lá.
E feliz dia da ficção! Pois a mentira, quando bem contada, é uma boa história!

Friday, March 27, 2009

Radiohead e pianíssimo

Alguns desaparecem completamente graças ao Radiohead. Aposto que meu amigo André foi ao show, em Sampa. O Dapieve, que não é meu amigo, mas não deixa de ser, já que me visita pelas páginas de O Globo, foi e se deslumbrou. Ele fala em 20 mil pessoas assistindo ao show. Eu nem preciso de tanta plateia para desaparecer completamente: 2 mil já me fazem sumir. E ainda menos: deslizo por entre algumas pessoas de locomoção difícil e me sento numa poltrona da Cecília Meireles, para assistir a um pianista. A lotação da casa não estava esgotada, éramos um grupo pequeno, sem os encontrões nem o nervosismo de casa cheia. Acho que ali estavam muitos estudantes de música, pois pelos corredores ouvia aqueles jovens cantarolando as peças de Ravel e de Schumann. Entusiasmamo-nos com o Liszt, uma peça que é difícil, e que chama minha atenção graças a seu título: Após a leitura de Dante.  Confesso que meu Dante não é muito musical, mas entendo bem que seu poema estimule músicos. Eu, que nem sei italiano, só dou umas arranhadas porque sempre fui assim metida, querendo ler tudo o que encontro escrito em caracteres que conheço, ao ler minha edição bilíngue da Comédia me deixo encantar com a musicalidade dos versos. Aquela terza rima, que ele inventou, parece música, e me faz compreender como a poesia, em suas raízes, está firmemente ligada a ela. E me lembro daquela famosa canção do Henrique VIII, Autumn Leaves. Outro dia estava defendendo o Henrique VIII, falando de como ele era excepcionalmente inteligente. Muitas pessoas não lhe reconhecem o talento de estadista nem suas habilidades sociais (as social graces, do inglês). Lembrem-se da ordem da jarreteira, com sua maliciosa origem, uma liga entregue em público, com a frase, em francês: Honi soit qui mal y pense. E desta melodia, uma das mais belas e suaves, que agrada a todos os que a escutam. Os príncipes, antigamente, eram assim: educados. Aprendiam a falar várias línguas, aprendiam música, estudavam métrica, filosofia, e ainda faziam exercícios e tinham tempo para dançar na corte. Mas suas vidas eram dureza. Nada de banhos, nem sequer de banheiros. E os deslizes eram pagos com terríveis castigos. Esse rei acabou entrando para a história como fedorento e gordo. Ele devia ser diabético, com aquela ferida que nunca cicatrizou, desde os tempos da Bolena. Mas quem é que não fedia naqueles tempos de antanho?  Até hoje, na Europa, nossos narizes se ofendem na multidão…
Eu e as digressões! Volto à Cecília Meireles e confesso que a peça que mais me encantou foram os pequeninos retratos musicais de Ravel. Adoráveis  descritções, uma Ondina mergulhando num mar azul, um sino tocando tristemente, um gnomo rodopiando como um pião, atrapalhando o sono de uma criança assustada. Gostei de tudo, inclusive da bela cabeleira prateada do pianista, de seu jeito abrupto, meio tímido, de atacar logo o piano, desaparecendo completamente e deixando, em seu lugar, as notas bailando enlouquecidas, penetrando nossos corpos sem cerimônia e se instalando em nossos corações, colonizando nosso ritmo vital.

Thursday, March 26, 2009

Cigarras

Falei do coro da Butterfly que me parecia asinhas de insetos, e por coincidência, recebi um e-mail de um amigo poeta, Henrique Rodrigues, com poemas de Olegário Maciel, sobre cigarras.
Esses insetos que tantas vezes serviram como metáfora aos poetas, os artistas que morrem de tanto cantar, me entristeciam tanto, que eu chorava nos finais das tardes de verão, quando o som das cigarras parecia tornar o ar mais espesso, quase irrespirável. Aquilo me penalizava, como aquela fábula da Cigarra e da Formiga me revoltava. Nunca vi uma fábula mais odiosa, mais pequeno-burguesa que essa! Mas não sou especialmente fã de cigarras. Nem mesmo quando elas apareceram na forma de revista A cigarra, que acho que eu era muito pequena para ler. Houve um tempo, há tanto tempo, meu Deus, que o Rio foi invadido por insetos inoportunos e chatos, que o pessoal chamava de lacerdinhas. Aquilo caía em nossos olhos e fazia arder, era horrível. Se era horrível para as crianças, para as mulheres maquiadas era ainda mais, pois os insetos as faziam chorar, e o choro borrava sua maquiagem, vivemos, por um tempo, numa cidade de zumbis: mulheres de olhos derretidos, impressionantes. Houve um outro inseto, acho que nesta mesma época, que era só incrivelmente chato, mas não me lembro de um mal que ele causasse: uns besourinhos verdes que ficavam parados no ar, batendo muito as asas, trombando na gente, pois ao contrário dos outros insetos, esses não se afastavam quando nos aproximávamos. Era um pavor ser criança nesta época, e estar firmemente segura pelas mãos de algum adulto responsável, que nos arrastava para uma trombada inevitável com os monstrinhos, embora nos estorcêssemos, tentando escapar... 
Costumava dizer aos meus alunos que eu era da pré-história (e agora? tem acento? tem hífen?) da humanidade. Mais uma prova disso é ter vivido num tempo em que não havia água no Rio. E, de tarde, não havia luz. Minha mãe, que era uma pessoa, digamos, diferente, achou uma saudável ocupação para mim no horário sem luz: aulas particulares com uma professora que morava no décimo-segundo andar. Lá ia eu, com uma vela, subindo as escadas malcheirosas do prédio (naquele tempo as lixeiras ficavam nas escadas, e ninguém usava saco-plástico para embalar o lixo, que era despejado embrulhado em jornal velho). E eu nem precisava de aulas particulares, já que nunca tive problemas na escola. Não era aluna brilhante (só nas coisas que eu gostava: 10 em ciências, 10 em desenho, 5 em matemática, 5 em geografia) Naquilo que eu achava chato, só obtinha a nota mínima. No que eu gostava, só ganhava 10. Deixo o português de lado porque nesse eu me safava graças à redação. Sempre fui muito boa de redação, mas não queria saber de gramática. Escrevo sem maiores erros gramaticais porque leio muito, mas é só me perguntarem uma regra específica para descobrirem que não sei nada de português. Por exemplo: magestade ou majestade? Escrevo as duas, olho e respondo, segura: com J! Mas, se não escrever, não faço a menor ideia. Sei que jeito é com j pois deixei de ganhar dez numa redação graças à ele. A professora me descontou UM PONTO INTEIRO, por esse meu único erro, e foi irredutível, e eu nunca mais esqueci que jeito era com j.  Aprendi, também, a palavra arbitrariedade, nesta mesma lição...
Por falar em arbítrio, ontem assisti a um ótimo filme: Frost/Nixon. Fiquei fascinada pela caracterização dos atores. Vale a pena conseguir um horário para assistir o filme que se esconde em sessões quase impraticáveis.

Wednesday, March 25, 2009

Madame Butterfly

Acabo de chegar da sessão de cinema que nos mostrou a deslumbrante montagem de Mme. Butterfly no Metropolitan. Que beleza!
Chorei desesperadamente, como há muito não chorava no cinema, as lágrimas gordas e quentes descendo sem parar, e eu tentando não fungar, para não atrapalhar o resto da plateia. Que ódio me deu do Pinkerton! Que reação, que nem eu mesma consigo entender, pois essa era uma das óperas que mais se ouvia lá em casa. E eu já assisti mais de uma montagem, mas nenhuma tão bela quanto essa, diga-se de passagem.
Estou aqui, triste demais para poder ir dormir, cantarolando áreas e relembrando cenas e detalhes. Aí lembrei que há muitos anos, comecei a escrever um poema para a Butterfly, mas fiquei empacada, igual ao Bentinho, com seu soneto "perde-se a vida, ganha-se a batalha…" Eu lembro de um verso: "Somente aos quinze anos se sabe amar" Não me lembro se escrevi mais alguma coisa, mas sei que nunca terminei, embora soubesse exatamente o que queria dizer: a gente só consegue amar, se entregar, confiar, quando se é muito jovem, sem maldade. Na nossa inocência não vemos a possibilidade do mal. E mergulhamos de cabeça, avançamos sem couraça, achando que a emoção que sentimos resgata o mundo. Todo nosso corpo reage, o sangue acelera, a respiração falta, as mãos tremem e ficam geladas. Encontrar com o amado, mesmo quando a gente sabe que ele vai estar naquele lugar (no colégio, ou na festa) provoca uma comoção. O coração pula uma batida, ou mais, nossas pernas bambeiam e precisamos nos segurar para não cair. Somos capazes de loucuras, mas também somos muito tímidos, inseguros, e às vezes nunca encontramos a coragem de abordar o alvo de nossa paixão. O primeiro beijo, então! Finalmente experimentar o gosto do amor, mas totalmente incapacitados, exagerando nos trejeitos, ou mantendo-nos tão rígidos que corremos o risco de quebrar os dentes e até a própria língua, que se transforma numa inconveniência...
Bem, claro que falo isso a partir de minha experiência, ocorrida num tempo muito mais doce, muito mais suave que o de agora. 
Sempre fui complicadinha, querendo encontrar a perfeição onde só se pode encontrar humanidade. Pobre Butterfly. Leal, entregue, vencida, achando que não exigia nada quando sua demanda era muito maior que seu amado. Um canalha, aquele Pinkerton, mas os homens, na época, se davam esse direito de serem canalhas. Se eu fosse escrever o libreto, minha vontade era de fazer o B.F. Pinkerton estourar os miolos de remorsos. Só que ele é tão canalha que vai levar uma vida fracassada, criando o seu japonesinho louro, bebendo todas para esquecer que uma mulher muito melhor que ele, por tê-lo encontrado, tinha sido destruída.
Mas vejam a safadeza do Puccini, colocando o nome do canalha de Benjamin Franklin e o do navio que o transporta de Abraham Lincoln...Para bom entendedor…Eles estão sempre escondendo os interesses pessoais atrás de símbolos da democracia. Aparecem cheios de grandes palavras, mas no fundo, só o que querem é mesmo f&*er os outros!
Bem, acho que o sono, finalmente, vem chegando. Queria um coro de anjos assim, como o coro que acompanha a Butterfly ao seu "cadafalso". Aquela música parece as asinhas dos insetos numa tarde de verão, não acham?

Tuesday, March 24, 2009

Defesas

Fui assistir a uma defesa de tese. Mestrado, ainda, mas todo o nervosismo já estava presente. Éramos poucas pessoas. A família da candidata, duas colegas, outras tantas amigas... Fiquei pensando na minha vez, tenho a certeza de que a família não vai querer ir. Aposto que não vão, mas pode até ser que me surpreenda e eles apareçam, carinhosos, belos, enchendo a sala, já que são muitos. Algumas amigas irão, e o sorriso delas vai me sustentar, mas o sorriso que me amparava mesmo não vai estar lá.  Eu, depois de ter me desesperado até a medula, estarei sentadinha na mesa, atrapalhada com o texto que lerei e que cumprirá, rigorosamente, os 20 minutos, ou 30, ou o que me destinarem. Sou muito cuidadosa com a cronometragem, pois odeio ser chata. Até aí tudo bem. Mas, quando chegarem os comentários e a arguição, já sei que vou me atrapalhar. Muito nervosa, não vou conseguir anotar nada, nem acompanhar o que as professoras estarão dizendo. Vou ficar com vontade de chorar, ou com raiva de mim mesma, por ser tão confusa. Vou beber água, minha garganta vai secar. Mas só uma coisa vai me consolar: o fato de que não vou ter mais que olhar para a cara da tese! O pior é que vou, pois terei que incorporar as recomendações e acertar os problemas levantados pela banca. Mas terei conseguido fechar essa página de minha vida. Estou tentando terminar todos esses capítulos que deixei em aberto, ansiando por terminar essa obra e descansar a caneta, os olhos, os dedos. Bem sei que não escrevo com caneta, mas é uma metáfora, aceitem-na.
E torçam para que meu banquete não seja indigesto.

Sunday, March 22, 2009

No que pensa o maestro?

Esta semana foi muito atribulada. Doenças, doenças, atrasos, prazos. Eu estava bem, era minha filha que sofria, e, de certo modo, isso ainda é pior.
Hoje, depois de bons resultados de exames, de entregar tudo o que precisava dentro dos prazos, lá fui eu para a Cecília Meireles, assistir a um concerto. Mendelssohn, com direito a Marcha Nupcial e tudo o mais! Grandiosa, cheia de metais e pesada, essa marcha nupcial sempre me fez desconfiar que foi escrita não para o casamento dos príncipes, mas para o de Titânia, rainha das fadas, com Bottom, o atrapalhado ator com cabeça de burro. Minha amiga perguntou se foi essa a música de meu casamento, mas não foi. Na verdade, não lembro de música em meu casamento. Lembro da beleza da Igreja – O Mosteiro dos Jerônimos e seus arcos lindos. A Igreja sem ornamentação, pois não quisemos nada. Na verdade, eu e Gui nos casamos meio que num sonho. A festa foi feita para agradar aos pais dele e à minha mãe. Ele e eu, tão apaixonados, flutuamos até o altar, repetimos aquilo que nos mandaram repetir e saímos, depois de inúmeras fotos, já envolvidos numa conversa que só terminou com a partida dele.  Nem meu próprio vestido de noiva escolhi. Foi um presente de minha madrinha, a Mara, que também vestiu branco. 
Música? Talvez houvesse, mas talvez não seja de praxe nos casamentos em Portugal. Houve uma procissão, pois é o costume, e eu fiquei muito desconcertada com isso, ao descobrir, quando cheguei na Igreja, que estavam todos do lado de fora me esperando para entrar. Então, foi assim que entrei na Igreja, nos braços de meu amado, confusa, achando aquilo tudo tão teatral, seguida por um pessoal que eu nem conhecia. Meus convidados eram apenas minha mãe e meus padrinhos. Sim tinha alguns amigos, mas, pessoas que eu tinha conhecido 6 meses antes, ou até menos tempo. 
Depois fomos a pé para a festa, num restaurante ou casa de festa que parecia um castelinho, paredes grossas, janelas ogivais. Umas amigas de minha sogra me levaram para o banheiro e tiraram minha grinalda, o que irritou a minha mãe, que brigou comigo.  Eu tentei dizer a ela que por mim nunca mais tiraria aquela grinalda, pois estava me sentindo linda vestida de noiva, mas ela nem me ouviu. E eu fiquei triste, mas nem tive muito tempo para ficar triste pois o Guilherme não esperou pelo jantar e meio que me raptou da nossa festa e fomos, risonhos e confiantes, para nossa lua de mel. 
Eu e minhas digressões...
Pois vim escrever para falar do concerto, e da impressão que o Karabtchevsky me causou. Vou a concertos desde muito cedo, ia sempre ali na Cecília Meireles e na época ele era o maestro da sinfônica. Tinha amigos que tocavam na sinfônica. Assisti os concertos do Nelson, do Arnaldo, que na época competiam. Aliás, acho que competem até hoje, mas o Nelson ficou mais conhecido aqui no Brasil, ficou mais "brasileiro". 
Minhas amigas Suzana e Elza tocavam piano. Outro Nelson também era pianista. E eu vivia naquele meio, sem tocar uma nota, mas amando escutar, idolatrando aqueles pianos de 1/4 de cauda ou de 1/2 cauda que enchiam as salas dos apartamentos grandiosos, em Copacabana ou Flamengo. Olhava aquelas partituras e discutia méritos de professores: Miriam ou Arnaldo? Familiarizava-me com Rachmaninoff e Brahms, sufocava meu amor por Tchaikovsky, aprendia a conhecer Kachaturian de nome, eu que antes só o conhecia pelas danças. pois meu amor pelos clássicos começou pelo ballet. Como eu adorava ir assistir ao ballet, fosse no teatro, fosse no cinema!
O Karabtchevsky foi o primeiro maestro que conheci. Casado, na época, com a Maria Lucia Godoy, ele era o amor de minha amiga Suzana, que, talvez uns dois anos mais velha do que eu, estava apaixonadíssima por ele, que a ignorava. E eu escutava as confidências, sentia suas mãos geladas, via seu corpo estremecer de emoção, e a consolava, dizendo que um dia o maestro ia perceber que a Maria Lucia era muito feia, e que ela, Suzana, tão linda e tão jovem, era a mulher da vida dele. Era só uma questão de tempo. Um dia ele escaparia do feitiço da cantora e se apaixonaria por ela e eles seriam felizes para sempre. 
Não sei até hoje o que aconteceu. Mudei de colégio, deixei de frequentar a Cecília Meireles, mudei de país, e muito depois encontrei a Suzana casada, com dois filhos que estudavam no colégio militar e tinham orelha de abano. Ela estava esperando que eles atingissem a idade correta para fazerem a correção. O marido, se não me engano, era militar. E eu fiquei pensando na novela de Guimarães Rosa, Noites do sertão. Amor é bom, mas vida é vida, e é também urgente.
Bem, não sei o que o maestro pensa, nem o que pensava na época. Provavelmente pensava no que ia comer depois do concerto, ou no próximo passo em sua carreira.  Na hora em que regia, na hora que rege, acho que ele sente, vibra, pensa em notas e ritmos, em coisas que nunca conseguirei pensar, já que, infelizmente, não tenho esse talento.

Monday, March 16, 2009

Voo sem paraquedas

Esse fim de semana, com alguns amigos batendo papo aqui em casa, todos ligados, de um jeito ou de outro aos afazeres literários, foi inevitável que a conversa recaísse no acordo ortográfico. A doce Natércia, saída da pureza dos versos de Camões, reclamava dos hífens: Alguém antes da reforma havia se preocupado com os hífens?, ela perguntava, e respondia em seguida: Ninguém! Mas agora todos estão preocupados com eles.
O Márcio, filho do autor de Casa da mãe Joana, educado por um pai cujos conhecimentos gramaticais excedem os dos comuns mortais, defendia os acentos e tremas, e relatava as exceções que foram suscitadas pelas novas regras ortográficas. (O computador está sublinhando de vermelho a palavra exceção. Será que errei?Não importa a combinação de letras, ele exibe esse sublinhado, e eu passo a duvidar de mim mesma: será que o próximo passo da reforma ortográfica não será abolir as palavras sobre as quais mais se tem dúvida?)
Bem, eu fico pensando que tenho um carinho especial por alguns dos acentos que usei por toda a vida, e dos quais custo a abrir mão. Talvez o que mais me custe abandonar seja o circunflexo de voo, que me servia de paraquedas toda vez que conjugava este verbo. Voar, agora, ficou muito mais perigoso. Vou entrar nos aviões sem essa garantia, abandonando o acento na alfândega, mas carregando escondido um trema que me agüente nas situações de susto: duas mãozinhas levantadas, em pedido de socorro –Valha-me Deus, já que os gramáticos me passaram a perna!
Riamos, brinquemos, enquanto não chega o decreto que acabe, também, com o subjuntivo. Boa semana a todos. E não se esqueçam de usar, amanhã, alguma coisa verde, em homenagem a São Patrício, o conservador dos acentos. Esse verdinho, segundo os irlandeses, traz boa sorte para quem o usar.  São Patrício foi um bispo do bem, provavelmente tomava cerveja, já que era irlandês, e ria muito. Rir, como muita gente sabe, é o melhor remédio. 

Sunday, March 15, 2009

Idos de março

Um pouco de história é sempre bom. Eu adoro histórias, com ou sem maiúsculas, mas, quase sempre chego à História através das histórias que leio. Os idos de março chegaram até mim pomposamente trazidos pela mão de Shakespeare, na peça Julio César, traduzida pelo Carlos Lacerda, por quem minha mãe era apaixonada. Lacerdista doente, diziam na época. Devo ao Lacerda minha passagem por uma escola pública, pois antes dele, e depois dele, só estudei em colégio particular. Já a faculdade, fui eu que escolhi, e só queria a UFRJ, onde entrei, muito bem colocada, atrás apenas de Cecília, minha amiga querida. Fui muito feliz na UFRJ. Adorava minha turma, LEA. Adorava meu grupo, que se mantem unido até hoje. Adorava meus professores, a quem admiro até hoje. Tive dois filhos estudando, já entrei com uma no colo. Me lembro de fazer a inscrição para o vestibular, gravidíssima, minha e do meu marido, que estava me esperando no carro. Quando cheguei lá com a papelada e o retrato do Gui, novo, cabelão, queimado de sol e de óculos escuros, o atendente, um senhor de meia idade olhou para mim e abanou a cabeça: Ô minha filha, você aqui e o surfista na praia?! Não faz isso com você não… Mas o "surfista" nunca subiu numa prancha de surf e nunca me deixou na mão. Ele fez a faculdade trabalhando e eu procriando. Não sei como, consegui dar conta de tudo,  e ainda lia sem parar. Minha sogra, quando me via abrir um livro, dizia: "pronto, agora ela já se fechou no seu mundo! Não adianta mais falar com ela!" Meu marido tinha ciúmes de meus livros. Mas só no início. Depois ele entendeu que para me amar, precisava amar meus livros. E ele fez questão que esses livros nunca me faltassem. Duros como éramos, o presente que ele me dava a cada natal era um crédito na livraria perto de nossa casa, onde passei muitas tardes sentada no chão (naquele tempo as livrarias não tinham essas frescurinhas de poltronas) lendo os livros que não tinha dinheiro para comprar. Escrevo essas coisas e sou varrida por uma onda de sentimentos contraditórios, alegria e tristeza, amor e saudade. Acho que meus amigos me acham uma chata, em minha obstinada viuvez, ninguém entende lá muito bem porque eu fico só. Mas … eu também não entendo muito bem, e não consigo pensar em ter outra atitude. Vou ficando do jeito que estou. Choro um pouquinho, rio um pouquinho, me escondo em casa, até me chamarem para algum programa. Viajo, gosto disso, e vou sempre que posso. Escrevo, coisa que também gosto, e que me dá um sentido, uma canoa a bordo da qual atravesso a vida. E leio, prazer enorme, vício, mesmo, pois sem ler começo ficar inquieta, impaciente, agitada.
Bem, ia falar nos idos de março, no assassinato de César, talvez no nariz de Cleópatra e, quem sabe, no Marco Antônio. Falei dos idos de minha própria vida, e agora vou correr atrás do tempo, para fazer a resenha que estou devendo ao Rascunho, os e-mails que tenho que colocar em dia, e as leituras para a UFF. 
Só para terminar, o André de Leones me mandou um convite para participar de uma comunidade de leitores chamada skoob, que está bombando. E citou a mim e ao Marcelo Moutinho, na resenha que ele fez para o JB. Fiquei muito contente! É bom ser lembrada.

Saturday, March 14, 2009

Pulei o 13

Ontem não deu. Fazendo juz a sua fama de aziaga, a sexta-feira 13 me surpreendeu com coisas inesperadas, até com uma grande tempestade, e eu fiquei caladinha, no meu canto. Hoje acordei como uma formiguinha atarefada. Já fui três vezes à rua, pretendo ir mais outra, arriscando a sorte e passando por baixo da árvore que estão cortando aqui em frente. Uma árvore que tomba, pela chuva, pela idade, pela infestação de cupins… mesmo assim, dói meu coração vê-la ser transformada em pedaços de madeira, em serragem pelo chão. A sombra que me acolhia quando eu chegava na minha rua, agora já não vai mais me refrescar. Me pergunto se algum passarinho teve que abandonar seu recanto ali no fresquinho? Me entristeço com essas pequenas bobagens. Só me alegro com a possível diminuição de cupins a me ameaçar.  E nem consigo me entusiasmar com a próxima viagem: uma ida à Colômbia – Cartagena de Indias, o porto cobiçado pelos piratas, por onde tanto ouro e tanta prata saíram do continente para enfeitar as Igrejas e Palácios da Europa. Depois, San Andrés e as sete cores de seu mar. É, parece legal, mas eu desanimo, desencanto, só penso nos galhos que se retorcem à espera de serem levados para longe daqui. Sinto o perfume que a madeira recém cortada desprende e me lembro de que, ao cheirarmos, estamos inalando moléculas, e, portanto, transportando para dentro de nós mesmos um pouco do outro. Respiro fundo e decido que está na hora de descer mais uma vez. E que não adianta lutar contra o fato consumado.
Para terminar, agradeço ao Guido o cordel que ele me mandou. Vocês podem encontrar no endereço que ele me mandou e que copio aqui: http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=38858
É sobre a excomunhão da vítima… Nem abordei o assunto aqui porque ainda me sinto ferver. Minha proposta, já que o padre, ou o bispo, sei lá o que ele é, acha que estupro não é tão grave, é convidar os estupradores para atacarem o padre. Pena que o danado não engravida! Mas, citando o Milk, o negócio é continuar tentando. 
Agora, falando sério, me lembro de um romance que li quando garota, mas já não me lembro do autor nem do título. Sei que era um desses autores muito católicos e que o personagem, padre, é chamado ao hospital para decidir sobre um impasse: sua única irmã estava à morte, e sua única chance era uma operação, para retirarem o bebê que ela estava esperando. Se os médicos não terminassem a gravidez, ela ia morrer, e o bebê talvez morresse. Se os médicos interompessem a gravidez ela ia sobreviver, e talvez até pudesse ter filhos, mais tarde. Pois o raio do padre decide manter a gravidez e, assim, assina a pena de morte de sua irmã. Fechei o livro, em lágrimas, revoltadíssima! Nem sei como a história terminou. E acho que nem vou saber, pois esqueci tudo o mais. Teria sido A chave do reino? Vai ver que é do mesmo autor. 
O negócio é seguir as escrituras – dai a Deus o que é de Deus! O resto não é da alçada dele. E eu garanto que Jesus, que tanto amava as crianças, ia cuidar dessa criança atropelada pela desumanidade e violência, e se indignar contra quem a agrediu. Pois é, confesso que não gosto desse Deus que pretende que a gente aja contra as pessoas a quem podemos amar em favor de quem nem existe ainda.
Bolas! Não ia falar nada sobre o assunto, mas aqui estou eu, indignada. 

Thursday, March 12, 2009

Tempus fugit

Gente, dei uma bobeada e lá se passaram quatro dias desde a última postagem! É que essa semana é de volta às aulas, de reencontro com amigas distantes, de missa por amiga que partiu, de contratações, de um monte de encontros e partidas.
Bem, alguns já sabem, mas quero logo contar para todos e convidá-los a participar:
Em maio vou dar um curso "Labirintos de Borges", no Telezoom. Quem ainda não conhece o Telezoom, é uma cobertura gracinha, bem equipada, na Dias Ferreira 78, portinha colada com o Esch Café. Em noites de lua cheia, o terraço, com vista para o Cristo, é um encanto. Em alguns eventos noturnos eles servem um acarajé delicioso, é imperdível! E a programação é variada e interessante. Agora está havendo um curso maravilhoso, da Ana Christina Nadruz, a melhor professora de História da Arte que eu conheço. 
Mas, voltando ao meu curso: será às sextas-feiras, de dez ao meio dia, no formato de "Café da manhã com Literatura" Eles servem um café completo para o corpo e eu um prato cheio para a mente!
Confiram as atividades em www.telezoom.com.br
Eu conto mais, depois, pois hoje recomeço as aulas  e tenho mil coisas a fazer.
Volto amanhã, com trevos, ferraduras, figas e tudo o mais, para proteção – sexta-feira 13!

Sunday, March 08, 2009

Ia me esquecendo…

Ontem foi ao ar mais uma edição de nosso Histórias Possíveis.  Tenho um conto, juntamente com a Dani e o Cremasco, e o mais novo membro efetivo, o Erwin. Bem vindo, Erwin, um conto sólido e bem construído, digno de Vieira, pelo raciocínio claro, que nos pega pela mão e leva ao final inesperado.
Agora estamos com novo formato e com colaboradores que respondem, a cada semana, a um desafio. O desta semana foi a palavra VIDRO, e dois responderam com maestria. 
Agradecimentos a Dani, e a todos que contribuem para a continuação deste projeto, filho das idéias de André, inesquecível.
Então, porque ainda estão aqui? Vão lá no www.historiaspossiveis.wordpress.com e leiam, e recomendem!

DIA DA MULHER

Recebi votos carinhosos dos amigos e das amigas, pelo mundo a fora. Celia GouveiaC, artista brasileira radicada em Nice, Laura Burnier, outra artista de talento, Marcio Galli, amigo de tanto tempo, Henrique, poeta de grande talento, a Bis-Tekinha, toda energia e entusiasmo, meu distante Amauri. Mensagens e ligações para quem amanheceu em ressaca de tristeza. Mas já está passando, vou enxugando as lágrimas e abrindo o sorriso, meio irônico, pensando que, enquanto estivermos recebendo homenagens pelo "dia da mulher", significa que ainda temos muito o que batalhar… Cadê o dia do homem? Cadê o dia do branco? Cadê o dia do banqueiro?O dia do comerciante? Cadê o dia do filho/a? 
Quem está por cima da carne-seca não precisa de dia, pois todos os dias são deles… Enquanto isso vamos comemorando o dia da Mulher, o do Índio, o da Consciência Negra, o do bancário, o do comerciário, o do Papai e o dia das Mães…
A mensagem mais curiosa, que recebi hoje, foram instruções de procedimento em caso de panela pegando fogo. No dia das mulheres já não tão prendadas, um serviço de utilidade pública para que elas não ponham fogo na casa. Ao menos, não destruam, fisicamente, o Lar!

O que será que significa ser mulher hoje em dia? Os modelos são os mais conflitantes possíveis. Podemos escolher entre Mulher-Salada de frutas,  Mulher de malandro, Mulher maravilha, Mulher macho, Mulher independente, Mulher de carreira, mesmo com duplo sentido, mulher isso e mulher aquilo. Já não existem mais definições e certezas. Antes era-se mulher de família ou mulher da rua, e a gente que se enquadrasse o melhor possível nestes papéis. Daí aquelas donas de casa de Nelson Rodrigues, sonhando em serem putas –única alternativa –, mas se consumindo nos dramalhões da culpa burguesa.

Apago todo um parágrafo, eu mesma me canso de minhas desvairadas filosofias. 
Feliz dia das Mulheres, para todos os modelos, até mesmo para as cri-cris e relutantes como eu! E basta!

Friday, March 06, 2009

Carta dos leitores.

A Cora Rónai escreveu uma coluna maravilhosa falando sobre as livrarias ameaçadas de extinção. Aquilo me entusiasmou, e eu acabei mandando um e-mail para ela. Geralmente não sou de mandar e-mails, nem cartas para a redação. Conto nos dedos as que já enviei até hoje. A primeira, ainda nos tempos do "snail mail", foi para protestar contra uma reportagem do Ela, que dizia que quanto maior a escolaridade feminina menos chance as mulheres tinham de arrumar um namorado. E aí entrevistavam jogadores de futebol, cantores sertanejos, e modelos/manequins. Acho que entrevistaram duas intelectuais, que se colocaram na defensiva, assustadas com a cobrança. Falavam que, com mais de doze anos de estudos, a chance de a mulher arrumar um parceiro sexual era praticamente nula. Gente, doze anos de estudos não te leva nem a terminar uma faculdade! Lá mandei eu uma carta desaforada e meio gozadora, lamentando muito que a repórter – que eu supunha ter completado seus estudos de jornalismo ou de comunicação, seja lá como isso se chame hoje em dia – estivesse impossibilitada de tirar seu atraso. Claro que não me responderam.
A segunda vez foi uma cartinha ao Xexéo, a quem assisti numa palestra dizendo o quanto os jornalistas apreciavam essa facilidade dos e-mails, que estimulavam os leitores a reagirem a suas colunas e davam um feedback precioso, que era muito estimulante. Lógico que, boa moça que sou, logo na coluna seguinte do Xexéo mandei uma mensagem bem educada e incentivadora. Ele deve ter apreciado e se sentido muito estimulado, mas não me disse nada, e eu nunca mais insisti. Só que, recentemente, a Fernanda Torres publicou uma coluna falando sobre Proust, de quem sou ardorosa devota. Tenho a imagem dele junto a meu computador, na esperança de que o santo me transforme numa escritora de qualidade. Impulsivamente mandei um e-mail dando os parabéns pela coluna, falando de como o exemplo dela poderia estimular a leitura de uma obra que, pela sua extensão, assusta um pouco, mas que, uma vez iniciada, se transforma num vício, difícil de largar. Descobri que ela publicou na Revista de Domingo! Achei o máximo. Agora, estimulada por esse assunto que me apavora – como poderei viver sem frequentar livrarias? –, escrevi um e-mail para a Cora e ela me respondeu!  Juro! Escreveu prá mim, dizendo que tinha adorado o e-mail (bem, talvez ela tenha dito gostado, ou apreciado, mas foi como eu entendi) e que tinha tomado a liberdade de colocar lá no blog que ela mantém. Lá fui eu ver o blog, que adorei. Cheio de retratos de gatinhos bonitinhos, e com um vídeo tirado do YouTube, nota dez – pena que, em minha ignorância, eu não saiba quem é o cara que está falando. Vou pesquisar. Aconselho, então, a todos os meus leitores : visitem o blog da Cora, que é imperdível. Para facilitar, aqui vai o link:
E aqui está a resposta que recebi dela, para vocês verem como ela é simpática:
Salve, Lucia!

Adorei o seu email – e tomei a liberdade de levá-lo lá para o blog, onde a coluna tem uma sobrevivência de mais alguns dias e a turma pode discutir o assunto. Apareça por lá: cora.blogspot.com. A casa é sua. Curiosamente, você vai ver que, lá, também falei na questão dos acentos.

Um abração,
Cora

Thursday, March 05, 2009

Batatas fritas…

OK, vocês venceram!
Peço desculpas por ficar tanto tempo sem escrever, e explico: estou na fossa. Termo tão antigo que já perdeu seu charme e agora tem um caráter meio repugnante. Mas é isso mesmo. Não posso falar em depressão, coisa muito forte para o que estou sentindo. Estou mais para melancólica, devido, acho eu, à época do ano. Afinal, sábado que vem era meu dia predileto do ano. Dia 7 de março. Agora é mais um dia que tenho que atravessar.
Mas, para meu bem, ou meu mal, sou uma deprimida de bom humor. Estou sempre de bom humor, acho que isso deve ser doença! Meu humor só se modifica em filas – de banco, de supermercado, de inscrição. Não entendo, mudo mesmo, parece que algo dispara e eu fico insuportável. Mas, mal chega a minha vez de ser atendida, the bitch disappears, e volto a ser a doce Lucinha de sempre. 
Além das filas, outra coisa que revela meu lado Ms. Hyde é meu prazer em assistir ao pior seriado da TV – House. Digo pior porque o seriado pretende nos fazer acreditar que o House é um gênio dos diagnósticos, mas só nos mostra todos os erros que ele vai fazendo. Assim até eu sou boa de diagnóstico, na base do erro e acerto:
 – É câncer, façam uma sonografia.
 – A sonografia está normal, Dra. Lúcia. 
– Então é uma infecção, façam uma punção lombar. 
– Não há sinal de infecção, Dra. Lúcia. 
– Ah, então é porque é uma bactéria desconhecida, vamos envenenar o paciente pois assim a bactéria morre! 
– Mas, Dra., se fizermos isso o paciente também morre… 
– Ahá! Mas morre curado, e isso é o mais importante. Eu preciso acertar o diagnóstico, mas não estou nem aí para o que acontece com o paciente!
Digam-me com sinceridade, eu não poderia ser uma roteirista de House e estar ficando milionária em Hollywood? Ou estar trabalhando para a Globo, passando férias na Ilha de Caras, conversando platitudes com alguma atriz que mudou o visual de loura para morena, já que ela (nenhuma delas) sabe representar e que para incorporar o personagem precisa mudar o cabelo, para que os espectadores entendam que agora ela já não é mais a outra… Ou talvez a razão dessa mudança de coloração seja porque o encarregado de escalar as atrizes seja daltônico, ou mesmo cego.  No roteiro, todas as cenas de amor falam de como a pele branquinha e os cabelos louros da moça deixam o herói louco de amor . O cara escala a Giovana Antonelli, pois é cego e não sabe que ela é morena,  e a saída do contra-regra é pintar o cabelo da moça e passar maquiagem para clarear a pele dela, já que o roteista se recusou a reescrever toda a história para acomodar a escalação.
Bem, voltei. Não zanguem comigo. Na verdade, adorei os puxões de orelha! Desculpem. Amanhã tem mais.

Wednesday, February 25, 2009

Teimosia

Então, como não consegui ver o filme, li o livro de Vikas Swarup que deu origem ao filme. Gostei, engenhoso, bem construído. Não se trata de grande literatura, mas é um livrinho gostável, de consumo rápido e divertido. Agora acho que vou dar um tempo nessa tal de Índia. Estou ficando cansada de Rams,  Shivas,  Gulab Jamuns, Masterjis e Bollywood. De miséria e excrementos, então, nem se fala. Cansei. Até minha amiga vai para a Índia, passar 20 dias. E nem vai visitar o Taj Mahal, que seria a única razão que me levaria até lá (além de um contrato para tradução e lançamento de meus livros por lá, é claro!)  Neste livro que acabo de ler, o protagonista trabalha uns tempos como guia informal do Taj Mahal, e nos descreve o monumento com tanto enleio que me deixou com água na boca. Mas no momento nada de exotismo. Sonho com Paris, mais uma vez – até do Boulevard Pereire tenho saudades! E sonho com a Itália, uma caixinha de jóias que não me canso de examinar. Mas acordo com Niterói, para onde vou estudar, e não reclamo: passar pela ponte é sempre um privilégio! Em que outro país podemos ficar engarrafados olhando para paisagens tão lindas? E lá vou eu, pelo Aterro, ou pela Lagoa, atravessando a ponte, olhando de soslaio para o caminho Niemeyer, ou pedindo a bênção para o Redentor e sorrindo para as torrezinhas petulantes da Igreja da Penha. E olho o aviãozinho vermelho que complementa o dia de praia, como um sorriso no céu. Que lindo dia! Ideal para ler...

Em tempo:
Saí e voltei carregada de livros.  Acabei sucumbindo à indicação da Cora Rónai e comprei o Hotel Yoga, com o barrigudinho do Ganesh para me trazer boa sorte. E comprei A arte da vida, do Bauman e um Guia Visual da História da Bíblia, que é uma gracinha, cheio de ilustrações e de esclarecimentos rápidos, como uma árvore genealógica de Adão a Davi, por exemplo. E também não resisti ao Conversas com o Woody Allen, que é que posso fazer? Sou fã dele! Para terminar, ainda comprei a Piauí. Daí que me desculpem, mas tenho muito que ler. E, se não aparecer para escrever aqui nos próximos dias, vocês já sabem a razão.

Tuesday, February 24, 2009

Dos Cinemas no Carnaval

Mudaram os Carnavais ou mudei eu? Antigamente, nos poucos Carnavais em que ficava no Rio, a cidade se transformava num lugar encantado: pouca gente, muitos turistas, lugares em todos os restaurantes e cinemas. Nas ruas, pouquíssimos carros. O Carnaval de rua tinha saído de moda, e só uma ou outra banda, ou um ou outro bloco mais enraizado, continuavam a tradição. Me lembro de um aqui no Leblon, de homens que se fantasiavam de mulher e jogavam futebol na praia. Não me lembro do nome, mas me lembro que todo Carnaval aquela turma saqueava os armários das mães, irmãs ou namoradas e exagerava na maquiagem, nos enchimentos, nos trejeitos. E era tudo ali, no final do Leblon, no cantinho da praia que hoje foi dedicado ao Zózimo e à Cedae. Pelas ruas, só me lembro da passagem da Banda de Ipanema. Mas não vou falar de Carnavais passados, isso já está até parecendo livro do Dickens, ou filme da Disney: cada cronista desencava o espectro dos carnavais passados, e o espírito dos carnavais futuros, para nos tocar a sensibilidade. Eu só quero mesmo é reclamar dos cinemas cheios, ou dos abusos dos administradores das salas, que alegam falta de ar condicionado, problemas no som, lugares esgotados para impedir que passemos uma tarde tranquila e divertida. Todas minhas tentativas cinematográficas foram frustradas ou frustrantes. Fui ao Estação Ipanema a fim de ver Quem quer ser um milionário. Enfrentamos fila, para comprar ingresso e para entrar na sala, e, depois de instalados em nossos lugares, fomos expulsos por um " problema no som". Fui ao IMS ver um documentário: tivemos que assistir o filme sem ar condicionado… Fui duas vezes ao Kinoplex Leblon – ingressos esgotados. Voltei ao estação Ipanema, nada de ingressos para o Quem quer ser um milionário, e acabei assistindo o casamento de Rachel. Desisti dos filmes, também, me dedico à praia e aos livros. A praia está cheia, a água está suja, mas a brisa está agradável, e os livros são amigos fiéis, não me falham. Já que não consigo ver o filme, leio o livro que originou o roteiro, presente que o Márcio me deu, envolto em colares de havaiana e em serpentina. Obrigada, Márcio! E, daqui de meu cantinho, olho as ilhas meio dissolvidas na bruma, escuto Nana Caymmi cantando, e volto para meu livro, que agita suas páginas na brisa, me chamando. Depois eu conto.

Monday, February 23, 2009

Por que não irei ao Caminho de Santiago

Não. O Caminho não é para mim, que me canso só de seguir uma banda por uns poucos quarteirões. Essa é minha grande descoberta de Carnaval – minhas limitações. Gosto de caminhar na praia, de andar para cima e para baixo pelas ruas do Leblon, achava que podia fazer uma aventura como essa de seguir a pé para alcançar um objetivo. Afinal, já desfilei na Sapucaí, tanto no primeiro grupo como no grupo de acesso, já enfrentei trilha na mata atlântica para chegar a cachoeiras, já subi e desci os Champs Elysées, de salto alto! Mas, neste Carnaval descobri que não tenho resistência para acompanhar grupos que são movidos pelo fervor de alguma coisa que pode ser chamada de religião. Não sei se foi a combinação de praia, aniversário e Carnaval, o certo é que fui derrotada por um bloco que nem é dos mais famosos, o Empurra que Pega. Já tinha me concentrado antes, no bloco mais estranho do Leblon: um que sai mas não concentra. O bloco foi embora e deixou todo mundo atrás, conversando e bebendo na Dias Ferreira. O social estava tão bom, a noite tão fresca, as cervejas tão geladinhas, acho que ninguém reparou que o carro de som tinha ido embora. Ou até achou melhor quando o carro de som partiu, pois conversar ficou muito mais tranquilo. 
Sábado lá fui eu para prestar minhas homenagens ao Empurra. Cheguei na hora, fantasiada de alguma coisa que foi interpretada como cigana (várias pessoas me pediram que lesse suas mãos, e eu não me fiz de rogada: cigana do bem, só lia coisas boas nas linhas que me apresentaram. Para uns, era a fortuna; para outros amores incontáveis e ardentes; para alguns, saúde e longa vida; para outros bons empregos; para mim mesma, uma festa – tinha encontrado o que ler até mesmo num bloco!) O problema foi que, quando o bloco começou a andar e eu a segui-lo, descobri que ali não era meu lugar. Aquele ritmo lento, o para aqui que eu vou ali, a troca de fluidos corporais e de cheiros nos inevitáveis encontrões, essas coisas só mesmo com muita devoção. Segui o bloco até o meu limite: a minha rua. Quando cheguei na minha esquina, parecia que tinha chegado às portas do paraíso! 
Resultado, no domingo, acordei cedo, mas não fui ao famoso Cordão do Boitatá, simplesmente porque ele não ia passar na minha esquina e eu não ia conseguir me libertar assim com essa facilidade. Pois tem aquela coisa dos amigos, e da longa volta para casa sozinha, e eu no fundo, no fundo, sou uma pessoa assustada, tímida e meio desanimada: animal de sangue frio, que necessita do calor do grupo para se aquecer… mas que se esgota rápido, como fogo de artifício.
O Caminho, e o Carnaval, são para aquelas pessoas que têm, dentro de si, um braseiro ardendo devagar, por muito tempo. Fico aqui, então, declarando encerrado o meu Carnaval. Vou aos filmes, aos livros, aos sonhos.

Friday, February 20, 2009

Obrigada a todos

Foi ontem, e foi bem comemorado. Aliás, ainda está sendo, hoje ainda tenho um almoço e uma ida ao Rio Cenário com os amigos. Por um lado, fazer aniversário no Carnaval, atrapalha, mas por outro, é muito bom, pois todo o mundo está em clima de alegria e comemoração. E eu topo tudo. Me perguntam: vamos à praia?, e lá estou eu de maiô e chapéu, livrinho debaixo do braço, é claro! Me convidam: vamos almoçar no restaurante super-chique e elegante?, e eu capricho no visual, dou um trato no cabelo, passo um baton e escondo o livrinho na bolsa, é claro! Me chamam: vamos bater papo no bar?, e lá vou eu de sandália e sorriso a postos, com o livrinho na mão, tomando cuidado para não sujar. Só não carrego o livro para os convites para bloco de Carnaval e festas à fantasia. Mas acho que vou inventar uma fantasia de Bibliotecária de Babel, para poder ir com meus amigos para toda parte.
Agradeço a Cris, ao Ernane, ao Amauri –tão distante, você mudou para a Rep. Dom.? – a Teka, a todos os que deixaram suas mensagens carinhosas aqui neste nosso universo de palavras. Depois escrevo mais. Hoje estou dispersa, ainda muito agitada com os festejos. E não tenho ficado satisfeita com nada o que ando escrevendo, tanto que não postei as coisas que escrevi ontem e anteontem. Talvez por estarem muito cheias de reminiscências, por serem muito pessoais, sei lá. Só sei que desisti. A falta de tempo também influiu, não gosto de escrever correndo, escrevo e leio, paro, releio, escrevo... Vou devagar, para não assustar as idéias... Ih, esqueci que ideia não tem mais acento!  Amanhã prometo que volto para escrever com mais calma, e talvez com um pouco mais de inspiração. Mas aqui ficam os agradecimentos.

Tuesday, February 17, 2009

Está chegando o dia, quase se esbarrando com o Carnaval, mas isso não pode importar a quem nasceu numa terça-feira gorda ( e como eu implico com esse nome!) Hoje estou me dando um presente. Vou cuidar de mim, para quinta-feira estar com cara de aniversariante. Mas antes, queria colocar aqui o link para o blog de um amigo -- mais um que devo a Passo Fundo e à maravilhosa Jornada Literária, o talentoso Alfredo Aquino: http://ardotempo.blogs.sapo.pt/246307.html
Ele postou os maravilhosos trabalhos que o Siron Franco fez inspirado (o horror também pode ser musa) no acidente do Césio. Olhem e pensem um instante em como a tragédia está próxima de nós. Lembrem. A arte não nos deixa esquecer, é essa sua função – eternizar e manter a nossa humanidade. Pensem. É o que nos assegura que somos humanos...

Friday, February 13, 2009

Conversas de botequim

Se pessoas tivessem um dicionário de antônimos, eu seria, certamente, o antônimo de boêmia... Nada mais distante de mim do que o desejo de ir para um bar tomar chope. Jamais aprendi a gostar de cerveja, bebidas me dão sono, já não gosto mais de comida de botequim... Então, o que me leva a aparecer ora num bar ora noutro aqui no Leblon, no Centro, ou Ipanema? Os amigos, é claro! Por uma dessas fatalidades, sou uma daquelas pessoas que, sem vocação para a boemia, acho graça no universo do Bar. Muito já se falou sobre a diferença do botequim carioca para o botequim (se é que existe) paulista, não estou dizendo nada de novo, mas acho que as diferenças começam no propósito da ida ao botequim: Ninguém vai ao botequim para beber, ou para comer. O problema é que, no verão, faz muito calor, e é preciso tomar chope para refrescar. Meus amigos me dizem que o chope é a bebida mais refrescante que existe, e eu acredito, pois sempre acredito no que meus amigos dizem, mas não me convenço...Daí que sigo na água, sem gás. Ou me aventuro na caipirinha, uma única, que pode durar toda a noite, ou voltar quase intacta para desgosto do barista (e existe isso, em botequim? talvez, em SP...) De vez em quando, tomo água tônica, até hoje não descobri por quê.
No inverno, o chope hidrata as cordas vocais, e assim vamos consumindo barris e mais barris de chope pelas noites afora. Enquanto isso, nos botequins carioca, desenrola-se o mesmo fenômeno que na praia: as pessoas se encontram, circulam, paqueram, discutem a política, o carnaval ou o futebol, comentam as leituras, reclamam da vida. Não sou tão assídua que possa fazer uma classificação dos botequins, mas já reparei que, em alguns, conversa-se mais. Em outros, paquera-se. Em outros, exibimo-nos, nós, os descolados, que conhecemos todo o mundo que é para conhecer....(ah, quem me dera...eu sou apenas platéia para os chiques e famosos) E, para cada tipo de boteco, um nível de barulho diferente. Regra geral, não se escuta música em botequim carioca, a não ser que surja, espontânea, uma roda de samba ou de violão. Mas, dia de jogo, as TV's aparecem como por milagre, e os olhos se afastam das paqueras para acompanhar os lances. Chega de nhenhenhém. Ia apenas falar da conversa de ontem à noite, com um meu "irmão em SESC", que me incentivou a continuar com meu romance, meio parado entre outros projetos. E agradecer a ele, Cremasco, pelo presente: Histórias prováveis, livro de contos que agora vou ler. Não foi com esse que ele foi premiado, foi com um romance histórico sobre a formação do estado do Paraná, uma espécie de saga familiar, chamado Santo Reis da Luz Divina. Assim mesmo, Santo no singular, pois é o nome de um personagem.
Recomendando livros para amigos, lembro aqui do A elegância do ouriço, da Muriel Barbery; dos livros de Amos Oz; dos últimos do Philip Roth. Tenho lido poucos brasileiros ultimamente, já que minhas resenhas para o Rascunho têm me levado a passear pelo mundo e pelo tempo. O último brasileiro que li foi o do Galera, Cordilheira, mas não me empolguei, embora ache que ele escreva muito bem. E que é um rapaz corajoso, tendo assumido a narração numa primeira pessoa feminina... Isso é muito século XIX, quando os homens não estavam ameaçados pelo feminismo. Hoje em dia, me admira que a crítica não tenha crucificado seu romance...

Thursday, February 12, 2009

Amigos nos jornais e revistas

Antigamente lia jornais e revistas com devoção. Mais que devoção: com atenção. Hoje leio jornal quase que com indiferença, ou inapetência, debicando um cronista aqui, uma manchete ali. A culpa não é minha, é dos jornais, dos jornalistas, ou das notícias – repetitivas, incompletas, sensacionalistas – ou talvez seja minha, que estou ficando sem graça...
Bem, apesar do progressivo desinteresse, fui criando "amigos" entre os jornalistas e cronistas. Há alguns que eu sempre leio; outros que eu leio de vez em quando e que me pergunto porque é que não sou mais assídua; outros que leio só porque o título ou a manchete me interessaram, e me pergunto porque é que ainda perco tempo lendo coisas daquele alguém...
Apesar disso, nunca ligava os nomes às pessoas, e ainda hoje tenho dificuldade em fazer isso. Como é que, a partir daquela foto de um sujeito moreno e mirrado que ilustra a coluna, vou identificar aquele senhor de óculos, mais alto do que eu – que sou alta para os padrões brasileiros, 1,70m– parecendo um professor universitário? É ele quem escreve sobre boemia? Que entende tudo de samba? 
No fim de semana passado, lá em Búzios, minha amiga me apontou: –Olha lá o Ancelmo! Ele já tinha passado, e eu fiquei olhando as costas curvadas de um senhor de sunga, queimado de sol, fazendo sua caminhada entre amigos, fascinada com essa discrepância entre imagem mental e imagem física. Depois lembrei que meus olhos não são muito confiáveis: eu me vejo no espelho de uma maneira que não corresponde em nada às fotos que tiro. Sempre me assusto ao me mostrarem minhas fotografias, e me pergunto, será que sou assim como me revelam as câmeras? Ando evitando os retratos, com medo, já que não me reconheço nas versões que elas capturam...
Digressões, digressões... Acho que tenho lido muito Proust!
Voltando aos amigos, fico feliz quando os encontro nos jornais ou nas revistas como autores ou como assunto. Outro dia foi a vez do Alberto Mussa, amigo querido, que estampou todos os cadernos de cultura de uma vez só, com seu novo e instigante livro: Meu destino é ser onça. Não é um romance, é uma recriação do mito e um estudo sobre a antropofagia, prática que tanto perturbou o imaginário europeu do século XVI (mas que já vinha atormentando os espíritos, desde sempre, e que continua a pairar ameaçadoramente nos cantos mais obscuros de nosso imaginário). Hoje, quem tem seu rosto estampado num instantâneo risonho é o Alcione Araújo, que conheci lá em Passo Fundo e que, por ser meu vizinho, já vi muitas vezes passando pela praia nas suas caminhadas matinais. Isso na página da frente do Segundo Caderno. Na de trás, a Cora Rónai, dessas "amigas de papel", apaixonada em defesa dos animais, com uma eficiência invejável em todos os gadgets moderninhos, falando (escrevendo) sobre uma coisa que me deixa sempre espantada: escapamos! Nossa cidade, antes tão princesinha, agora é traiçoeira. Nunca sabemos porque ou quando seremos o alvo da vez. Ela, com seu equipamento, escapou, embora no mesmo dia, no mesmo local, a Carol Castro tivesse sido depenada, sem que ninguém nem percebesse que algo de anormal estava acontecendo. Talvez porque roubos não sejam mais anormais. E isso na mesma edição que mostra, no mesmo local, os bandidos de classe média (média? são é classe alta!)sendo levados para os camburões, que nem chamavam a atenção parados ali em frente ao prédio de luxo.
Bem, por enquanto, fico feliz ao ver meus amigos nos jornais e revistas, pois eles ilustram coisas que julgo positivas. Um estuda nossa cultura, outro batalha pelo espaço, mais que merecido, no teatro, outra luta pela nossa casa e seus habitantes –oikoslogia. Vejo o nome de Marcelo Moutinho assinando a revista do Império Serrano, defendendo uma nossa tradição de alegria e cultura. Vejo o texto do Secchin no Rascunho, um conto inteligente, onde ele mistura Alencar e Machado com a facilidade de quem é íntimo dos dois. Leio as críticas publicadas sobre livros de amigos, ou as que os amigos escrevem sobre obras que ainda não li, leio as crônicas que me explicam novelas e emoções, fico contente de que, mesmo sentadinha aqui no meu canto, olhando minha nesguinha de mar, possa me sentir tão ligada às pessoas que admiro, em sintonia com tanta gente boa!

Tuesday, February 10, 2009

Dúvida – Escafandro – Certezas

Certezas? 
Nunca fui muito certa de nada, só de minha própria ignorância. Desde que aprendi o sei que nada sei, fiquei fã.
Mas de uma coisa estou segura: adorei as dicas da Fla, que também está caidinha de amores pelo Mac. Fácil, a gente se deixar levar pelas seduções da editoração, por exemplo. Tantos templates maravilhosos, uma aparência moderna – a tela de meu Mac me remoçou uns 20 anos! Estou quase uma roqueira, pegando a guitarra para brincar de banda, fazendo edições de imagens muito cool ...
Em compensação, o filme O escafandro e a borboleta me assustou, tocou num de meus maiores medos – a tal síndrome do encarceramento. Fiquei imaginando a força de vontade daquele cara, piscando o olho para aquela extraordinária criatura que o acompanhou na criação de seu livro, que, segundo minha concepção, pode ser chamado de póstumo, pois que diabo de vida é essa?
Já li muita coisa boa em volta desse mesmo tema. O extraordinário Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubem (ns?)Paiva. A Balada do cárcere, não do Wilde mas do autor português de O Delfim, Joaquim Cardoso Pires, se não me engano. E uma história das Mil e uma noites, da cabeça cortada do sábio, que desejava provar ao Califa que existia vida depois da morte e que combina piscar o olho 3 vezes, para confirmar... Jean Do piscou o olho muito mais que essas três vezes, e comprovou que existe vida mesmo após essa morte do invólucro. Fiquei muito impressionada com o filme.
Ontem à noite fui assistir Dúvida – um show de interpretação numa história que, ao invés de revelar a grandiosidade humana, como é o caso do filme acima, revela o abismo da pequenez da alma humana. Também fiquei muito impressionada, mas sei que este é um filme que, com o tempo, me esquecerei. ;-) 
Me despeço com essa piscadela, sorridente, feliz por ter tantas opções para me comunicar.

Monday, February 09, 2009

Jobs or Gates

Aqui estou eu, pilotando o novo Mac, sem lembrar mais dos truques. Por exemplo: onde fica o acento agudo? Na verdade, sei onde ele se apresenta no teclado, mas nao sei usar nenhum acento, acabo de descobrir... Ficam todos fora do lugar, antes da letra. O que fazer?
So digo a voces uma coisa: Fica lindo, esse meu bloguinho tao banal, nesta tela espetacular. 
Como tenho muito que aprender e explorar, vou ficando por aqui. Outra hora eu comento os filmes que vi -- O escafandro e a borboleta, por exemplo, que tanto me impressionou. E outros.

Sunday, February 08, 2009

Búzios

Lá fui eu, passar o fim de semana em Búzios, mergulhar naquele mar transparente e caminhar na Rua das Pedras, na noite fresca e enluarada. Coisa boa. Sol, água de coco, caminhadas, conversas infindáveis e uma ou outra leitura.
Agora, de volta, as saudades e os filmes...
Quanto ao computador, acho que terminamos nossa relação de anos felizes e proveitosos, creio que em breve terei um novo amor, "sleek", gracinha, de volta aos braços da Apple. Mac foi meu primeiro amor, que, traiçoeiro, me abandonou no meio de um projeto. Mas perdoo, esqueço, e me entrego de novo, fascinada pela sua beleza e pelas gracinhas que ele já demonstrou que sabe fazer (mas, saberei eu comandar essas gracinhas?) O amor, no entanto, é cego e pouco achegado a cálculos e raciocínios. Me deixo seduzir...Vejamos onde vai dar essa nova história de amor.

Wednesday, February 04, 2009

(in)Utilidade Pública

Tudo o que eu sabia já não sei mais. Me lembro de minha avó, dizendo que, quando era menina ( e como somos arrogantes quando somos meninas!) viu uma tabuleta anunciando o preço do açúcar, escrito assim A-Ç-Ú-C-A-R, com cê cedilha (com ou sem hífen?) e acento agudo no U. Na época, a grafia correta era ASSUCAR e ela riu, zombou do pobre comerciante, que anunciava seu açúcar como ainda ontem os botequins anunciavam suas linguiças... Visionários, eles já conheciam o futuro de nossa língua e o anunciavam, enquanto nós, na embriaguês de nossa escolaridade, achávamos que éramos os donos das formas corretas.
Bem, para a gente tentar aprender alguma coisa, aqui vai uma cópia de um resumo da Reforma Ortográfica. Eu me sinto cada dia mais perdida, e dou graças a Deus pelos revisores de texto. Dedico, então, esse post a eles, e, em especial, à Fátima, da Editora Record. Obrigada por tudo, viu, querida?
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Alfabeto
Nova Regra
O alfabeto é agora formado por 26 letras
Regra Antiga
O ‘k’, ‘w’ e ‘y’ não eram consideradas
letras do nosso alfabeto.
Como Será
Essas letras serão usadas em siglas,
símbolos, nomes próprios, palavras
estrangeiras e seus derivados. Exemplos:
km, watt, Byron, byroniano
Trema
Nova Regra
Não existe mais o trema em língua portuguesa.
Apenas em casos de nomes próprios
e seus derivados, por exemplo: Müller,
mülleriano
Regra Antiga
agüentar, conseqüência, cinqüenta,
qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência,
eloqüente, argüição, delinqüir,
pingüim, tranqüilo, lingüiça
Como Será
aguentar, consequência, cinquenta,
quinquênio, frequência, frequente, eloquência,
eloquente, arguição, delinquir,
pinguim, tranquilo, linguiça.
Acentuação
Nova Regra
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais
acentuados em palavras paroxítonas
Regra Antiga
assembléia, platéia, idéia, colméia,
boléia, panacéia, Coréia, hebréia,
bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico,
paranóico
Como Será
assembleia, plateia, ideia, colmeia,
boleia, panaceia, Coreia, hebreia,
boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico,
paranoico
obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
obs2: o acento no ditongo aberto ‘eu’ continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
Nova Regra
O hiato ‘oo’ não é mais acentuado
Regra Antiga
enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo,
abençôo, povôo
Como Será
enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo,
abençoo, povoo
Nova Regra
O hiato ‘ee’ não é mais acentuado
Regra Antiga
crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem,
relêem, revêem
Como Será
creem, deem, leem, veem, descreem,
releem, reveem
Nova Regra
Não existe mais o acento diferencial em
palavras homógrafas
Regra Antiga
pára (verbo), péla (substantivo e
verbo), pêlo (substantivo), pêra
(substantivo), péra (substantivo), pólo
(substantivo)
Como Será
para (verbo), pela (substantivo e
verbo), pelo (substantivo), pera
(substantivo), pera (substantivo), polo
(substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo ‘poder’ (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - ‘pôde’) e no
verbo ‘pôr’ para diferenciar da preposição ‘por’
Nova Regra
Não se acentua mais a letra ‘u’ nas formas
verbais rizotônicas, quando precedido de ‘g’
ou ‘q’ e antes de ‘e’ ou ‘i’ (gue, que, gui, qui)
Regra Antiga
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe,
enxagúemos, obliqúe
Como Será
argui, apazigue,averigue, enxague,
ensaguemos, oblique
Nova regra
Não se acentua mais ‘i’ e ‘u’ tônicos em
paroxítonas quando precedidos de ditongo
Regra Antiga
baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra,
feiúme
Como Será
baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura,
feiume
Hífen
Nova Regra
O hífen não é mais utilizado em palavras
formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas
por ‘r’ ou ‘s’, sendo que essas devem ser
dobradas
Regra Antiga
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato,
anti-social, anti-rugas, arqui-romântico,
arqui-rivalidade, auto-regulamentação,
auto-sugestão, contra-senso, contraregra,
contra-senha, extra-regimento,
extra-sístole, extra-seco, infra-som,
ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético,
supra-renal, supra-sensível
Como Será
antessala, antessacristia, autorretrato,
antissocial, antirrugas, arquirromântico,
arquirrivalidade, autorregulamentação,
contrassenha, extrarregimento,
extrassístole, extrasseco, infrassom,
inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia,
suprarrenal, suprassensível
obs: em prefixos terminados por ‘r’, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiperrequintado,
hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
Nova Regra
O hífen não é mais utilizado em palavras
formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas
por outra vogal
Regra Antiga
auto-afirmação, auto-ajuda, autoaprendizagem,
auto-escola, auto-estrada,
auto-instrução, contra-exemplo,
contra-indicação, contra-ordem,
extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura,
intra-ocular, intra-uterino, neoexpressionista,
neo-imperialista, semiaberto,
semi-árido, semi-automático,
semi-embriagado, semi-obscuridade,
supra-ocular, ultra-elevado
Como Será
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem,
autoescola, autoestrada, autoinstrução,
contraexemplo, contraindicação,
contraordem, extraescolar,
extraoficial, infraestrutura, intraocular,
intrauterino, neoexpressionista,
neoimperialista, semiaberto, semiautomático,
semiárido, semiembriagado,
semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por ‘h’: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semiherbáceo
etc.
Nova Regra
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é
formada por um prefixo (ou falso prefixo)
terminado em vogal + palavra iniciada pela
mesma vogal.
Regra Antiga
antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário,
antiimperialista, arquiinimigo,
arquiirmandade, microondas, microônibus,
microorgânico
Como Será
anti-ibérico, anti-inflamatório, antiinflacionário,
anti-imperialista, arquiinimigo,
arqui-irmandade, micro-ondas,
micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente =
não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo ‘co’. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal ‘o’, NÃO utliza-se hífen.
Nova Regra
Não usamos mais hífen em compostos que,
pelo uso, perdeu-se a noção de composição
Regra Antiga
manda-chuva, pára-quedas, páraquedista,
pára-lama, pára-brisa, párachoque,
pára-vento
Como Será
mandachuva, paraquedas, paraquedista,
paralama, parabrisa, párachoque,
paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática
e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz,
azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce,
mal-me-quer, bem-te-vi etc.
Observações Gerais
O uso do hífen permanece
Exemplos
Em palavras formadas por prefixos ‘ex’,
‘vice’, ‘soto’
ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
Em palavras formadas por prefixos ‘circum’ e
‘pan’ + palavras iniciadas em vogal, M ou N
pan-americano, circum-navegação
Em palavras formadas com prefixos ‘pré’,
‘pró’ e ‘pós’ + palavras que tem significado
próprio
pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
Em palavras formadas pelas palavras ‘além’,
‘aquém’, ‘recém’, ‘sem’
além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados,
sem-número, sem-teto
Não existe mais hífen
Em locuções de qualquer tipo (substantivas,
adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais,
prepositivas ou conjuncionais)
Exemplos
cão de guarda, fim de semana, café
com leite, pão de mel, sala de jantar,
cartão de visita, cor de vinho, à vontade,
abaixo de, acerca de etc.
Exceções
água-de-colônia, arco-da-velha, corde-
rosa, mais-que-perfeito, pé-demeia,
ao-deus-dará, à queima-roupa

Esta tabela foi desenvolvida Diego Guerra a partir do texto recebido por email para todos aqueles que estão ficando
malucos com a reforma ortográfica. Ela pode ser livremente distribuída, copiada e impressa.
Acesse o site www.diggs.com.br.

Matriculada!

Bem, já tratei da matrícula: mais um semestre, vejam só. Ainda outro dia estava pensando se retomava ou não meu projeto e agora já vou para o terceiro semestre. Já-já acabo. Tinha uma música em 1900 e antigamente que dizia que o mundo gira depressa/ e nessas voltas eu vou/ cantando a canção tão feliz/ que diz: Ai Lili, ai Lili, ai lou!
Pois é, não sei se vou cantando a canção tão feliz, até porque só tenho um fiapo de voz. Ah, que inveja de minhas amigas de vozes aveludadas e fortes, ou roucas e sexy. Minha voz é trêmula, entremeadas de risadas, insegura como a de uma criança de 4 anos. E falo baixinho, às vezes nem falo -- prefiro ficar calada quando estou no meio de estranhos. Mas, em compensação, quando estou com amigos às vezes falo demais -- até eu canso de mim mesma!
Agradeço a todos. Por favor, Guilherme, mande seu poema para historiaspossiveis@gmail.com. Já encaminhei o conto do Leo para lá. Fico muito feliz com a colaboração de vocês. Nossa nova editora, a Dani, está fazendo a seleção, mas, se não saírem nesse número, sairão em outro, não se preocupem.
Adoro todos vocês.

Tuesday, February 03, 2009

Falha no calendário

Gente, ontem é que foi o dia de Iemanjá! Não sei porque, mas eu estava vivendo um dia atrasada, achando que ainda estava no dia 1 de fevereiro. Fevereiro, mês tão curtinho, e eu ainda roubo mais um dia dele. Tadinho, meu mês não merece isso. Vamos deixar que o sol brilhe em todos os dias deste mês tão verão, tão carnaval, tão humildemente apertado entre os 31 dias do Janeiro de duas caras e os outros 31 do belicoso Março.
Obrigada, Guido, pelas dicas. Acho que minha crise é puramente postural, pois, sentada aqui com o laptop ao invés do computador, forço não só as costas como os olhos. Mas o computador está com um virus renitente; meu filho, que agora tem tido um pouco mais de tempo, continua se esforçando para limpá-lo, mas os virus estão cada vez mais ardilosos e matreiros.
Tenho boas notícias: O blog onde colaboro, Histórias Possíveis, esteve ameaçado de se acabar com a saída do André, meu mano em SESC, amigo ferido pela depressão. Agora, não só André parece um pouco melhor, mas o grupo decidiu não deixar que o trabalho dele se extinguisse. Ele tira umas férias da gente, mas nós guardaremos o lugar dele, e manteremos nossas histórias, com nova cara e com muita saudade.
Estamos convidando amigos para colaborar no site, também. E aí, Chris? E aí Guido? Vocês se animam?E aí, Eugênia sumida? Vera Helena? Vamos fazer um número "temático", Carnaval é o mote. Aceitamos de tudo -- poemas, crônicas e contos, ou ilustrações. Mandem alguma coisa, sim? Todos são benvindos.

Monday, February 02, 2009

Ogunhê!

Acabo de receber esta imagem, por e-mail, de uma amiga querida e sempre alegre. Ela me informa que este ano estamos sob a proteção de Ogum e de Iansã cujas cores são o verde e o vermelho. Ogum, o cavaleiro da esperança, Iansã, a senhora dos raios, cantada por Betânia, tudo gente boa. No calendário chinês, o ano que acaba de começar é o do Boi -- paciente e trabalhador, ele nos ajuda a plantar as boas sementes. Vejam, temos bons augúrios para nossa vidinha. Eu, por via das dúvidas, já vou fazendo minhas homenagens também a Iemanjá, cujo dia é amanhã, agradecendo as águas mansinhas e de temperatura amena do mar. Desde sexta-feira que me maravilho com os banhos nas ondas calmas e brincalhonas, só lamento um pouco a inevitável sujeira, já que choveu tanto no início da semana.
Ando ainda com problemas cibernéticos e com uma terrível crise de coluna. Não escrevo mais, essa posição é muito forçada para mim. Mas mando meu carinho para todos os que me lêem.